quinta-feira, 5 de março de 2015

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A megalomania literária

Originalmente publicado no blog Creative 1000% em 19/09/2014

É bem recorrente em fóruns e grupos de aspirantes a escritores espalhados pela internet encontrar jovens autores fazendo o seguinte tipo de comentário: "Tenho XX anos (menos de 25 ou 20) e nunca escrevi nada, mas tenho uma série de Z (acima de 5 ou mesmo 10) livros em mente. Como faço para escrevê-los?". Esse tipo de pensamento é comum em pessoas com pouca experiência prática no ofício literário (literalmente a labuta de escrever) que reflete uma enorme falta de preparo para tal empreendimento e, além disso, é uma janela imensa para fracassos e frustrações.

Mas, afinal, o que tem de errado em querer começar a carreira literária escrevendo uma longa série de ficção?


A "Megalomania Literária"




Primeiro ponto negativo é psicológico. Um potencial autor cria um universo de fantasia maravilhoso, deslumbrante e logo começa a enumerar a quantidade de livros que precisaria para apresentar esse universo de modo completo ao leitor. Imagina-se sendo ovacionado e adorado por seus fãs, participando de noite de autógrafos e, quiça, negociando os direitos para um filme em Hollywood! Porém, em meio a toda essa euforia o aspirante não se dá conta de algo simples, mas fundamental nesse processo: escrever é um trabalho demorado e penoso.

Não que todos os autores, publicados ou não, não possam se permitir esses momentos de devaneio, muito pelo contrário. Mas, encher-se de ansiedade a respeito de uma obra tão grandiosa sem sequer ter começam a tirá-la da mente para um rascunho que seja pode ser uma armadilha.

Uma vez que o autor desperte do seu sonho e se veja diante de um desafio tão gigantesco e urgente (afinal, se ele não começar a escrever AGORA não irá viver o bastante para ver toda a sua fama prosperar) ele provavelmente irá TRAVAR por completo antes de escrever a primeira frase do primeiro esboço de conto sobre seu maravilhoso universo.

O segundo ponto negativo é logístico. Escrever um livro é uma atividade que exige uma quantidade bastante volumosa de subsídios para se tornar realidade:  tempo e esforço podem ser conceitos abstratos, mas são a matéria-prima do trabalho literário e são um custo para o autor. Uma pessoa que diz que quer estrear escrevendo uma série de, por exemplo, 10 livros correlacionados provavelmente não faz ideia da quantidade de tempo e desgaste mental necessários para terminar uma única obra, quem dirá 10 obras com enredos interligados.

Um autor inexperiente, em praticamente todos os casos, não tem técnica o suficiente para lidar com um único enredo, muito menos com diversos enredos entrelaçados.

Um aspirante não tem, em sua maioria, conhecimento do próprio ritmo de trabalho, nem noções de organização pessoal para lidar com a produção de uma obra.

Boa parte dos escritores de primeira viagem não conhece técnicas para otimizar sua rotina de trabalho para uma obra ou, em casos ainda piores, rejeitam essas técnicas por acreditarem que "sistematizar meu trabalho é matar toda a alma da minha obra."

Ou seja: Escritor aspirante (e mesmo boa parte dos escritores já experientes), não se comprometam com uma série imensa como seu caminho principal na carreira literária.



"Mas eu sou uma pessoa criativa, não posso evitar criar universos maravilhosos e gigantescos."




Criar, a nível conceitual, universos de ficção complexos é um exercício apreciado por autores de fantasia e ficção-científica (o chamado Worldbuilding). É uma atividade, até certo ponto, muito prazerosa e proveitosa para a mentalidade do autor. Ter que repensar regras físicas, sociais ou espirituais de uma realidade imaginada pode ser um caminho para compreender como essas questões são construída na nossa própria realidade.

Porém uma coisa é criar conceitos e outra, muito diferente, é escrever uma série de livros. É preciso separar o senso de criação do senso prático como escritor. Os problemas de comprometer-se com uma série são muitos e podem levar a frustrações enormes.


Como lidar com a Megalomania Literária?




Não há como passar uma receita única de como resolver esta questão, mas irei deixar aqui meu toque opinativo, levando em conta as experiências que já tive na produção literária. Em suma:

- Crie um universo do tamanho que for, MAS, pense em um livro de cada vez;

Se seu primeiro livro, com enrendo redondo, fechado em si mesmo, dentro deste seu universo der certo, ou seja, for publicado (por editora, de maneira independente ou mesmo de graça na internet) e conquistar uma base de fãs, mesmo que pequena, AI SIM você começa a trabalhar no seu segundo livro, ou, num toque mais ousado, uma trilogia nova dentro desse seu universo ficcional.

Escrever é um ofício e o autor despende dos seus bens mais preciosos para isto: tempo e raciocínio, então é preciso inteligencia para não jogar estes preciosos recursos no vácuo da inutilidade.

Outro ponto interessante a destacar aqui: Não adianta de nada escrever 14 livros quem ninguém nunca leu. Para que serve você falar de números invejáveis se você tem menos leitores do que obras terminadas?

Mais uma vez é a questão de ser inteligente com sua carreira. O resumo deste artigo é: Seja realista e dê um passo de cada vez.


Lilian K. Mazaki

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

(Re)Começando com o MM

Olá a todos! Eu não disse que voltava logo? Vocês também devem ter percebido que as coisas mudaram só um pouco (totalmente) na aparência e organização do blog, não? Pois é, tudo isso tem um motivo:

Estou de volta, bitches! Simples assim.


E, além de estar de volta, estou adotando um novo pensamento e modo de levar o blog, totalmente inspirado no que tentei fazer logo no começo, mas acabei mudando na época.

De agora em diante o Mundo Mazaki não é apenas um "blog de anime/mangá". Aqui também terá espaço para Literatura, alguma coisa de outra formas de Cultura e Entretenimento. Além disso o meu outro blog, Creative 1000%, passa a ser uma outra parte deste espaço aqui. Isso significa que irei trazer Contos, Minisséries, Ilustrações, e Artigos mais aprofundados sobre Produção Literária e Escrita Criativa.

Só quem ainda não vai voltar é o Bouken-Ni, por enquanto. Eles estão lá no blog deles, em hiato, esperando eu me livrar de outras coisas para voltar a produzir. Mas, pra dar um gostinho, vou postar sempre que possível alguma imagem :3

Enfim, é ótimo para mim estar de volta a este espaço, oficialmente. Acho que uma mudança bem radical no visual e pensamento do blog era o que eu precisava para me sentir "em casa" neste espaço mais uma vez.

Continuem por aqui, pois esse ano as coisas vão ser ótimas!

Até logo!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Divulgando projetos: Amigo Otaku

Olá a todos!

Cá estamos, hoje para fazer uma rápida divulgação de um projeto que acabou chegando até mim através do twitter.

Trata-se do Amigo Otaku. Um site com diversas propostas, entre uma delas uma que me pareceu bastante interessante: a publicação gratuita de light novels originais. Vários trabalhos já estão sendo divulgados através deste site. Vale a pena a conferida por todos que apreciam as LNs.

http://www.amigootaku.com/
Home page do Amigo Otaku - clique para acessar o site

Apesar de tratar-se de uma iniciativa amadora, em termos editoriais, o projeto como um todo tem um lado muito benéfico. Afinal, para quem quer passar de apenas consumidor de conteúdo para criador, um empurrão camarada é sempre bem vindo. Os staffs do site também disponibilizam artigos com algumas dicas sobre criação e elaboração de roteiro que pode ser uma mão na roda para quem está conhecendo o assunto agora. O Amigo Otaku ainda conta com

Em alguns pontos o Amigo Otaku tem suas semelhanças com o projeto que participo, o Nupo. Em ambos os casos temos autores que desejam crescer e aprimorar seus trabalhos, unidos em torno de uma unidade, buscando força em meio a esse mundo tempestuoso que é a internet e o entretenimento. Provavelmente por isso acabei criando simpatia imediata pelo AO.

