domingo, 4 de janeiro de 2015

Comentários sobre a Henshin Mangá #1

Olá a todos!

Começando o ano de 2015 com o retorno dos comentários de mangá aqui no Mundo Mazaki. Para começar temos a primeira edição da antologia Henshin Mangá, da editora JBC pelo novo selo Ink Comics. Essa edição trás a compilação dos vencedores do primeiro Brazil Mangá Awards, concurso nacional realizado entre 2013 e 2014. Autores novatos em one-shots autorais. Vamos dar uma passada em cada uma das obras, comentando seus principais acertos e erros. Será que os quadrinhos produzidos no Brasil estão evoluindo? Vamos tentar descobrir essa resposta nas páginas dessa publicação.




Quack - por Kaji Pato

Baltazar, o humano, e Colombo, o pato, (Adventure Time?) acabam se perdendo em meio a um local desconhecido para o restante do mundo. Um local onde as plantas e animais são diferentes do que conhecemos e onde os dois companheiros de aventura passarão por vários desafios.

Arte: No quesito visual "Quack!" tem um estilo de traço que chega a ser rústico, mas de muita qualidade. A qualidade oscila entre bom e regular em alguns quadros. Os cenários são muito bem trabalhados dentro do estilo proposto pelo autor e a arte-final também segue essa linha mais bruta de arte.

Pessoalmente me agradou bastante. A arte que o autor apresentou nessa obra tem personalidade e remeteu, a mim, a Dragon Ball em seu início e Dr. Slump. Uma pegada mais comédia, levemente poluída, mas condizente com o enredo que se tentou apresentar.

Roteiro: Infelizmente na parte de história o autor não teve o mesmo mérito da arte. A trama inicial é focada na busca de Baltazar e Colombo pelo combustível para seu avião, mas depois passa a ser apenas o recorte de parte de sua aventura interminável. 

Logo o objetivo inicial se perde em meio a repetição da mesma piada ao longo de todas as páginas do enredo: "Colombo tira sarro de Baltazar em cenário exótico". No começo é legal, afinal é assim que entendemos quem são os personagens, porém esse mesmo esquema é repetido a exaustão, sem nada acrescentar ao que deveria ser fundamental - o enredo. 

Cenário, apesar de bem desenhado, me causou confusão: Uma floresta, um deserto, uma pradaria, uma floresta. . . Em certo momento Baltazar fala em "ilha", mas em nenhum momento antes o local havia sido referido como uma ilha, no máximo como "Um local próximo ao velho continente". Talvez seja uma confusão minha, mas de fato achei estranho.

A intenção do autor pareceu a de construir um plot para uma série longa. Isso seria ótimo se não fosse o fato de que "Quack!" deveria ser uma one-shot fechada para o concurso. É possível sim criar algo fechado, mas que deixe brecha para continuações ou mesmo uma versão como série, porém este objetivo não foi alcançado nesse one-shot.


Avaliação Geral: "Quack!" é bom nas artes, mas bastante fraco no equilíbrio do roteiro. O autor mostrou bastante potencial na obra. Não sei se a intenção do autor, Kaji PATO, é a de seguir com essa história em formato de série e tenta emplacá-la futuramente. Eu, como leitora e pretensa escritora-roteirista, não recomendaria isto. Como leitora, fico curiosa para ver se as tramas de Baltazar e Colombo poderiam render algo interessante.

Pessoalmente tenho minhas ressalvas ao autor, em especial por motivos extra-quadrinhos que é melhor não citar aqui. Mas ficam meus votos e torcida para que, com mais experiência e maturidade pessoal e artística, Kaji Pato ainda venha a trazer ótimas histórias para os leitores brasileiros.


Crishno: O Escolhido - por Francis Ortolan e Lielson Zeni

Crishno é o Escolhido. Ele irá salvar a humanidade da ameaça dos terríveis monstros-árvore que estão devastando tudo. Será que ele terá sucesso nessa sua batalha?

Arte: Confesso que a arte de Crishno não me agradou em gosto, porém é uma arte bastante equilibrada em sua proposta. Durante a leitura acaba-se percebendo que o estilo visual empregado foi pensado para ser dessa maneira. A narrativa visual é mediana, mas consegue passar bem os acontecimentos.

Há quem torça o nariz para o visual desta e de outras histórias da coletânea por "não serem mangá". Penso diferente. Nossa cultura foi formada e influenciada por muitas outras. Creio que seja natural que em termos de desenho e quadrinhos esse mesmo fenômeno aconteça. Pessoalmente prefiro estilos mistos como de Crishno a traço perfeitamente nipônicos que fiquem se personalidade própria. Arte é isso, é desconstrução e reconstrução de conceitos e valores por cada um. Evidenciar as múltiplas influências nos traços dos quadrinhos é um reflexo super positivo dessas fusões de culturas.

Roteiro: Aqui, mais uma vez, é onde as coisas não ficam tão boas. Apesar de ter uma estrutura fechada, Crishno acaba parecendo muito vazio em sentido durante todas as páginas. Quem é esse Crishno? O que são aquelas criaturas que o perseguem? São monstros? Alienígenas? Por que eles estão atacando o protagonista e depois a vila onde ele se encontra? Pelo visto as pessoas já sabiam bem da existência daquelas criaturas. Porém, se essa fosse uma ameaça real a Humanidade, as coisas não estariam numa escala bem maior? Autoridades estariam caçando essas criaturas. . . Ou não? Ou será que já foram todos destruídos e aqueles são os últimos sobreviventes?

Enfim. . . 

Uma sacada inteligente no final não salvou o enredo, na minha visão. Se tem uma coisa que aprendi estudante roteiro é que uma boa ideia não faz um bom enredo, mas sim uma série de boas ideias bem encadeadas.

Avaliação Geral: "Crishno: O Escolhido" (eu erro todas as vezes que tento escrever esse nome) é bastante regular e pouco interessante. Isso se deve principalmente pelo roteiro, apesar da arte compartilhar desse resultado. O mérito é conseguir fazer algo que seja conclusivo, mesmo que deixando inúmeras dúvidas no ar. Aos autores desejo melhor sorte em desenvolver os argumentos de futuros projetos. Vocês foram bem, mas podem, e precisam, crescer bastante artisticamente para conseguir emplacar algo que seja marcante para o leitor.


[Re]Fábula - por Nameru Hitsuji

[Re]Fábula brinca com o mito da criação dos horóscopo chinês, criando uma sequência para esta história milenar. Em uma segunda corrida dos bichos, Deus e o Imperador querem unificar os horóscopos do mundo inteiro. Rato e Gato, que se tornaram inimigos mortais após o desfecho da primeira corrida, agora tem a chance de acertar as contas.