Fica aqui registrado meu apoio ao pessoal do Amigo Otaku. Como fã de literatura e também escritora, só posso desejar todo o sucesso para o projeto e seus autores. Confiram o site dos caras e confiram algumas das histórias ali publicadas.


Por hoje é só, mas logo estou de volta. Achavam que iam ficar livres da tia Mazaki é?
Matta ne!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Comentários sobre a Henshin Mangá #1

Olá a todos!

Começando o ano de 2015 com o retorno dos comentários de mangá aqui no Mundo Mazaki. Para começar temos a primeira edição da antologia Henshin Mangá, da editora JBC pelo novo selo Ink Comics. Essa edição trás a compilação dos vencedores do primeiro Brazil Mangá Awards, concurso nacional realizado entre 2013 e 2014. Autores novatos em one-shots autorais. Vamos dar uma passada em cada uma das obras, comentando seus principais acertos e erros. Será que os quadrinhos produzidos no Brasil estão evoluindo? Vamos tentar descobrir essa resposta nas páginas dessa publicação.




Quack - por Kaji Pato

Baltazar, o humano, e Colombo, o pato, (Adventure Time?) acabam se perdendo em meio a um local desconhecido para o restante do mundo. Um local onde as plantas e animais são diferentes do que conhecemos e onde os dois companheiros de aventura passarão por vários desafios.

Arte: No quesito visual "Quack!" tem um estilo de traço que chega a ser rústico, mas de muita qualidade. A qualidade oscila entre bom e regular em alguns quadros. Os cenários são muito bem trabalhados dentro do estilo proposto pelo autor e a arte-final também segue essa linha mais bruta de arte.

Pessoalmente me agradou bastante. A arte que o autor apresentou nessa obra tem personalidade e remeteu, a mim, a Dragon Ball em seu início e Dr. Slump. Uma pegada mais comédia, levemente poluída, mas condizente com o enredo que se tentou apresentar.

Roteiro: Infelizmente na parte de história o autor não teve o mesmo mérito da arte. A trama inicial é focada na busca de Baltazar e Colombo pelo combustível para seu avião, mas depois passa a ser apenas o recorte de parte de sua aventura interminável. 

Logo o objetivo inicial se perde em meio a repetição da mesma piada ao longo de todas as páginas do enredo: "Colombo tira sarro de Baltazar em cenário exótico". No começo é legal, afinal é assim que entendemos quem são os personagens, porém esse mesmo esquema é repetido a exaustão, sem nada acrescentar ao que deveria ser fundamental - o enredo. 

Cenário, apesar de bem desenhado, me causou confusão: Uma floresta, um deserto, uma pradaria, uma floresta. . . Em certo momento Baltazar fala em "ilha", mas em nenhum momento antes o local havia sido referido como uma ilha, no máximo como "Um local próximo ao velho continente". Talvez seja uma confusão minha, mas de fato achei estranho.

A intenção do autor pareceu a de construir um plot para uma série longa. Isso seria ótimo se não fosse o fato de que "Quack!" deveria ser uma one-shot fechada para o concurso. É possível sim criar algo fechado, mas que deixe brecha para continuações ou mesmo uma versão como série, porém este objetivo não foi alcançado nesse one-shot.


Avaliação Geral: "Quack!" é bom nas artes, mas bastante fraco no equilíbrio do roteiro. O autor mostrou bastante potencial na obra. Não sei se a intenção do autor, Kaji PATO, é a de seguir com essa história em formato de série e tenta emplacá-la futuramente. Eu, como leitora e pretensa escritora-roteirista, não recomendaria isto. Como leitora, fico curiosa para ver se as tramas de Baltazar e Colombo poderiam render algo interessante.

Pessoalmente tenho minhas ressalvas ao autor, em especial por motivos extra-quadrinhos que é melhor não citar aqui. Mas ficam meus votos e torcida para que, com mais experiência e maturidade pessoal e artística, Kaji Pato ainda venha a trazer ótimas histórias para os leitores brasileiros.


Crishno: O Escolhido - por Francis Ortolan e Lielson Zeni

Crishno é o Escolhido. Ele irá salvar a humanidade da ameaça dos terríveis monstros-árvore que estão devastando tudo. Será que ele terá sucesso nessa sua batalha?

Arte: Confesso que a arte de Crishno não me agradou em gosto, porém é uma arte bastante equilibrada em sua proposta. Durante a leitura acaba-se percebendo que o estilo visual empregado foi pensado para ser dessa maneira. A narrativa visual é mediana, mas consegue passar bem os acontecimentos.

Há quem torça o nariz para o visual desta e de outras histórias da coletânea por "não serem mangá". Penso diferente. Nossa cultura foi formada e influenciada por muitas outras. Creio que seja natural que em termos de desenho e quadrinhos esse mesmo fenômeno aconteça. Pessoalmente prefiro estilos mistos como de Crishno a traço perfeitamente nipônicos que fiquem se personalidade própria. Arte é isso, é desconstrução e reconstrução de conceitos e valores por cada um. Evidenciar as múltiplas influências nos traços dos quadrinhos é um reflexo super positivo dessas fusões de culturas.

Roteiro: Aqui, mais uma vez, é onde as coisas não ficam tão boas. Apesar de ter uma estrutura fechada, Crishno acaba parecendo muito vazio em sentido durante todas as páginas. Quem é esse Crishno? O que são aquelas criaturas que o perseguem? São monstros? Alienígenas? Por que eles estão atacando o protagonista e depois a vila onde ele se encontra? Pelo visto as pessoas já sabiam bem da existência daquelas criaturas. Porém, se essa fosse uma ameaça real a Humanidade, as coisas não estariam numa escala bem maior? Autoridades estariam caçando essas criaturas. . . Ou não? Ou será que já foram todos destruídos e aqueles são os últimos sobreviventes?

Enfim. . . 

Uma sacada inteligente no final não salvou o enredo, na minha visão. Se tem uma coisa que aprendi estudante roteiro é que uma boa ideia não faz um bom enredo, mas sim uma série de boas ideias bem encadeadas.

Avaliação Geral: "Crishno: O Escolhido" (eu erro todas as vezes que tento escrever esse nome) é bastante regular e pouco interessante. Isso se deve principalmente pelo roteiro, apesar da arte compartilhar desse resultado. O mérito é conseguir fazer algo que seja conclusivo, mesmo que deixando inúmeras dúvidas no ar. Aos autores desejo melhor sorte em desenvolver os argumentos de futuros projetos. Vocês foram bem, mas podem, e precisam, crescer bastante artisticamente para conseguir emplacar algo que seja marcante para o leitor.


[Re]Fábula - por Nameru Hitsuji

[Re]Fábula brinca com o mito da criação dos horóscopo chinês, criando uma sequência para esta história milenar. Em uma segunda corrida dos bichos, Deus e o Imperador querem unificar os horóscopos do mundo inteiro. Rato e Gato, que se tornaram inimigos mortais após o desfecho da primeira corrida, agora tem a chance de acertar as contas.

Arte: o traço de [Re]Fábula é ótimo. Bruto e um tanto poluído, mas que tem consistência e cria uma atmosfera até agressiva para um enredo que a princípio se imaginaria sendo bem mais fantasioso e leve. As cenas de luta acabam sendo um tanto confusas, mas não ruins. As caracterizações como humanos dos animais estão boas, destacando o Rato como a antropomorfização mais bem feita da obra. A distribuição dos quadros às vezes se atrapalha, mas ousa bastante, tendo seu mérito com isto.

O que mais posso dizer? Eu, como leitora, gostei bastante do visual e estilo do autor. É consistente, sem fraquejar. Infelizmente a página dupla não é boa. As artes super-poluídas passam um pouco do ponto e o título acabou engolido pela cola da revista, por ficar exatamente no meio das páginas.

Roteiro: Uma trama com início, meio e fim bem estruturados. Uma introdução um pouco cansativa, mas que consegue explicar o cenário no qual vamos nos deparar no restante do enredo. A ideia é simples e se desenvolve sem rodeios, chegando à conclusão com um mínimo de precipitação. Ou seja, o autor demonstrou um grande controle sobre a história que queria contar e isso é elogiável.

Apesar de tantos pontos positivos, [Re]Fábula também cometeu alguns erros em termos de roteiro. Golpes estranhos e dinâmicas que poderiam ser melhor trabalhadas no embate entre Gato e Rato. Algumas colocações desnecessárias que só geraram pontos sem explicação. A página final, com o novo horóscopo não foi a melhor escolha do autor. Ele poderia ter colocado os signos sem os textos que teria sido bem mais limpo e interessante. Falhas menores que não chegam a comprometer o trabalho como um todo.


Avaliação Geral: "[Re]Fábula" tem uma arte muito boa e uma história que soube se contar, apesar de alguns detalhes. Dou meus parabéns ao autor, Nameru Hitsuji, e desejo-lhe muita força e sucesso no seguimento da sua carreira que só está no comecinho. Com determinação tenho certeza de que ainda irá impressionar com seus trabalhos.


Entre monstros e deuses - por Pedro Leonelli e Dharilya

Louvre é um pintor e restaurador que vai a um templo semi-destruído para trabalhar no seu reparo, porém as coisas saem da normalidade quando ele encontra a entrada para um porão que não deveria existir naquele lugar. . .

Arte: os traços de "Entre monstros e deuses" é muito peculiar e rebuscada. Com muita consistência e personalidade, a obra é muito boa de apreciar visualmente, devido à riqueza de elementos presentes nos quadros compostos de molduras que se surgem em várias páginas. Também existe no enredo a brincadeira da mudança de estilo no mundo real e sobrenatural que pode confundir um leitor desatento, mas que é bastante enriquecedora para quem aprecia com detalhe. Creio que esta seja o maior problema do lado visual da obra. Algumas passagens são quadrinizadas de modo confuso, especialmente no começo. Creio que grande parte do público vá, infelizmente, não ter a paciência de ler a obra graças ao tom carregado da sua arte.

Roteiro: a história é bem mais séria do que todas as outras apresentadas na coletânea, falando de guerra e da mudança dos cultos aos deuses através da imposição. Em meio a este cenário temos o protagonista, um artista, que se vê emboscado pelo desafio de uma deusa agora transformada em demônio pela nova religião, e precisa fazer uma pintura que agrade a antiga divindade para não ser amaldiçoado. Porém as coisas não saem como esperado e o desfecho é poético e trágico ao mesmo tempo.

Nos comentários dos jurados é possível perceber que a versão da obra que foi publicada não foi a mesma submetida na seleção inicial do Brazil Mangá Awards. Pelos comentários do jurado que mais pode demonstrar suas críticas nesse volume, Arnaldo Oka, imagina-se que o roteiro era muito mais falho, sendo bastante aprimorado nesta versão que chegou ao público.

Avaliação Geral: Confesso que não tinha conseguido voltar minha atenção para "Entre monstros e deuses" até ter que lê-lo para fazer estes comentários e penso que isso foi graças à arte muito escura e pouco icônica dessa obra. Porém, ao ler essa obra tive a feliz surpresa da qualidade apresentada. O enredo se fecha em si de maneira perfeita e a história trabalha com elementos pesados como guerras, assassinatos e religiões sem medo. Creio que a arte deveria ser mais clara e limpa nos tons da "colorização em cinza" da obra, mas fora isso, foi uma execução muito bem feita (mesmo na segunda tentativa). Meus parabéns aos autores!


Starmind - por Toppera - TRP e Ryot

Artie era incapaz de tirar boas notas na escola (também pudera, que matéria é aquela que ele está estudando?!) e isso o deixa muito frustrado. Seu sonho é ser super-inteligente. Esse desejo se torna realidade quando uma estrela cadente vem o seu encontro, tornando-o Starmind. . .


Arte: o estilo básico da história é muito bem construído. O problema são as mudanças intencionais de traço que, na minha opinião, são exageradas e mal colocadas. A função delas é ser


Roteiro: A história é meio sem pé nem cabeça. Começa muito interessante, com a dificuldade de Artie com as matérias absurdas que tentam ensinar na escola (será uma escola de super-gênios e o garoto é o único ser normal no meio da genialidade? Não é o que parece, mas seria a única explicação. . .), mas depois extrapola para o nonsense quando Starmind começa a bater em todos para torná-los inteligentes. É engraçado e rápido, mas bastante bobo também. O vilão é aparentemente um morador de rua imundo que não quer aprender qualquer coisa na vida. Ele é um porcalhão que tem uma camada protetora construída com a sujeira que se acumula no seu corpo. A conclusão é simplória, mas pelo menos tenta fechar a trama.

Avaliação Geral: Creio que "Starmind" ficou com o primeiro lugar do BMA por ser simples, engraçado e rápido. É esse o tipo de leitura que os editores acreditam ser mais fácil de vender e por isso é o melhor. Uma trama episódica que poderia ser só um capítulo de uma série sem qualquer ordem cronológica dali em diante que não faria diferença alguma. Simples e o que mais agradou os jurados. Fico curiosa em saber o que os autores ainda podem produzir no futuro.


Sobre a Henshin Mangá #1 e o BMA 2013/2014





Creio que foi bastante difícil para a equipe por detrás do Brazil Mangá Awards fazer a seleção e trabalhar as obras para a publicação definitiva. Creio também que os jurados tiveram que omitir muita coisa do que realmente poderiam dizer a respeito das obras, por se tratar de um concurso para amadores. Depois de todos os percalços dessa primeira edição do concurso, é possível que seja muito mais fácil coordenas novas edições do mesmo.

O projeto do Brazil Mangá Awards e da Henshin Mangá são excelentes. Estamos vivendo um momento propício para o desenvolvimento firme dos quadrinhos brasileiros e projetos como este são fundamentais para incentivas os novos autores a colocar a mão na massa e produzir seus primeiros trabalhos.

Infelizmente ainda estejamos tropeçando no mesmo ponto que tropeçávamos a mais de dez anos. Lembro da revista "Desenhe e publique mangá" número dois (creio que a última, ou penúltima) que por algum milagre chegou as bancas em Manaus. No editorial daquela publicação a então roteirista de boa parte das histórias, Eddie Van Feu, comentou exatamente aquilo que hoje, tantos anos depois, ainda vemos na edição número um da Henshin Mangá: temos muitos desenhistas de qualidade, porém roteristas. . .

Tenho a convicção de que um bom quadrinho depende muito mais do roteiro do que da arte. Claro, é ótimo poder pegar um título com um traço belíssimo, que nos faz passar horas admirando cada quadro, personagem e cenário. Porém os autores precisam dar mais atenção ao que realmente preenche as páginas de um quadrinho: a história. Todos estão ainda muito focados nos estágios mais externos da arte sequencial (fazendo aqui uma alusão ao esquema proposto por Scott McCloud em seu "Desenvendo os Quadrinhos"). 

É preciso ir mais à fundo. Contar histórias melhores. Não necessariamente histórias mais complexas e rebuscadas, isso é ladainha pra crítico ver. Falo aqui de histórias que podem ser simples, mas ao mesmo tempo cativantes, divertidas (Não é à toa o dito "vencedor" do concurso ser Starmind). Seja uma comédia, um drama ou uma história de pancadaria. Não importa se for ambientado no Brasil, ou Japão, ou na Lua, Marte, Netuno. . . (Make Up!). O importante é ser bem feito.

Queria concluir desejando mais uma vez sorte e força aos autores premiados, aos menção honrosa e também aos não selecionados. Todos são vencedores por produzirem conteúdo cultural e todos podem conseguir muito mais com esforço, estudo e perseverança. Que o BMA e a Henshin Mangá continuem e incentivem cada vez mais pessoas a colocar seus sonhos nas páginas de seus quadrinhos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Comentários sobre Lúcifer e o Martelo #01

Olá a todos!