Arte: o traço de [Re]Fábula é ótimo. Bruto e um tanto poluído, mas que tem consistência e cria uma atmosfera até agressiva para um enredo que a princípio se imaginaria sendo bem mais fantasioso e leve. As cenas de luta acabam sendo um tanto confusas, mas não ruins. As caracterizações como humanos dos animais estão boas, destacando o Rato como a antropomorfização mais bem feita da obra. A distribuição dos quadros às vezes se atrapalha, mas ousa bastante, tendo seu mérito com isto.

O que mais posso dizer? Eu, como leitora, gostei bastante do visual e estilo do autor. É consistente, sem fraquejar. Infelizmente a página dupla não é boa. As artes super-poluídas passam um pouco do ponto e o título acabou engolido pela cola da revista, por ficar exatamente no meio das páginas.

Roteiro: Uma trama com início, meio e fim bem estruturados. Uma introdução um pouco cansativa, mas que consegue explicar o cenário no qual vamos nos deparar no restante do enredo. A ideia é simples e se desenvolve sem rodeios, chegando à conclusão com um mínimo de precipitação. Ou seja, o autor demonstrou um grande controle sobre a história que queria contar e isso é elogiável.

Apesar de tantos pontos positivos, [Re]Fábula também cometeu alguns erros em termos de roteiro. Golpes estranhos e dinâmicas que poderiam ser melhor trabalhadas no embate entre Gato e Rato. Algumas colocações desnecessárias que só geraram pontos sem explicação. A página final, com o novo horóscopo não foi a melhor escolha do autor. Ele poderia ter colocado os signos sem os textos que teria sido bem mais limpo e interessante. Falhas menores que não chegam a comprometer o trabalho como um todo.


Avaliação Geral: "[Re]Fábula" tem uma arte muito boa e uma história que soube se contar, apesar de alguns detalhes. Dou meus parabéns ao autor, Nameru Hitsuji, e desejo-lhe muita força e sucesso no seguimento da sua carreira que só está no comecinho. Com determinação tenho certeza de que ainda irá impressionar com seus trabalhos.


Entre monstros e deuses - por Pedro Leonelli e Dharilya

Louvre é um pintor e restaurador que vai a um templo semi-destruído para trabalhar no seu reparo, porém as coisas saem da normalidade quando ele encontra a entrada para um porão que não deveria existir naquele lugar. . .

Arte: os traços de "Entre monstros e deuses" é muito peculiar e rebuscada. Com muita consistência e personalidade, a obra é muito boa de apreciar visualmente, devido à riqueza de elementos presentes nos quadros compostos de molduras que se surgem em várias páginas. Também existe no enredo a brincadeira da mudança de estilo no mundo real e sobrenatural que pode confundir um leitor desatento, mas que é bastante enriquecedora para quem aprecia com detalhe. Creio que esta seja o maior problema do lado visual da obra. Algumas passagens são quadrinizadas de modo confuso, especialmente no começo. Creio que grande parte do público vá, infelizmente, não ter a paciência de ler a obra graças ao tom carregado da sua arte.

Roteiro: a história é bem mais séria do que todas as outras apresentadas na coletânea, falando de guerra e da mudança dos cultos aos deuses através da imposição. Em meio a este cenário temos o protagonista, um artista, que se vê emboscado pelo desafio de uma deusa agora transformada em demônio pela nova religião, e precisa fazer uma pintura que agrade a antiga divindade para não ser amaldiçoado. Porém as coisas não saem como esperado e o desfecho é poético e trágico ao mesmo tempo.

Nos comentários dos jurados é possível perceber que a versão da obra que foi publicada não foi a mesma submetida na seleção inicial do Brazil Mangá Awards. Pelos comentários do jurado que mais pode demonstrar suas críticas nesse volume, Arnaldo Oka, imagina-se que o roteiro era muito mais falho, sendo bastante aprimorado nesta versão que chegou ao público.

Avaliação Geral: Confesso que não tinha conseguido voltar minha atenção para "Entre monstros e deuses" até ter que lê-lo para fazer estes comentários e penso que isso foi graças à arte muito escura e pouco icônica dessa obra. Porém, ao ler essa obra tive a feliz surpresa da qualidade apresentada. O enredo se fecha em si de maneira perfeita e a história trabalha com elementos pesados como guerras, assassinatos e religiões sem medo. Creio que a arte deveria ser mais clara e limpa nos tons da "colorização em cinza" da obra, mas fora isso, foi uma execução muito bem feita (mesmo na segunda tentativa). Meus parabéns aos autores!


Starmind - por Toppera - TRP e Ryot

Artie era incapaz de tirar boas notas na escola (também pudera, que matéria é aquela que ele está estudando?!) e isso o deixa muito frustrado. Seu sonho é ser super-inteligente. Esse desejo se torna realidade quando uma estrela cadente vem o seu encontro, tornando-o Starmind. . .


Arte: o estilo básico da história é muito bem construído. O problema são as mudanças intencionais de traço que, na minha opinião, são exageradas e mal colocadas. A função delas é ser


Roteiro: A história é meio sem pé nem cabeça. Começa muito interessante, com a dificuldade de Artie com as matérias absurdas que tentam ensinar na escola (será uma escola de super-gênios e o garoto é o único ser normal no meio da genialidade? Não é o que parece, mas seria a única explicação. . .), mas depois extrapola para o nonsense quando Starmind começa a bater em todos para torná-los inteligentes. É engraçado e rápido, mas bastante bobo também. O vilão é aparentemente um morador de rua imundo que não quer aprender qualquer coisa na vida. Ele é um porcalhão que tem uma camada protetora construída com a sujeira que se acumula no seu corpo. A conclusão é simplória, mas pelo menos tenta fechar a trama.

Avaliação Geral: Creio que "Starmind" ficou com o primeiro lugar do BMA por ser simples, engraçado e rápido. É esse o tipo de leitura que os editores acreditam ser mais fácil de vender e por isso é o melhor. Uma trama episódica que poderia ser só um capítulo de uma série sem qualquer ordem cronológica dali em diante que não faria diferença alguma. Simples e o que mais agradou os jurados. Fico curiosa em saber o que os autores ainda podem produzir no futuro.


Sobre a Henshin Mangá #1 e o BMA 2013/2014





Creio que foi bastante difícil para a equipe por detrás do Brazil Mangá Awards fazer a seleção e trabalhar as obras para a publicação definitiva. Creio também que os jurados tiveram que omitir muita coisa do que realmente poderiam dizer a respeito das obras, por se tratar de um concurso para amadores. Depois de todos os percalços dessa primeira edição do concurso, é possível que seja muito mais fácil coordenas novas edições do mesmo.

O projeto do Brazil Mangá Awards e da Henshin Mangá são excelentes. Estamos vivendo um momento propício para o desenvolvimento firme dos quadrinhos brasileiros e projetos como este são fundamentais para incentivas os novos autores a colocar a mão na massa e produzir seus primeiros trabalhos.