Hoje trago ao Mundo mais um comentário a respeito de um mangá lançado a poucos meses no Brasil sobre o qual eu não tinha O MENOR CONHECIMENTO do enredo até começar a leitura. Foi a curiosidade, as indicações de conhecidos e o instinto que me levaram a descobrir Hoshii no Samidare, ou, Lúcifer e o Martelo, como ficou na tradução da editora JBC.

Lembrete de sempre: este post é uma análise pessoal, parcial e baseada na experiência empírica da leitura do primeiro volume de Lúcifer e o Martelo. Caso você não aprecie textos opinativos parciais desaconselho que prossiga com a leitura. Talvez bulas de remédio sejam mais indicadas para quem busca informações imparciais.

Agora, vamos ao mangá!



Capa da edição brasileira (divulgação)



O Plot

Yuuhi Amamiya é um jovem comum, de 20 anos, que vive sua vida evitando criar laços com outras pessoas. Tudo muda no dia em que ele acorda com um lagarto sobre ele e o mesmo começa a explicar uma trama absurda sobre proteger uma princesa e salvar o mundo da destruição. Apesar da negação inicial, Yuuhi é convencido pela jovem Samidare, a princesa, a ajudá-la a destruir o Biscuit Hammer e, depois disso, ajudá-la a enfim destruir a Terra.

Talvez ter ido ler este mangá sem qualquer conhecimento anterior do enredo, nem mesmo de seus traços básicos, tenha sido a chave para minha total perplexidade, no sentido positivo, diante desta história. Diversas vezes durante a leitura parei para exclamar ao ar "caramba, não esperava por uma história assim!". Com o decorrer das cenas essas exclamações foram apenas ganhando mais força, pois não é apenas no aspecto de enredo que a obra surpreende, mas também no que toca o próximo tópico a ser destacado: os personagens.



Os Personagens

Um dos pontos altos deste primeiro volume. Os personagens de Lúcifer e o Martelo conseguem fugir de diversos esteriótipos mais comuns, ainda que possa se argumentar que essa fuga faz com que os mesmos caiam em tipos-padrão diferentes, ainda que não menos padronizados.

Yuuhi Amamiya é o protagonista do tipo anti-herói. Ao iniciar a história sua reação é de completa descrença e sua primeira reação quando se vê diante do desafio de ajudar Samidare à impedir que o Bircuit Hammer (a escolha da editora em deixar o nome em inglês me fez ficar em dúvidas sobre este termo) foi a de recusa. Não apenas sua atitude é defensiva e negativista como suas intenções também não são nada nobres. Logo de começo fica bem claro seu desprezo pelo bem estar da humanidade, tanto que ele só se convence a apoiar Samidare por causa da intenção posterior da "princesa" em destruir o mundo que primeiro irá salvar (apesar de acreditar, particularmente, que essa decisão foi já influenciada por uma queda amorosa).

Lorde Noi Crescent, ou "o tal lagarto falante" é o segundo personagem a aparecer e também o mais próximo do protagonista, sendo seu conselheiro e tendo a difícil missão de colocar algum senso na mente negativo e obscura de Yuuhi.

Samidare Asahina é a Lúcifer da trama. Uma jovem com poderes incríveis e que tem como missão destruir o Biscuit Hammer. Porém, diferente do que se esperaria dela, ao invés de ter este objetivo visando a salvação da Terra, na realidade sua meta final é a destruição causada por suas próprias mãos. Ela encontra em Yuuhi um servo fiel a quem protege durante o dia e, no mundo dos sonhos, instiga e até provoca. Neste início de trama fica claro que ainda há muito a se descobrir desta peculiar personagem.

Hisane Asahina, irmã mais velha de Samidare e também professora de Yuuhi na faculdade. É uma jovem mulher de temperamento forte e que não fica muito à vontade com a aproximação do seu aluno com sua irmã, mesmo sem entender os reais motivos por detrás desta nova amizade.

Hangetsu Shinonome é o último personagem apresentado neste primeiro volume do mangá. Trata-se de um segundo cavaleiro (representado pelo animal cachorro) que surge para auxiliar Samidare na busca para deter o Biscuit Hammer. Dono de habilidades de combate extraordinárias logo fica clara sua imensa vantagem em relação às habilidades ainda insipientes Yuuhi. Seu poder deixa inclusive a própria Samidare, até então o único referencial de poder da trama,

A mistura de elementos

Eis aqui o ponto culminante dessa obra, pelo menos no meu ver pessoal. Apesar de um arranjo básico de fatos que poderia muito bem ser encarnado em uma trama típica dos mangás voltados ao público mais jovem, Lúcifer e o Martelo tende a ser um tanto mais denso do que este tipo de obra tem por costume.

Ainda que de forma menos desenvolvida, a ação parece dá toda a dica de que irá crescer em importância no decorrer desta trama.

O sobrenatural é retratado de modo abrangente nesse primeiro volume de Lúcifer e o Martelo. Apesar de não ser de todo original, este aspecto da obra é retratado com bastante personalidade.

A comédia é também uma constante na trama. As caricaturas formadas pelas personalidades tão distintas de cada personagem geram conflitos

Devo aqui confessar que o fator romance (fortemente associado ao item da comédia) foi uma surpresa e alegria enormes ao ler as páginas deste mangá. O protagonista anti-heróico e sua "dona", a quem ele chama de "sua Lúcifer" conseguem despertar a atenção em poucas interações. Terminei minha leitura desse primeiro volume pensando, mais do que qualquer outra coisa, em como esse dois precisam se tornar um par, o quanto antes.

E o mais aflitivo, levando esse ponto em consideração é que, depois de tantas surpresas de construção inusitadas deste primeiro volume, acabei também chegando à conclusão de que esta obra pode vir a surpreender e muito.




Concluindo

Lúcifer e o Martelo foi um achado surpreendente. Por diversos motivos o mangá conseguiu chamar a atenção e capturar com seu enrendo divertido e ao mesmo tempo instigante.

Para mim, em particular, foi provavelmente o melhor achado de mangás em muito tempo. Ainda que tenha retomado meu hábito de compra e leitura dos mesmos com maior intensidade no último ano, ainda não havia encontrado obra a mim inédita que me prendesse com tanta força.

Atualmente com dois volumes em mãos não vejo o momento de aumentar a coleção. Destaco aqui o bom trabalho da Editora JBC com seus volumes que, de uns tempos para cá, mesmo os mais modestos receberam um tratamento gráfico bem agradável sem distanciar-se do seu padrão de produtos acessíveis ao seu público. É notável a mim, que compro mangás de quase todas as editoras a diferença de padrão entre lançamentos de outras e os desta, além de uma diferença brutal entre volumes de alguns anos atrás e os mais recentes.

Enfim, Lúcifer e o Martelo tem sido surpreendente e com certeza está firmado na lista de prioridades de aquisição. Tanto que pretendo trazer comentários a cada dois volumes da obra aqui para o Mundo.

Como sempre, sintam-se à vontade para comentar, opinar e criticar. O espaço dos comentários está aí para isso, e também existe a página de Contato, onde é possível enviar-me mensagens diretamente.

Até breve!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Comentários sobre Assassination Classroom #01

Olá a todos! Depois de mais um período de hiato neste blog ressurjo aqui para fazer tecer alguns comentários sobre um dos mangás que comecei a colecionar recentemente. Trata-se de Assassination Classroom, lançado pelo selo Planet Mangá, da editora Panini.

Vale ressaltar, antes de começar este breve comentário que meu intuito não o de reunir dados ou esboçar opiniões técnicas sobre este mangá (ou sobre qualquer outro que futuramente possa trazer ao blog), mas sim fazer uma análise bastante pessoal e de experiência de leitura. Aqueles que já acompanham meu trabalho aqui no Mundo já estão acostumados a isso, mas sempre é bom ressaltar para possíveis viajantes de primeira escalada.

Enfim, vamos ao tema: Assassination Classroom.



Para começar preciso deixar bem claro que eu não conhecia NADA sobre o plot da história até pouco antes de começar minha leitura. Acabei pegando vagas informações quando comprei o mangá, graças a um comentário de outra pessoa que também nada havia lido do mesmo. Informações básicas que qualquer plot de páginas de referência possui, mas que ainda não havia observado. Para falar de modo resumido seria o seguinte:

Um monstro com aparência bizarra, meio gelatina, meio polvo, destruiu 70% da lua e pretende destruir o planeta Terra inteiro dentro de um ano. Por sua própria vontade ele decide também tornar-se professor da turma E da escola Kunugigaoka. Os alunos dessa turma são os únicos com alguma possibilidade de assassinar essa criatura antes do derradeiro fim do mundo, porém as habilidades espantosas de "Kono-sensei" parecem muito além do que as capacidades de qualquer humano, tornando o desafio muito maior.

Ok, uma idéia estranha, pensei de imediato. Ao começar a leitura, porém, a cada página fui tomando consciência do tamanho da estranheza daquele enredo. Um professor-polvo que vai destruir o mundo? Quais são seus motivos? Por que ele escolheu ser professor de uma turma de "perdidos" antes de destruir a Terra? Por que ele parece se esforçar para ser um bom educador, apesar de todas as circunstâncias que envolvem seu trabalho como docente? Mil e uma questões que este primeiro volume fez questão de NÃO responder.

A certa altura até temos um breve vislumbre do que pode ser a pista para entender a motivação de Koro-sensei (apelido dado pela turma ao estranho monstro que nem nome próprio possuía) para ser professor: uma promessa à alguém na beira da morte(que clichê, né). Ainda que seja algum fragmento de informação é absolutamente pouco próximo de toda a gama de mistérios que se formam no decorrer das páginas dessa introdução.

Agora vamos a parte analítica, começando pelos personagens.

Dentre professor e alunos destacaram-se três figuras neste primeiro volume: o próprio Koro-sensei, o jovem e observador Nagisa e o delinquente com estratégias ousadas chamado Karma Akabane. Em particular dou meus votos preliminares de personagens valoroso para Karma, por ser o mais inteligente e com potencial para cumprir a difícil tarefa de matar Koro-sensei.




Quanto ao próprio alvo de toda essa história, o monstro Koro-sensei, o que posso dizer é que o considerei cômico e odioso ao mesmo tempo, ao ler este primeiro volume de Assassination. É provável que seja exatamente essa a intenção do personagem, divertir com sua estranheza e ao mesmo tempo dar toques de irritação ao leitor por mostrar-se um desafio grandioso (e petulante) demais para os personagens. 

A gama enorme de mistérios envolvendo-o acabaram por me frustrar em alguns momentos. Ainda que seja divertida toda a idéia bizarra de ter que matar um professor-polvo antes que o mesmo destrua a Terra, essa falta de explicações preliminares pode ser irritante para os mais críticos. Acredito que leitores jovens não terão problemas com isto, pois este enredo parece ter sido moldado de maneira precisa para capitar a atenção dessa faixa nos planos frustrados dos estudantes, ao invés de deixá-los divagar demais sobre quais as explicações dessa trama esquisitona.

"Bizarro" e "hilário" são os adjetivos que utilizo, no meu ponto de vista pessoal, para falar deste primeiro volume de Assassination Classroom. Confesso que meu desejo de conhecer mais o enredo não foi tão impulsionado quanto poderia após um volume introdutório. O motivo, como dito antes, são os mistérios em demasia que terminam por me distrair do foco da história.

É muito provável que eu adquira mais um ou dois volumes dessa obra para dar-lhe a chance de me entreter o suficiente para colecionar inteira. O que mais me motiva, neste momento, é a curiosidade de saber se Karma-kun terá melhor sorte em suas próximas tentativas de assassinato.



E é isso. Caso queiram fazer comentários a respeito de suas impressões do mangá, sintam-se à vontade nos comentários. Não me importo com spoilers, mas peço que não estraguem o mistério para outros possíveis leitores do post.

Se for o caso, além de trazer outras análises de primeiros volumes que adquiri recentemente, posso voltar aqui para fazer comentários periódicos, a cada volume das obras. Fica a critério do feedback que estes primeiros textos trarão.

Até breve!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Áudio-post: E eu conheci Sailor Moon

Olá a todos! Chegando o primeiro áudio-post (para não chamar de podcast, por ser curtinho) do Mundo Mazaki! O tema, como explicitado no título, é Sailor Moon. Talvez eu tenha estado muito travada na gravação, mas deem um desconto, era minha primeira vez! (uh-oh!)

Então, apreciem e opinem. Será que devo investir um pouco mais nesse novo formato?


Até breve!

sábado, 5 de abril de 2014

Uma reflexão pessoal sobre os quadrinhos brasileiros

Há uns bons anos atrás, no início dos anos 2000, os mangás começavam a chegar nas bancas. Era o começo de um mercado que só cresceria a partir dali.

Naqueles tempos minha mãe me comprava não apenas os volumes de Love Hina, ou Gundam Wing, mas também outros gibis que acabavam me chamando muito atenção por serem feitos por brasileiros.

Combo Rangers, as coletâneas como a Desenhe e Publique Mangá, além de outros que não entravam tanto no meu gosto pessoal (como o Pequeno Ninja Mangá ou o Psi-Force). Eu acabava comprando todos que pudesse, seja para conhecer, porque tinham preços acessíveis, ou porque realmente gostava. Eu mesma desenhava minhas histórias, ou gravava “cds drama” pra lá de improvisados, colocando em áudio as histórias dos CR. Era uma época bacana, esperar por uma nova edição, mesmo quando a distribuição não ajudava por eu morar bem longe dos grandes centros do país.

Só que, um dia, acabei percebendo que nenhuma dessas edições chegou mais.

Talvez por ser muito nova na época, mas fato é que eu poderia ter entendido desde aqueles tempos o que havia acontecido, graças a um artigo presente no final de uma revista de animes da época (agora já nem me lembro qual era a publicação) onde falava da provável inflação do mercado de mangás que iria ocorrer graças a crescente avalanche de novos títulos.

Se os mangás iriam sofrer com a tal fragmentação do seu público ainda crescente, o que seria então dos gibis brasileiros? Bom, o tempo mostrou bem o que aconteceu: eles desapareceram das vistas dos compradores de banca.

Depois disso se passam alguns anos para que essa história recomece. A popularização da internet, lenta e cara, começou a dar  novas possibilidades para que as publicações de autores brasileiros começassem novamente a poder se espalhar por este país de extensões enormes.

Quanto a mim, por ter um pensamento classicista demais quanto aos meus desenhos, acabei deixando de produzir minhas histórias quando terminei a escola. Foi por um curto período, pouco mais de três anos, mas ainda é um tempo que me arrependo de ter fechado os olhos e ouvidos para a coisa.

Foi aí que surgiu a revista que, na minha vida, só trouxe de bom o fato de me estimular a entrar em contato de novo com quadrinhos brasileiros: A Ação Magazine.

Eu poderia gastar uma milhagem inteira de frases para falar de todos os fatores que eu enxergo na falha empresarial do projeto da Ação, mas não é para isso que estou escrevendo este texto. Eles podem ter falhado como empreendedores, como marqueteiros, empresários, enfim, mas tiveram pelo menos um trunfo: reaquecer os ânimos a muito apagados dos artistas.

Atualmente temos vários projetos (virtuais ou físicos) de quadrinhos de todos os lados. Até mesmo a JBC deu um pequeno espaço para essas produções com o Brazil Manga Awards. E cá estou fazendo “a minha parte”, apoiando projetos que acredito que ainda podem render algo bom, como a Conexão Nanquim. Apoiando veementemente bons trabalhos (como Ledd, Sigma Pi ou o trabalho da Editora Crás) e observando outros projetos que não me agradam tanto como leitora, mas que fazem bem em continuar batalhando (esse é melhor não dar exemplos).
Meus olhos agora são mais maduros, mais críticos e capazes de refletir sobre os diferentes fatores que entram nessa equação. Muita coisa ainda precisa melhorar e nada está seguro para os gibis brasileiros. Ainda existem muitos autores promissores que param de produzir, seja por fatores econômicos, pessoais, ou por simplesmente não saber dirigir bem a própria carreira.