Infelizmente ainda estejamos tropeçando no mesmo ponto que tropeçávamos a mais de dez anos. Lembro da revista "Desenhe e publique mangá" número dois (creio que a última, ou penúltima) que por algum milagre chegou as bancas em Manaus. No editorial daquela publicação a então roteirista de boa parte das histórias, Eddie Van Feu, comentou exatamente aquilo que hoje, tantos anos depois, ainda vemos na edição número um da Henshin Mangá: temos muitos desenhistas de qualidade, porém roteristas. . .

Tenho a convicção de que um bom quadrinho depende muito mais do roteiro do que da arte. Claro, é ótimo poder pegar um título com um traço belíssimo, que nos faz passar horas admirando cada quadro, personagem e cenário. Porém os autores precisam dar mais atenção ao que realmente preenche as páginas de um quadrinho: a história. Todos estão ainda muito focados nos estágios mais externos da arte sequencial (fazendo aqui uma alusão ao esquema proposto por Scott McCloud em seu "Desenvendo os Quadrinhos"). 

É preciso ir mais à fundo. Contar histórias melhores. Não necessariamente histórias mais complexas e rebuscadas, isso é ladainha pra crítico ver. Falo aqui de histórias que podem ser simples, mas ao mesmo tempo cativantes, divertidas (Não é à toa o dito "vencedor" do concurso ser Starmind). Seja uma comédia, um drama ou uma história de pancadaria. Não importa se for ambientado no Brasil, ou Japão, ou na Lua, Marte, Netuno. . . (Make Up!). O importante é ser bem feito.

Queria concluir desejando mais uma vez sorte e força aos autores premiados, aos menção honrosa e também aos não selecionados. Todos são vencedores por produzirem conteúdo cultural e todos podem conseguir muito mais com esforço, estudo e perseverança. Que o BMA e a Henshin Mangá continuem e incentivem cada vez mais pessoas a colocar seus sonhos nas páginas de seus quadrinhos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Comentários sobre Lúcifer e o Martelo #01

Olá a todos!

Hoje trago ao Mundo mais um comentário a respeito de um mangá lançado a poucos meses no Brasil sobre o qual eu não tinha O MENOR CONHECIMENTO do enredo até começar a leitura. Foi a curiosidade, as indicações de conhecidos e o instinto que me levaram a descobrir Hoshii no Samidare, ou, Lúcifer e o Martelo, como ficou na tradução da editora JBC.

Lembrete de sempre: este post é uma análise pessoal, parcial e baseada na experiência empírica da leitura do primeiro volume de Lúcifer e o Martelo. Caso você não aprecie textos opinativos parciais desaconselho que prossiga com a leitura. Talvez bulas de remédio sejam mais indicadas para quem busca informações imparciais.

Agora, vamos ao mangá!



Capa da edição brasileira (divulgação)



O Plot

Yuuhi Amamiya é um jovem comum, de 20 anos, que vive sua vida evitando criar laços com outras pessoas. Tudo muda no dia em que ele acorda com um lagarto sobre ele e o mesmo começa a explicar uma trama absurda sobre proteger uma princesa e salvar o mundo da destruição. Apesar da negação inicial, Yuuhi é convencido pela jovem Samidare, a princesa, a ajudá-la a destruir o Biscuit Hammer e, depois disso, ajudá-la a enfim destruir a Terra.

Talvez ter ido ler este mangá sem qualquer conhecimento anterior do enredo, nem mesmo de seus traços básicos, tenha sido a chave para minha total perplexidade, no sentido positivo, diante desta história. Diversas vezes durante a leitura parei para exclamar ao ar "caramba, não esperava por uma história assim!". Com o decorrer das cenas essas exclamações foram apenas ganhando mais força, pois não é apenas no aspecto de enredo que a obra surpreende, mas também no que toca o próximo tópico a ser destacado: os personagens.



Os Personagens

Um dos pontos altos deste primeiro volume. Os personagens de Lúcifer e o Martelo conseguem fugir de diversos esteriótipos mais comuns, ainda que possa se argumentar que essa fuga faz com que os mesmos caiam em tipos-padrão diferentes, ainda que não menos padronizados.

Yuuhi Amamiya é o protagonista do tipo anti-herói. Ao iniciar a história sua reação é de completa descrença e sua primeira reação quando se vê diante do desafio de ajudar Samidare à impedir que o Bircuit Hammer (a escolha da editora em deixar o nome em inglês me fez ficar em dúvidas sobre este termo) foi a de recusa. Não apenas sua atitude é defensiva e negativista como suas intenções também não são nada nobres. Logo de começo fica bem claro seu desprezo pelo bem estar da humanidade, tanto que ele só se convence a apoiar Samidare por causa da intenção posterior da "princesa" em destruir o mundo que primeiro irá salvar (apesar de acreditar, particularmente, que essa decisão foi já influenciada por uma queda amorosa).

Lorde Noi Crescent, ou "o tal lagarto falante" é o segundo personagem a aparecer e também o mais próximo do protagonista, sendo seu conselheiro e tendo a difícil missão de colocar algum senso na mente negativo e obscura de Yuuhi.

Samidare Asahina é a Lúcifer da trama. Uma jovem com poderes incríveis e que tem como missão destruir o Biscuit Hammer. Porém, diferente do que se esperaria dela, ao invés de ter este objetivo visando a salvação da Terra, na realidade sua meta final é a destruição causada por suas próprias mãos. Ela encontra em Yuuhi um servo fiel a quem protege durante o dia e, no mundo dos sonhos, instiga e até provoca. Neste início de trama fica claro que ainda há muito a se descobrir desta peculiar personagem.

Hisane Asahina, irmã mais velha de Samidare e também professora de Yuuhi na faculdade. É uma jovem mulher de temperamento forte e que não fica muito à vontade com a aproximação do seu aluno com sua irmã, mesmo sem entender os reais motivos por detrás desta nova amizade.

Hangetsu Shinonome é o último personagem apresentado neste primeiro volume do mangá. Trata-se de um segundo cavaleiro (representado pelo animal cachorro) que surge para auxiliar Samidare na busca para deter o Biscuit Hammer. Dono de habilidades de combate extraordinárias logo fica clara sua imensa vantagem em relação às habilidades ainda insipientes Yuuhi. Seu poder deixa inclusive a própria Samidare, até então o único referencial de poder da trama,

A mistura de elementos

Eis aqui o ponto culminante dessa obra, pelo menos no meu ver pessoal. Apesar de um arranjo básico de fatos que poderia muito bem ser encarnado em uma trama típica dos mangás voltados ao público mais jovem, Lúcifer e o Martelo tende a ser um tanto mais denso do que este tipo de obra tem por costume.

Ainda que de forma menos desenvolvida, a ação parece dá toda a dica de que irá crescer em importância no decorrer desta trama.

O sobrenatural é retratado de modo abrangente nesse primeiro volume de Lúcifer e o Martelo. Apesar de não ser de todo original, este aspecto da obra é retratado com bastante personalidade.