Dando meu palpite de consumidora e pensadora sobre esse tema, eu diria que talvez os jovens quadrinistas brasileiros estão se espelhando no mercado errado para produzir. Grande parte desses artistas que produzir pensando em transformar o Brasil num grande mercado consumidor mainstream, aos moldes do mercado japonês. Com antologias, ou volumes compilados vendendo em bancas e livrarias.

Junto a minha voz a todos os que já dizem isso por aí: o mercado brasileiro nunca vai ser um Japão, ou França, ou Estados Unidos.

Talvez seja meio difícil de entender meu ponto, mas acredito que deveriam se espelhar mais no mercado nipônico sim, mas no mercado indie, dos doujinshis. Não querendo com isso me referir a toda sorte de apelação que os autores de doujinshi usam para vender, mas sim no formato que utilizam. Publicações de até 50 páginas, publicações constantes, organização em feiras de venda desse tipo de quadrinho, tiragens bem modestas que são tiradas dos bolsos dos próprios autores. Um pequeno mercado, auto-sustentável, que pode produzir tantos autores que as editoras poderão selecionar entre um vasto leque de opções, quem irá dar uma chance.

E não ter que escolher os mais passáveis.

Os jovens quadrinistas tem muito à aprender observando o mercado literário brasileiro. Não que este já esteja em um patamar tão elevado, mas com certeza está muitos degraus acima do que galga a passos sofridos os quadrinhos. Mais maturidade, mais seriedade, profissionalismo (que não necessariamente se refere à qualidade de arte) e persistência são necessários nessa jornada.

E, claro, tirar da cabeça a fantasia de que dá pra viver só de arte autoral no Brasil. Mesmo na literatura só uma pequena percentagem dos autores vive apenas desse labor. Fazer arte pelo dinheiro, neste país, é a maior besteira que se pode querer.

Quanto a mim, bom, meu perfil do Blogger é bastante preciso quanto a isso. Sou uma escritora e pseudo-quadrinista. A primeira forma de contar histórias que utilizei foram os desenhos sequenciados e isso ainda é algo que me diverte muito em fazer. Não tenho ambição alguma de fazer girar essa roda a não ser consumindo e espalhando esse pensamento para o máximo de pessoas que puder. Vou estar sempre produzindo minhas histórias e desenhos, mas só pelo fato de ser impossível para mim não o fazê-lo.

Enfim, esse é um texto opinativo, reflexivo, que contém apenas os fatos e entendimentos que tenho, levando em consideração meu conhecimento empírico do assunto. Já faz algum tempo que venho dando mais espaço a este assunto no blog e talvez essa tendência só venha a se prolongar agora que vou colocar as mãos em alguns trabalhos novos. Vamos torcer para que essa “ondinha” não acabe passando e sumindo, como foi a anterior.


domingo, 5 de janeiro de 2014

Jazz Magica - Madoka Magica Doujin CD

Olá a todos! Depois dessa pausa que a correria do final de ano me forçou a fazer em todos os meus projetos online, cá estou de volta ao Mundo para falar de. . .  Madoka Magica! Infelizmente essa pausa me fez perder a oportunidade de comentar sobre o terceiro filme, Rebellion Story, o qual assisti ainda em raw e tive o privilégio de acompanhar o processo de tradução quase em tempo real, aqui no blog. Quem sabe tenha sido apenas uma artimanha do destino para que eu possa trazer conteúdo mais digerido dessa expansão do universo de Madoka para este espaço. Quem sabe.

Mas, falando do tema presente, venho trazer a vocês o mais recente doujinshi CD de Madoka Magica que chegou ao meu poder (agradeço novamente por lembrar de mim nessa, Mei Linwau): Jazz Magica, de Tomato Gummy, uma mistura exata de estilo música e trilha sonora original que resultou em composições de alto nível.



Assim como o "Agedum! Puella Magica!", já apresentado aqui no blog, Jazz Magica é uma composição de fã, inspirada no trabalho de Yuki Kajiura, com um olhar próprio das trilhas mais clássicas da série. A playlist é a seguinte:

1 - Connect
2 - Credems Justitian
3 - Sis Puella Magica!
4 - Decretum
5 - Symposium Magarum
6 - Salve, terrae magicae
7 - Magia
8 - Connect - Saxofone ver.
9 - Magia - Saxofone ver.

Vocês podem escutar o cd completo no Youtube. Recomendo esta playlist onde as faixas estão em ordem reversa, mas. . . estão todas aí.


Para finalizar gostaria de destacar as três faixas que mais me agradaram do albúm. Vamos ao "pódium" de Jazz Magica!

#1 - Symposium Magarum

A música-tema de Oktavia, a bruxa de Sayaka, ficou incrível em sua versão Jazz. Talvez por já ser uma música com o tema mais voltado para instrumentos clássicos, devido a toda a temática presente na história de Sayaka, mas a música ficou muito bem adaptada, sem perder a sua característica sonora.


#2 - Connect

O tema de abertura da série de TV de Madoka Magica ficou muito graciosa neste albúm. A vocal que acompanha o jazz é de alto nível, adoçando a melodia de maneira perfeita.


#3 - Decretum

Originalmente esta trilha é uma das versões do tema da personagem Sayaka, uma trilha excelente. E sua versão em jazz não deixou por menos. Maravilha.


Concluindo

Jazz Magica é mais um dos albuns fanmade de Madoka Magica que traz um alto nível musical. Recomendo sem medo aos apreciadores da trilha original que escutem essas pérolas. 

O bônus fica por conta da ilustração de capa: conseguiram um motivo plausível para colocar elas de ternos! Dentro do fandom mais ativo da Madoka, isso com certeza parece uma boa lembrança da Mafia-Magica!

Como são caprichados esse CDs. No dia que tiver oportunidade, compro todos :)


É isso, 2014 começou no Mundo com clima de PMMM. Tô suspeitando que ainda vou falar muito dessa franquia que tanto gosto por aqui. Até breve!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Sobre o que fala Suzumiya Haruhi, afinal?



Suzumiya Haruhi é uma série de light novels que já conta com 10 volumes e o suspense se irão haver novas publicações ou não. A história ficou mais famosa quando se transformou em anime e então a franquia caiu no gosto do público otaku pelos seus clichês cômicos, personagens carismáticos e uma dancinha viciante para viralizar. Porém muitos acabam julgando que a obra não passa de um entretenimento barato para otakus e que não possui nenhuma mensagem intrínseca. O que é um erro e eu vou dizer o motivo:

Qualquer obra, por mais comercial e batida que seja, pode conter em si uma mensagem, talvez supérflua, talvez profunda, mas não é por causa de questões visuais ou estilísticas que deve ser ignorada essa possibilidade.

Vou citar um exemplo de conhecimento mais comum no mundo do entretenimento para deixar mais simples o entendimento.

Matrix, o filme de 1999, é uma história louca sobre pancadaria alucinada entre realidade e mundo digital? Bom, essa pode ser a cara do filme, com seus efeitos e etc, mas existe uma mensagem na obra que é sobre esse modo de ver a realidade, de revelar as verdades que existem por debaixo dos panos da vida comum. Algo que pode ser transportado para o nosso dia-a-dia, quando nos questionamos se nossa vida é só viver de um trabalho ordinário que não gostamos ou é possível ir além, "sair da Matrix".

Partindo para algo mais "familiar" mas que também seja mais simples de explicar essa questão de significado. Nausicaa, o filme consagrado de Hayao Miyazaki que mostra uma guerra de interesses e sobrevivência em um mundo completamente catastrófico. A mensagem aqui é de reflexão, sobre o nosso modo de tratar com o mundo e também o modo de tratar uns com os outros. Uma mensagem profunda sobre respeitar a vida.