A comédia é também uma constante na trama. As caricaturas formadas pelas personalidades tão distintas de cada personagem geram conflitos

Devo aqui confessar que o fator romance (fortemente associado ao item da comédia) foi uma surpresa e alegria enormes ao ler as páginas deste mangá. O protagonista anti-heróico e sua "dona", a quem ele chama de "sua Lúcifer" conseguem despertar a atenção em poucas interações. Terminei minha leitura desse primeiro volume pensando, mais do que qualquer outra coisa, em como esse dois precisam se tornar um par, o quanto antes.

E o mais aflitivo, levando esse ponto em consideração é que, depois de tantas surpresas de construção inusitadas deste primeiro volume, acabei também chegando à conclusão de que esta obra pode vir a surpreender e muito.




Concluindo

Lúcifer e o Martelo foi um achado surpreendente. Por diversos motivos o mangá conseguiu chamar a atenção e capturar com seu enrendo divertido e ao mesmo tempo instigante.

Para mim, em particular, foi provavelmente o melhor achado de mangás em muito tempo. Ainda que tenha retomado meu hábito de compra e leitura dos mesmos com maior intensidade no último ano, ainda não havia encontrado obra a mim inédita que me prendesse com tanta força.

Atualmente com dois volumes em mãos não vejo o momento de aumentar a coleção. Destaco aqui o bom trabalho da Editora JBC com seus volumes que, de uns tempos para cá, mesmo os mais modestos receberam um tratamento gráfico bem agradável sem distanciar-se do seu padrão de produtos acessíveis ao seu público. É notável a mim, que compro mangás de quase todas as editoras a diferença de padrão entre lançamentos de outras e os desta, além de uma diferença brutal entre volumes de alguns anos atrás e os mais recentes.

Enfim, Lúcifer e o Martelo tem sido surpreendente e com certeza está firmado na lista de prioridades de aquisição. Tanto que pretendo trazer comentários a cada dois volumes da obra aqui para o Mundo.

Como sempre, sintam-se à vontade para comentar, opinar e criticar. O espaço dos comentários está aí para isso, e também existe a página de Contato, onde é possível enviar-me mensagens diretamente.

Até breve!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Comentários sobre Assassination Classroom #01

Olá a todos! Depois de mais um período de hiato neste blog ressurjo aqui para fazer tecer alguns comentários sobre um dos mangás que comecei a colecionar recentemente. Trata-se de Assassination Classroom, lançado pelo selo Planet Mangá, da editora Panini.

Vale ressaltar, antes de começar este breve comentário que meu intuito não o de reunir dados ou esboçar opiniões técnicas sobre este mangá (ou sobre qualquer outro que futuramente possa trazer ao blog), mas sim fazer uma análise bastante pessoal e de experiência de leitura. Aqueles que já acompanham meu trabalho aqui no Mundo já estão acostumados a isso, mas sempre é bom ressaltar para possíveis viajantes de primeira escalada.

Enfim, vamos ao tema: Assassination Classroom.



Para começar preciso deixar bem claro que eu não conhecia NADA sobre o plot da história até pouco antes de começar minha leitura. Acabei pegando vagas informações quando comprei o mangá, graças a um comentário de outra pessoa que também nada havia lido do mesmo. Informações básicas que qualquer plot de páginas de referência possui, mas que ainda não havia observado. Para falar de modo resumido seria o seguinte:

Um monstro com aparência bizarra, meio gelatina, meio polvo, destruiu 70% da lua e pretende destruir o planeta Terra inteiro dentro de um ano. Por sua própria vontade ele decide também tornar-se professor da turma E da escola Kunugigaoka. Os alunos dessa turma são os únicos com alguma possibilidade de assassinar essa criatura antes do derradeiro fim do mundo, porém as habilidades espantosas de "Kono-sensei" parecem muito além do que as capacidades de qualquer humano, tornando o desafio muito maior.

Ok, uma idéia estranha, pensei de imediato. Ao começar a leitura, porém, a cada página fui tomando consciência do tamanho da estranheza daquele enredo. Um professor-polvo que vai destruir o mundo? Quais são seus motivos? Por que ele escolheu ser professor de uma turma de "perdidos" antes de destruir a Terra? Por que ele parece se esforçar para ser um bom educador, apesar de todas as circunstâncias que envolvem seu trabalho como docente? Mil e uma questões que este primeiro volume fez questão de NÃO responder.

A certa altura até temos um breve vislumbre do que pode ser a pista para entender a motivação de Koro-sensei (apelido dado pela turma ao estranho monstro que nem nome próprio possuía) para ser professor: uma promessa à alguém na beira da morte(que clichê, né). Ainda que seja algum fragmento de informação é absolutamente pouco próximo de toda a gama de mistérios que se formam no decorrer das páginas dessa introdução.

Agora vamos a parte analítica, começando pelos personagens.

Dentre professor e alunos destacaram-se três figuras neste primeiro volume: o próprio Koro-sensei, o jovem e observador Nagisa e o delinquente com estratégias ousadas chamado Karma Akabane. Em particular dou meus votos preliminares de personagens valoroso para Karma, por ser o mais inteligente e com potencial para cumprir a difícil tarefa de matar Koro-sensei.




Quanto ao próprio alvo de toda essa história, o monstro Koro-sensei, o que posso dizer é que o considerei cômico e odioso ao mesmo tempo, ao ler este primeiro volume de Assassination. É provável que seja exatamente essa a intenção do personagem, divertir com sua estranheza e ao mesmo tempo dar toques de irritação ao leitor por mostrar-se um desafio grandioso (e petulante) demais para os personagens. 

A gama enorme de mistérios envolvendo-o acabaram por me frustrar em alguns momentos. Ainda que seja divertida toda a idéia bizarra de ter que matar um professor-polvo antes que o mesmo destrua a Terra, essa falta de explicações preliminares pode ser irritante para os mais críticos. Acredito que leitores jovens não terão problemas com isto, pois este enredo parece ter sido moldado de maneira precisa para capitar a atenção dessa faixa nos planos frustrados dos estudantes, ao invés de deixá-los divagar demais sobre quais as explicações dessa trama esquisitona.

"Bizarro" e "hilário" são os adjetivos que utilizo, no meu ponto de vista pessoal, para falar deste primeiro volume de Assassination Classroom. Confesso que meu desejo de conhecer mais o enredo não foi tão impulsionado quanto poderia após um volume introdutório. O motivo, como dito antes, são os mistérios em demasia que terminam por me distrair do foco da história.

É muito provável que eu adquira mais um ou dois volumes dessa obra para dar-lhe a chance de me entreter o suficiente para colecionar inteira. O que mais me motiva, neste momento, é a curiosidade de saber se Karma-kun terá melhor sorte em suas próximas tentativas de assassinato.



E é isso. Caso queiram fazer comentários a respeito de suas impressões do mangá, sintam-se à vontade nos comentários. Não me importo com spoilers, mas peço que não estraguem o mistério para outros possíveis leitores do post.

Se for o caso, além de trazer outras análises de primeiros volumes que adquiri recentemente, posso voltar aqui para fazer comentários periódicos, a cada volume das obras. Fica a critério do feedback que estes primeiros textos trarão.

Até breve!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Áudio-post: E eu conheci Sailor Moon

Olá a todos! Chegando o primeiro áudio-post (para não chamar de podcast, por ser curtinho) do Mundo Mazaki! O tema, como explicitado no título, é Sailor Moon. Talvez eu tenha estado muito travada na gravação, mas deem um desconto, era minha primeira vez! (uh-oh!)

Então, apreciem e opinem. Será que devo investir um pouco mais nesse novo formato?


Até breve!

sábado, 5 de abril de 2014

Uma reflexão pessoal sobre os quadrinhos brasileiros

Há uns bons anos atrás, no início dos anos 2000, os mangás começavam a chegar nas bancas. Era o começo de um mercado que só cresceria a partir dali.

Naqueles tempos minha mãe me comprava não apenas os volumes de Love Hina, ou Gundam Wing, mas também outros gibis que acabavam me chamando muito atenção por serem feitos por brasileiros.

Combo Rangers, as coletâneas como a Desenhe e Publique Mangá, além de outros que não entravam tanto no meu gosto pessoal (como o Pequeno Ninja Mangá ou o Psi-Force). Eu acabava comprando todos que pudesse, seja para conhecer, porque tinham preços acessíveis, ou porque realmente gostava. Eu mesma desenhava minhas histórias, ou gravava “cds drama” pra lá de improvisados, colocando em áudio as histórias dos CR. Era uma época bacana, esperar por uma nova edição, mesmo quando a distribuição não ajudava por eu morar bem longe dos grandes centros do país.

Só que, um dia, acabei percebendo que nenhuma dessas edições chegou mais.

Talvez por ser muito nova na época, mas fato é que eu poderia ter entendido desde aqueles tempos o que havia acontecido, graças a um artigo presente no final de uma revista de animes da época (agora já nem me lembro qual era a publicação) onde falava da provável inflação do mercado de mangás que iria ocorrer graças a crescente avalanche de novos títulos.

Se os mangás iriam sofrer com a tal fragmentação do seu público ainda crescente, o que seria então dos gibis brasileiros? Bom, o tempo mostrou bem o que aconteceu: eles desapareceram das vistas dos compradores de banca.

Depois disso se passam alguns anos para que essa história recomece. A popularização da internet, lenta e cara, começou a dar  novas possibilidades para que as publicações de autores brasileiros começassem novamente a poder se espalhar por este país de extensões enormes.

Quanto a mim, por ter um pensamento classicista demais quanto aos meus desenhos, acabei deixando de produzir minhas histórias quando terminei a escola. Foi por um curto período, pouco mais de três anos, mas ainda é um tempo que me arrependo de ter fechado os olhos e ouvidos para a coisa.

Foi aí que surgiu a revista que, na minha vida, só trouxe de bom o fato de me estimular a entrar em contato de novo com quadrinhos brasileiros: A Ação Magazine.

Eu poderia gastar uma milhagem inteira de frases para falar de todos os fatores que eu enxergo na falha empresarial do projeto da Ação, mas não é para isso que estou escrevendo este texto. Eles podem ter falhado como empreendedores, como marqueteiros, empresários, enfim, mas tiveram pelo menos um trunfo: reaquecer os ânimos a muito apagados dos artistas.

Atualmente temos vários projetos (virtuais ou físicos) de quadrinhos de todos os lados. Até mesmo a JBC deu um pequeno espaço para essas produções com o Brazil Manga Awards. E cá estou fazendo “a minha parte”, apoiando projetos que acredito que ainda podem render algo bom, como a Conexão Nanquim. Apoiando veementemente bons trabalhos (como Ledd, Sigma Pi ou o trabalho da Editora Crás) e observando outros projetos que não me agradam tanto como leitora, mas que fazem bem em continuar batalhando (esse é melhor não dar exemplos).
Meus olhos agora são mais maduros, mais críticos e capazes de refletir sobre os diferentes fatores que entram nessa equação. Muita coisa ainda precisa melhorar e nada está seguro para os gibis brasileiros. Ainda existem muitos autores promissores que param de produzir, seja por fatores econômicos, pessoais, ou por simplesmente não saber dirigir bem a própria carreira.

Dando meu palpite de consumidora e pensadora sobre esse tema, eu diria que talvez os jovens quadrinistas brasileiros estão se espelhando no mercado errado para produzir. Grande parte desses artistas que produzir pensando em transformar o Brasil num grande mercado consumidor mainstream, aos moldes do mercado japonês. Com antologias, ou volumes compilados vendendo em bancas e livrarias.

Junto a minha voz a todos os que já dizem isso por aí: o mercado brasileiro nunca vai ser um Japão, ou França, ou Estados Unidos.

Talvez seja meio difícil de entender meu ponto, mas acredito que deveriam se espelhar mais no mercado nipônico sim, mas no mercado indie, dos doujinshis. Não querendo com isso me referir a toda sorte de apelação que os autores de doujinshi usam para vender, mas sim no formato que utilizam. Publicações de até 50 páginas, publicações constantes, organização em feiras de venda desse tipo de quadrinho, tiragens bem modestas que são tiradas dos bolsos dos próprios autores. Um pequeno mercado, auto-sustentável, que pode produzir tantos autores que as editoras poderão selecionar entre um vasto leque de opções, quem irá dar uma chance.

E não ter que escolher os mais passáveis.

Os jovens quadrinistas tem muito à aprender observando o mercado literário brasileiro. Não que este já esteja em um patamar tão elevado, mas com certeza está muitos degraus acima do que galga a passos sofridos os quadrinhos. Mais maturidade, mais seriedade, profissionalismo (que não necessariamente se refere à qualidade de arte) e persistência são necessários nessa jornada.

E, claro, tirar da cabeça a fantasia de que dá pra viver só de arte autoral no Brasil. Mesmo na literatura só uma pequena percentagem dos autores vive apenas desse labor. Fazer arte pelo dinheiro, neste país, é a maior besteira que se pode querer.

Quanto a mim, bom, meu perfil do Blogger é bastante preciso quanto a isso. Sou uma escritora e pseudo-quadrinista. A primeira forma de contar histórias que utilizei foram os desenhos sequenciados e isso ainda é algo que me diverte muito em fazer. Não tenho ambição alguma de fazer girar essa roda a não ser consumindo e espalhando esse pensamento para o máximo de pessoas que puder. Vou estar sempre produzindo minhas histórias e desenhos, mas só pelo fato de ser impossível para mim não o fazê-lo.