Agora, uma questão que me vem ao trazer estes exemplos é: Porque então a série Suzumiya Haruhi, que é uma obra literária, é mais difícil do público admitir, ou mesmo perceber que existe um significado intrínseco? E a resposta não é tão misteriosa assim: público alvo e linguagem.

"Haruhi" é uma comédia juvenil dotada de toques de ficção-científica, com seus teoremas sobre a estrutura do universo que beira a metafísica mais séria. Porém a obra ainda é uma light novel, uma literatura feita para jovens, e por isso é recheada de humor e exageros nos acontecimentos. É essa linguagem que faz a obra dar tão certo para seu público e mesmo para pessoas fora da faixa de critérios visada pelo autor/editora.

Acontece que o público mais crítico é muitas vezes mais velho do que o público alvo da série, o que faz Haruhi sofrer os mesmos tipos de preconceito que livros infanto-juvenis sofrem. É bem similiar, comparando alguns parâmetros, com o preconceito contra a série Harry Potter, onde os críticos (que muitas vezes nem se aprofundaram em conhecer o trabalho da autora) diz que aquilo é apenas diversão para crianças bobas, ignorando as mensagens contidas ali. Se a obra fala de amor incondicional, ou superação dos próprios limites, valor da amizade, isso não importa aos críticos. Para eles, o fato de ser "infantil", já tira qualquer valor moral que possa estar contido na história.

O exato caso de Suzumiya Haruhi.

Mas então, sobre o que fala Haruhi? Qual é o significado dessa história? Na verdade este texto é motivado pela minha surpresa ao perceber que mesmo as pessoas que gostam da série como um todo não se atenta para este sentido.

Suzumiya Haruhi fala sobre cada um de nós. Sobre a capacidade infinita que cada pessoa quando jovem tem de construir a própria vida. Através de uma caricatura cheia de nonsense e humor, o autor esta dizendo a cada página a seguinte mensagem:

"Você é o Deus do seu próprio Universo e pode criar qualquer coisa, mas tudo parece um tédio ao seu redor porque você não sabe desse seu poder."

Os mais pessimistas, aquelas pessoas que acumulam frustrações umas atrás das outras através dos anos, poderão ser bastante intransigentes com essa idéia, porém isso não tira a verdade da mensagem do autor. Todos nós podemos ser qualquer coisa quando nascemos, são as nossas escolhas e a nossa própria capacidade de limitar o mundo que pode nos levar a caminhos tedioso, sem graça, frustrantes...... melancólicos.

A história de Suzumiya Haruhi é uma verdadeira guerra entre aqueles três elementos da psiquê que nós, leigos, conhecemos: Id, Ego e Super-Ego. Um enredo que simboliza as nossas potencialidades como os grandes feitos de Haruhi, que é capaz de criar viajantes do tempo, alienígenas e espers, mas ao mesmo tempo é cética da sua própria capacidade, censurando-se ao ponto de ser completamente alheia a esses poderes infinitos. Esses somos nós, nos julgando incapazes e entrando na faculdade que nossos pais escolheram para nós, abraçando o emprego que eles desejaram para nós, por não termos coragem de acreditar que poderíamos ter feito tudo diferente e encontrado coisas maravilhosas escondidas embaixo da cama.

Você é tão egocêntrico quanto essa garota aí, admita!


Toda a história, por mais boba que pareça, contém uma mensagem. Quando não contém é que surgem aqueles enlatados onde realmente a única preocupação é estética e que não consegue passar desapercebida essa sua falta de valor. Se for parar para pensar sem preconceito, até coisas consideradas descartáveis em significado, como por exemplo as séries literárias de Crepúsculo e 50 tons de cinza tem alguma mensagem, ainda que seja tão repugnante ou babaca que seja melhor para muitos ficar distante, mas que para aquelas pessoas que se indentificam com esta mensagem trás entendimento e conforto.

Quem sabe se cada um olhar com um pouco mais de cuidado talvez possa apreciar bem mais coisas sem se deixar levar pelo seu monstro da crítica e frustração. Quem sabe.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

UQ Holder - o novo mangá de Ken Akamatsu começa com tudo!

A estréia de UQ Holder, nova obra de Ken Akamatsu se deu no mês de agosto deste ano de 2013 e foi cercada de grande expectativa: desta vez o mangaká tinha a intenção clara de fazer um mangá de ação desde o princípio.

Talvez no Brasil o trabalho de Ken Akamatsu não seja tão reconhecido quanto poderia. Sua imagem é muito marcada pelos fanservices de Love Hina. Muitos sequer chegaram a ler sua obra seguinte e de maior sucesso comercial: Mahou Sensei Negima. O plot de um menino cercado de 31 garotas também ajudou a aprofundar o preconceito de leitores que (no meu ver pessoal) parecem valorizar demais a sexualidade nos mangás, esquecendo de analisar outros aspectos como a comédia, e, principalmente, a qualidade dos personagens.


Ken Akamatsu é um mestre em criar personagens cativantes e Negima foi um grande sucesso quando conseguiu mesclar a comédia, esses personagens apaixonantes e uma dose de ação crescente. Lutas muito bem desenhadas estão nas páginas da obra de forma cada vez mais constante a partir do terceiro arco da história, chamado simplesmente de "Festival Escolar".

Para os que acompanharam Negima ficou claro que o autor acabou perdendo o fio de Negima quando enfatizou demais a parte de ação em uma história que começou com o espírito de comédia pastelão aos limites. O final da série, um improviso que decepcionou muito, esteve cercado de perguntas. Fato é que Akamatsu criou um cenário interessante, mas acabou transformando os personagens de Negima em figuras forçadas a empurrar um enredo que não tinha mais a cara deles.

E então, chegou a vez de UQ Holder.



O mangá é uma sequência do universo de Negima, um futuro não muito distante, onde o Japão construiu um elevador até o espaço (já ouvi falar que isso já foi cogitado a ser feito na vida real) e onde os humanos comuns enfim foram informados sobre a existência da magia e dos magos (o que era o objetivo de vida do protagonista Negi Springfield ao final da série anterior). E é nesse cenário cheio de possibilidades que vamos acompanhar a saga de Touta Konoe encarando um aspecto da magia que desde tempos antigos permeia a imaginação da humanidade:


A Imortalidade.

Touta é um orfão que vive em uma vila do interior do Japão, sob a custódia de Yukihime, a pessoa que sobrevivera junto com ele ao suposto acidente que tirou as vidas dos pais do rapaz. Como um sonhador Touta deseja ir para a grande capital de Amanomi Hashira (se Tóquio já era enorme, imagine essa...) e o caminho mais fácil parece ser derrotar em uma luta Yukihime. Tudo isso graças a uma promessa do líder da vila em dar passagens para a capital caso algum dos garotos do local conseguisse realizar tal feito.

Sem entrar em detalhes do enredo gostaria de dizer é que UQ Holder começou com a dose exata de pancadaria, ação dramática e adrenalina. Ken Akamatsu vem mostrando mais uma vez que sabe fazer lutas muito bem pensadas, desenhadas e coreografadas. 

Até o momento de publicação deste post já foram lançados 9 capítulos de UQ Holder, nos quais o desenvolvimento do cenário foi o maior foco. Os três personagens centrais: Touta, Yukihime e Kuroumaru já estão bem colocados e a dupla de amigos já está diante de um grande desafio que irá testar até os limites das suas habilidades.



Enfim, a nova obra de Ken Akamatsu começou com o pé direito, mostrando um potencial grande para uma obra de ação bem aos moldes dos grandes sucessos da indústria de quadrinhos japoneses. Os fãs anteriores do autor também tem o plus da curiosidade sobre o cenário de UQ Holder. Mistérios envolvendo os personagens marcantes de Negima estão ocultas nesta nova história, o que instiga muito os fãs.