Enfim, esse é um texto opinativo, reflexivo, que contém apenas os fatos e entendimentos que tenho, levando em consideração meu conhecimento empírico do assunto. Já faz algum tempo que venho dando mais espaço a este assunto no blog e talvez essa tendência só venha a se prolongar agora que vou colocar as mãos em alguns trabalhos novos. Vamos torcer para que essa “ondinha” não acabe passando e sumindo, como foi a anterior.


domingo, 5 de janeiro de 2014

Jazz Magica - Madoka Magica Doujin CD

Olá a todos! Depois dessa pausa que a correria do final de ano me forçou a fazer em todos os meus projetos online, cá estou de volta ao Mundo para falar de. . .  Madoka Magica! Infelizmente essa pausa me fez perder a oportunidade de comentar sobre o terceiro filme, Rebellion Story, o qual assisti ainda em raw e tive o privilégio de acompanhar o processo de tradução quase em tempo real, aqui no blog. Quem sabe tenha sido apenas uma artimanha do destino para que eu possa trazer conteúdo mais digerido dessa expansão do universo de Madoka para este espaço. Quem sabe.

Mas, falando do tema presente, venho trazer a vocês o mais recente doujinshi CD de Madoka Magica que chegou ao meu poder (agradeço novamente por lembrar de mim nessa, Mei Linwau): Jazz Magica, de Tomato Gummy, uma mistura exata de estilo música e trilha sonora original que resultou em composições de alto nível.



Assim como o "Agedum! Puella Magica!", já apresentado aqui no blog, Jazz Magica é uma composição de fã, inspirada no trabalho de Yuki Kajiura, com um olhar próprio das trilhas mais clássicas da série. A playlist é a seguinte:

1 - Connect
2 - Credems Justitian
3 - Sis Puella Magica!
4 - Decretum
5 - Symposium Magarum
6 - Salve, terrae magicae
7 - Magia
8 - Connect - Saxofone ver.
9 - Magia - Saxofone ver.

Vocês podem escutar o cd completo no Youtube. Recomendo esta playlist onde as faixas estão em ordem reversa, mas. . . estão todas aí.


Para finalizar gostaria de destacar as três faixas que mais me agradaram do albúm. Vamos ao "pódium" de Jazz Magica!

#1 - Symposium Magarum

A música-tema de Oktavia, a bruxa de Sayaka, ficou incrível em sua versão Jazz. Talvez por já ser uma música com o tema mais voltado para instrumentos clássicos, devido a toda a temática presente na história de Sayaka, mas a música ficou muito bem adaptada, sem perder a sua característica sonora.


#2 - Connect

O tema de abertura da série de TV de Madoka Magica ficou muito graciosa neste albúm. A vocal que acompanha o jazz é de alto nível, adoçando a melodia de maneira perfeita.


#3 - Decretum

Originalmente esta trilha é uma das versões do tema da personagem Sayaka, uma trilha excelente. E sua versão em jazz não deixou por menos. Maravilha.


Concluindo

Jazz Magica é mais um dos albuns fanmade de Madoka Magica que traz um alto nível musical. Recomendo sem medo aos apreciadores da trilha original que escutem essas pérolas. 

O bônus fica por conta da ilustração de capa: conseguiram um motivo plausível para colocar elas de ternos! Dentro do fandom mais ativo da Madoka, isso com certeza parece uma boa lembrança da Mafia-Magica!

Como são caprichados esse CDs. No dia que tiver oportunidade, compro todos :)


É isso, 2014 começou no Mundo com clima de PMMM. Tô suspeitando que ainda vou falar muito dessa franquia que tanto gosto por aqui. Até breve!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Sobre o que fala Suzumiya Haruhi, afinal?



Suzumiya Haruhi é uma série de light novels que já conta com 10 volumes e o suspense se irão haver novas publicações ou não. A história ficou mais famosa quando se transformou em anime e então a franquia caiu no gosto do público otaku pelos seus clichês cômicos, personagens carismáticos e uma dancinha viciante para viralizar. Porém muitos acabam julgando que a obra não passa de um entretenimento barato para otakus e que não possui nenhuma mensagem intrínseca. O que é um erro e eu vou dizer o motivo:

Qualquer obra, por mais comercial e batida que seja, pode conter em si uma mensagem, talvez supérflua, talvez profunda, mas não é por causa de questões visuais ou estilísticas que deve ser ignorada essa possibilidade.

Vou citar um exemplo de conhecimento mais comum no mundo do entretenimento para deixar mais simples o entendimento.

Matrix, o filme de 1999, é uma história louca sobre pancadaria alucinada entre realidade e mundo digital? Bom, essa pode ser a cara do filme, com seus efeitos e etc, mas existe uma mensagem na obra que é sobre esse modo de ver a realidade, de revelar as verdades que existem por debaixo dos panos da vida comum. Algo que pode ser transportado para o nosso dia-a-dia, quando nos questionamos se nossa vida é só viver de um trabalho ordinário que não gostamos ou é possível ir além, "sair da Matrix".

Partindo para algo mais "familiar" mas que também seja mais simples de explicar essa questão de significado. Nausicaa, o filme consagrado de Hayao Miyazaki que mostra uma guerra de interesses e sobrevivência em um mundo completamente catastrófico. A mensagem aqui é de reflexão, sobre o nosso modo de tratar com o mundo e também o modo de tratar uns com os outros. Uma mensagem profunda sobre respeitar a vida.

Agora, uma questão que me vem ao trazer estes exemplos é: Porque então a série Suzumiya Haruhi, que é uma obra literária, é mais difícil do público admitir, ou mesmo perceber que existe um significado intrínseco? E a resposta não é tão misteriosa assim: público alvo e linguagem.

"Haruhi" é uma comédia juvenil dotada de toques de ficção-científica, com seus teoremas sobre a estrutura do universo que beira a metafísica mais séria. Porém a obra ainda é uma light novel, uma literatura feita para jovens, e por isso é recheada de humor e exageros nos acontecimentos. É essa linguagem que faz a obra dar tão certo para seu público e mesmo para pessoas fora da faixa de critérios visada pelo autor/editora.

Acontece que o público mais crítico é muitas vezes mais velho do que o público alvo da série, o que faz Haruhi sofrer os mesmos tipos de preconceito que livros infanto-juvenis sofrem. É bem similiar, comparando alguns parâmetros, com o preconceito contra a série Harry Potter, onde os críticos (que muitas vezes nem se aprofundaram em conhecer o trabalho da autora) diz que aquilo é apenas diversão para crianças bobas, ignorando as mensagens contidas ali. Se a obra fala de amor incondicional, ou superação dos próprios limites, valor da amizade, isso não importa aos críticos. Para eles, o fato de ser "infantil", já tira qualquer valor moral que possa estar contido na história.

O exato caso de Suzumiya Haruhi.

Mas então, sobre o que fala Haruhi? Qual é o significado dessa história? Na verdade este texto é motivado pela minha surpresa ao perceber que mesmo as pessoas que gostam da série como um todo não se atenta para este sentido.

Suzumiya Haruhi fala sobre cada um de nós. Sobre a capacidade infinita que cada pessoa quando jovem tem de construir a própria vida. Através de uma caricatura cheia de nonsense e humor, o autor esta dizendo a cada página a seguinte mensagem:

"Você é o Deus do seu próprio Universo e pode criar qualquer coisa, mas tudo parece um tédio ao seu redor porque você não sabe desse seu poder."

Os mais pessimistas, aquelas pessoas que acumulam frustrações umas atrás das outras através dos anos, poderão ser bastante intransigentes com essa idéia, porém isso não tira a verdade da mensagem do autor. Todos nós podemos ser qualquer coisa quando nascemos, são as nossas escolhas e a nossa própria capacidade de limitar o mundo que pode nos levar a caminhos tedioso, sem graça, frustrantes...... melancólicos.

A história de Suzumiya Haruhi é uma verdadeira guerra entre aqueles três elementos da psiquê que nós, leigos, conhecemos: Id, Ego e Super-Ego. Um enredo que simboliza as nossas potencialidades como os grandes feitos de Haruhi, que é capaz de criar viajantes do tempo, alienígenas e espers, mas ao mesmo tempo é cética da sua própria capacidade, censurando-se ao ponto de ser completamente alheia a esses poderes infinitos. Esses somos nós, nos julgando incapazes e entrando na faculdade que nossos pais escolheram para nós, abraçando o emprego que eles desejaram para nós, por não termos coragem de acreditar que poderíamos ter feito tudo diferente e encontrado coisas maravilhosas escondidas embaixo da cama.

Você é tão egocêntrico quanto essa garota aí, admita!


Toda a história, por mais boba que pareça, contém uma mensagem. Quando não contém é que surgem aqueles enlatados onde realmente a única preocupação é estética e que não consegue passar desapercebida essa sua falta de valor. Se for parar para pensar sem preconceito, até coisas consideradas descartáveis em significado, como por exemplo as séries literárias de Crepúsculo e 50 tons de cinza tem alguma mensagem, ainda que seja tão repugnante ou babaca que seja melhor para muitos ficar distante, mas que para aquelas pessoas que se indentificam com esta mensagem trás entendimento e conforto.

Quem sabe se cada um olhar com um pouco mais de cuidado talvez possa apreciar bem mais coisas sem se deixar levar pelo seu monstro da crítica e frustração. Quem sabe.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

UQ Holder - o novo mangá de Ken Akamatsu começa com tudo!

A estréia de UQ Holder, nova obra de Ken Akamatsu se deu no mês de agosto deste ano de 2013 e foi cercada de grande expectativa: desta vez o mangaká tinha a intenção clara de fazer um mangá de ação desde o princípio.

Talvez no Brasil o trabalho de Ken Akamatsu não seja tão reconhecido quanto poderia. Sua imagem é muito marcada pelos fanservices de Love Hina. Muitos sequer chegaram a ler sua obra seguinte e de maior sucesso comercial: Mahou Sensei Negima. O plot de um menino cercado de 31 garotas também ajudou a aprofundar o preconceito de leitores que (no meu ver pessoal) parecem valorizar demais a sexualidade nos mangás, esquecendo de analisar outros aspectos como a comédia, e, principalmente, a qualidade dos personagens.


Ken Akamatsu é um mestre em criar personagens cativantes e Negima foi um grande sucesso quando conseguiu mesclar a comédia, esses personagens apaixonantes e uma dose de ação crescente. Lutas muito bem desenhadas estão nas páginas da obra de forma cada vez mais constante a partir do terceiro arco da história, chamado simplesmente de "Festival Escolar".

Para os que acompanharam Negima ficou claro que o autor acabou perdendo o fio de Negima quando enfatizou demais a parte de ação em uma história que começou com o espírito de comédia pastelão aos limites. O final da série, um improviso que decepcionou muito, esteve cercado de perguntas. Fato é que Akamatsu criou um cenário interessante, mas acabou transformando os personagens de Negima em figuras forçadas a empurrar um enredo que não tinha mais a cara deles.

E então, chegou a vez de UQ Holder.



O mangá é uma sequência do universo de Negima, um futuro não muito distante, onde o Japão construiu um elevador até o espaço (já ouvi falar que isso já foi cogitado a ser feito na vida real) e onde os humanos comuns enfim foram informados sobre a existência da magia e dos magos (o que era o objetivo de vida do protagonista Negi Springfield ao final da série anterior). E é nesse cenário cheio de possibilidades que vamos acompanhar a saga de Touta Konoe encarando um aspecto da magia que desde tempos antigos permeia a imaginação da humanidade:


A Imortalidade.

Touta é um orfão que vive em uma vila do interior do Japão, sob a custódia de Yukihime, a pessoa que sobrevivera junto com ele ao suposto acidente que tirou as vidas dos pais do rapaz. Como um sonhador Touta deseja ir para a grande capital de Amanomi Hashira (se Tóquio já era enorme, imagine essa...) e o caminho mais fácil parece ser derrotar em uma luta Yukihime. Tudo isso graças a uma promessa do líder da vila em dar passagens para a capital caso algum dos garotos do local conseguisse realizar tal feito.

Sem entrar em detalhes do enredo gostaria de dizer é que UQ Holder começou com a dose exata de pancadaria, ação dramática e adrenalina. Ken Akamatsu vem mostrando mais uma vez que sabe fazer lutas muito bem pensadas, desenhadas e coreografadas. 

Até o momento de publicação deste post já foram lançados 9 capítulos de UQ Holder, nos quais o desenvolvimento do cenário foi o maior foco. Os três personagens centrais: Touta, Yukihime e Kuroumaru já estão bem colocados e a dupla de amigos já está diante de um grande desafio que irá testar até os limites das suas habilidades.



Enfim, a nova obra de Ken Akamatsu começou com o pé direito, mostrando um potencial grande para uma obra de ação bem aos moldes dos grandes sucessos da indústria de quadrinhos japoneses. Os fãs anteriores do autor também tem o plus da curiosidade sobre o cenário de UQ Holder. Mistérios envolvendo os personagens marcantes de Negima estão ocultas nesta nova história, o que instiga muito os fãs.

E é nessa dose equilibrada de novidade e tradição do próprio trabalho, Ken Akamatsu apresenta esse que pode ser seu último mangá semanal. Fica a minha torcida, como fã do "Tio Ken" para que as vendas de UQ Holder sejam um sucesso. Confiram este mangá, está valendo a pena.


PS: Queria que o tempo passasse mais rápido só para ver o dia, num futuro talvez ainda distante, em que a JBC vai publicar mais esse mangá do Akamatsu no Brasil.

PS2: Já sou fã do Kuromaru!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

HyperComix(1996) e uma reflexão sobre a eterna luta do mangá brasileiro

Com essa onda de projetos online e pedidos de doação que movimentam o mercado indie de quadrinhos na estética do mangá feito no Brasil os desinformados (ou mesmo os mais novos) acabam por imaginar que é novidade que os artistas brasileiros estejam lutando por espaço no mercado editorial. Mas essa luta já é muito antiga e vem de épocas onde tudo era muito menos favorável.

Acabei descobrindo um pouco sobre essas histórias do passado por acaso, quando cruzei com alguns volumes da HyperComix em um sebo aqui de Porto Alegre.

Ei, mas eu conheço esses nomes!

Foi por acaso durante um passeio com o (sempre) nobre Carlírio que visitava a capital gaúcha que me deparei com alguns volumes dessa publicação que desconhecia. Não demorou para o que conhecido "Padrinho" me desse informações básicas da publicação, que me despertaram interesse em comprar aquelas "relíquias". Uma viagem no tempo e na história dos quadrinhos brasileiros.

A HyperComix foi publicada em 11 edições nos anos de 1996/1997 pela pequena editora Magnum. A mesma teve apenas mais uma publicação: o mangá brasileiro de Megaman. 



Foi um segundo choque quando descobri sobre essa segunda publicação, pois eu tive acesso a essas revistas lá naqueles distantes anos de 96/97, quando estava no início do Ensino Fundamental, em Manaus. Volta e meia me questionei qual teria sido o destino daquelas revistas do Megaman e, vejam só, descobri um elo quando nem esperava com aquele passado.

Mas voltando às HyperComix. Vários nomes que fazem parte dessa história muitas vezes ignorada ou desconhecida dos quadrinhos inspirados no mangá feito no Brasil. O que mais se destacou para mim foi o do Sérgio Peixoto Silva, antigo editor da revista Animax que agora tem um blog que segue a mesma vibe da publicação impressa daquela época. (visite a  Revista Animax - O máximo em animação japonesa AQUI).



As histórias das revistas HyperComix eram paródias de nonsense (e algumas vezes fanservice) extremo. Um espírito de ousadia e falta de qualquer limite no que tange tirar sarro das grandes obras da animação daquela época permeiam cada página dos volumes desse Fanzine.

Guardem este detalhe, o Fanzine com F maiúsculo. Depois vou voltar com ele para a reflexão deste texto.

Li nos poucos textos que fazem referência à HyperComix na internet que a série não teve sucesso principalmente por abordar obras que eram grandes no Japão, porém desconhecidas no Brasil na época, como Bastard e Rurouni Kenshin. Como não tinha conhecimento na época desses fatos, não tenho como confirmar, mas sou tendenciosa a acreditar neste argumento. Ainda assim, o fato de um fanzine ter perdurado por 11 edições e ser ainda hoje encontrado em sebos é prova suficiente de sucesso dentro da sua proposta ousada, porém consciente de suas limitações.

Agora vamos para a segunda parte deste texto, a reflexão.

No presente, no futuro, indo aonde for! (ou, perdoem a mania de citar trechos de música sempre que possível)

Conhecer as divertidas, porém singelas HyperComix me levou a pesquisar um pouco mais sobre a história dos autores brasileiros que publicaram, publicam o querem publicar quadrinhos ditos mangás no Brasil. Existe uma cronologia resumida com muita qualidade no site Kotatsu. 

Sei que tem muito veterano de guerra que sabe de cor o nome de todas as revistas de mangá que já saíram no Brasil por brasileiros e que não se surpreendem ao saber que a primeira tentativa ocorreu em 1964. Porém também existe muita gente de gerações mais recentes (eu nem sou dos novinhos e não sabia da maioria das informações!) que acha que a Ação Magazine foi o primeiro empreendimento que fracassou na publicação de mangás brazucas.

O link da cronologia é este que segue: http://www.kotatsu.com.br/wiki/doku.php?id=mangas_brasileiros

Eu lembro de vários desses da leva de 2002 em diante, mas confesso que nunca vi, nem li nada de Holy Avenger. Só sei que essa é a série que mais tem fãs de odiadores de todas. Consequências do sucesso. (Apesar de que a Ação já deve estar perto de alcançar o número de odiadores, mas isso é impressão pessoal)

Mas a reflexão que gostaria de trazer neste segundo momento do meu post é sobre a postura desse mercado emergente de publicações brasileiras de mangá.

Não há dúvidas de que hoje em dia o mercado está muito mais propício do que a anos para estas obras, mas ainda assim não é um paraíso. Incentivos e leis estão se consolidando para dar espaço aos artistas brasileiros, o público dentro do nicho de mangás está menos preconceituoso com obras nacionais (apesar de desgostos que é melhor nem comentar). As revistas digitais estão mostrando cada vez mais que talento não é o que falta para os nossos compatriotas dos quadrinhos.

Já falei aqui no Mundo Mazaki da Conexão Nanquim (quando ainda se chamava Nanquim Digital). Uma publicação online que traz em suas páginas obras incríveis como Nova Ventura, Egoman ou o (na minha opinião nada imparcial) genial </3 (lê-se "menor que um terço" apesar da figura evocada seja, obviamente, a de um coração partido). Talvez a revista tenha tomado algumas decisões que eu não concorde muito em algumas ocasiões, mas isso acontece e continuo achando o projeto e trabalho de toda a equipe Conequim ótimo.

Não se deixem abater por qualquer adversidade no caminho, equipe Conequim!

Só que em um contexto mais amplo, onde projetos parecem se multiplicar todos os dias pedindo doações para se lançar, onde posturas no mínimo arrogantes são tomadas como incentivo na participação de concursos de quadrinhos, quando peguei as HyperComix nas mãos fui levada a refletir sobre a postura do passado e presente.

Na capa das HC estava estanpado "o Fanzine chega às bancas". A obra não tinha nenhum medo em chamar-se de Fanzine, tanto por ter noção de suas limitações em qualidade, como pela própria liberdade temática. Nas páginas das revistas não havia sinais de vergonha por estar trabalhando em algo que se declarava amador.

Hoje em dia, porém, a atitude geral é bem outra. Claro que para tornar um mercado embrionário em algo real é preciso ter atitude profissional, mas as coisas ficam meio confusas quando você confunde profissionalismo com arrogância.

Infelizmente uma briga de egos inflados permeia projetos que poderiam (e poderão ainda) ser bem sucedidos. Falta humildades dos que estão começando e dos que estão aí nessa eterna luta já a um bom tempo.

Postura, é sobre isto que estou falando. Parece que nossos novos e "novos-novos" autores não querem iniciar suas escaladas no mundo profissional tendo noção de que são pequenos, porque tudo começa pequeno. Arrotando qualidade grandiosas aos quatro ventos, sem conseguir mostrar resultados do tamanho das suas palavras, porque é natural que todos os resultados começam pequenos.

Os próximos capítulos dessa eterna batalha do quadrinho nacional vai ser marcada por essa disputa onde a arrogância tem um predomínio aparente sobre a humildade. A minha torcida fica para que a arte vença no final e possa ser levada enfim ao patamar profissional que tanto anseia a décadas.



 
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