E é nessa dose equilibrada de novidade e tradição do próprio trabalho, Ken Akamatsu apresenta esse que pode ser seu último mangá semanal. Fica a minha torcida, como fã do "Tio Ken" para que as vendas de UQ Holder sejam um sucesso. Confiram este mangá, está valendo a pena.


PS: Queria que o tempo passasse mais rápido só para ver o dia, num futuro talvez ainda distante, em que a JBC vai publicar mais esse mangá do Akamatsu no Brasil.

PS2: Já sou fã do Kuromaru!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

HyperComix(1996) e uma reflexão sobre a eterna luta do mangá brasileiro

Com essa onda de projetos online e pedidos de doação que movimentam o mercado indie de quadrinhos na estética do mangá feito no Brasil os desinformados (ou mesmo os mais novos) acabam por imaginar que é novidade que os artistas brasileiros estejam lutando por espaço no mercado editorial. Mas essa luta já é muito antiga e vem de épocas onde tudo era muito menos favorável.

Acabei descobrindo um pouco sobre essas histórias do passado por acaso, quando cruzei com alguns volumes da HyperComix em um sebo aqui de Porto Alegre.

Ei, mas eu conheço esses nomes!

Foi por acaso durante um passeio com o (sempre) nobre Carlírio que visitava a capital gaúcha que me deparei com alguns volumes dessa publicação que desconhecia. Não demorou para o que conhecido "Padrinho" me desse informações básicas da publicação, que me despertaram interesse em comprar aquelas "relíquias". Uma viagem no tempo e na história dos quadrinhos brasileiros.

A HyperComix foi publicada em 11 edições nos anos de 1996/1997 pela pequena editora Magnum. A mesma teve apenas mais uma publicação: o mangá brasileiro de Megaman. 



Foi um segundo choque quando descobri sobre essa segunda publicação, pois eu tive acesso a essas revistas lá naqueles distantes anos de 96/97, quando estava no início do Ensino Fundamental, em Manaus. Volta e meia me questionei qual teria sido o destino daquelas revistas do Megaman e, vejam só, descobri um elo quando nem esperava com aquele passado.

Mas voltando às HyperComix. Vários nomes que fazem parte dessa história muitas vezes ignorada ou desconhecida dos quadrinhos inspirados no mangá feito no Brasil. O que mais se destacou para mim foi o do Sérgio Peixoto Silva, antigo editor da revista Animax que agora tem um blog que segue a mesma vibe da publicação impressa daquela época. (visite a  Revista Animax - O máximo em animação japonesa AQUI).



As histórias das revistas HyperComix eram paródias de nonsense (e algumas vezes fanservice) extremo. Um espírito de ousadia e falta de qualquer limite no que tange tirar sarro das grandes obras da animação daquela época permeiam cada página dos volumes desse Fanzine.

Guardem este detalhe, o Fanzine com F maiúsculo. Depois vou voltar com ele para a reflexão deste texto.

Li nos poucos textos que fazem referência à HyperComix na internet que a série não teve sucesso principalmente por abordar obras que eram grandes no Japão, porém desconhecidas no Brasil na época, como Bastard e Rurouni Kenshin. Como não tinha conhecimento na época desses fatos, não tenho como confirmar, mas sou tendenciosa a acreditar neste argumento. Ainda assim, o fato de um fanzine ter perdurado por 11 edições e ser ainda hoje encontrado em sebos é prova suficiente de sucesso dentro da sua proposta ousada, porém consciente de suas limitações.

Agora vamos para a segunda parte deste texto, a reflexão.

No presente, no futuro, indo aonde for! (ou, perdoem a mania de citar trechos de música sempre que possível)

Conhecer as divertidas, porém singelas HyperComix me levou a pesquisar um pouco mais sobre a história dos autores brasileiros que publicaram, publicam o querem publicar quadrinhos ditos mangás no Brasil. Existe uma cronologia resumida com muita qualidade no site Kotatsu. 

Sei que tem muito veterano de guerra que sabe de cor o nome de todas as revistas de mangá que já saíram no Brasil por brasileiros e que não se surpreendem ao saber que a primeira tentativa ocorreu em 1964. Porém também existe muita gente de gerações mais recentes (eu nem sou dos novinhos e não sabia da maioria das informações!) que acha que a Ação Magazine foi o primeiro empreendimento que fracassou na publicação de mangás brazucas.

O link da cronologia é este que segue: http://www.kotatsu.com.br/wiki/doku.php?id=mangas_brasileiros

Eu lembro de vários desses da leva de 2002 em diante, mas confesso que nunca vi, nem li nada de Holy Avenger. Só sei que essa é a série que mais tem fãs de odiadores de todas. Consequências do sucesso. (Apesar de que a Ação já deve estar perto de alcançar o número de odiadores, mas isso é impressão pessoal)

Mas a reflexão que gostaria de trazer neste segundo momento do meu post é sobre a postura desse mercado emergente de publicações brasileiras de mangá.

Não há dúvidas de que hoje em dia o mercado está muito mais propício do que a anos para estas obras, mas ainda assim não é um paraíso. Incentivos e leis estão se consolidando para dar espaço aos artistas brasileiros, o público dentro do nicho de mangás está menos preconceituoso com obras nacionais (apesar de desgostos que é melhor nem comentar). As revistas digitais estão mostrando cada vez mais que talento não é o que falta para os nossos compatriotas dos quadrinhos.

Já falei aqui no Mundo Mazaki da Conexão Nanquim (quando ainda se chamava Nanquim Digital). Uma publicação online que traz em suas páginas obras incríveis como Nova Ventura, Egoman ou o (na minha opinião nada imparcial) genial </3 (lê-se "menor que um terço" apesar da figura evocada seja, obviamente, a de um coração partido). Talvez a revista tenha tomado algumas decisões que eu não concorde muito em algumas ocasiões, mas isso acontece e continuo achando o projeto e trabalho de toda a equipe Conequim ótimo.

Não se deixem abater por qualquer adversidade no caminho, equipe Conequim!

Só que em um contexto mais amplo, onde projetos parecem se multiplicar todos os dias pedindo doações para se lançar, onde posturas no mínimo arrogantes são tomadas como incentivo na participação de concursos de quadrinhos, quando peguei as HyperComix nas mãos fui levada a refletir sobre a postura do passado e presente.

Na capa das HC estava estanpado "o Fanzine chega às bancas". A obra não tinha nenhum medo em chamar-se de Fanzine, tanto por ter noção de suas limitações em qualidade, como pela própria liberdade temática. Nas páginas das revistas não havia sinais de vergonha por estar trabalhando em algo que se declarava amador.

Hoje em dia, porém, a atitude geral é bem outra. Claro que para tornar um mercado embrionário em algo real é preciso ter atitude profissional, mas as coisas ficam meio confusas quando você confunde profissionalismo com arrogância.

Infelizmente uma briga de egos inflados permeia projetos que poderiam (e poderão ainda) ser bem sucedidos. Falta humildades dos que estão começando e dos que estão aí nessa eterna luta já a um bom tempo.

Postura, é sobre isto que estou falando. Parece que nossos novos e "novos-novos" autores não querem iniciar suas escaladas no mundo profissional tendo noção de que são pequenos, porque tudo começa pequeno. Arrotando qualidade grandiosas aos quatro ventos, sem conseguir mostrar resultados do tamanho das suas palavras, porque é natural que todos os resultados começam pequenos.

Os próximos capítulos dessa eterna batalha do quadrinho nacional vai ser marcada por essa disputa onde a arrogância tem um predomínio aparente sobre a humildade. A minha torcida fica para que a arte vença no final e possa ser levada enfim ao patamar profissional que tanto anseia a décadas.



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Corrente de Reviews 2013: Tengen Toppa Gurren Lagann


Olá a todos! O blog Mundo Mazaki está de volta a ativa para sua participação na Corrente de Reviews 2013, organizada mais uma vez pelo blog Anikenkai (para todas as informações sobre este evento que reúne mais de 40 blogs na sua segunda edição, CLIQUE AQUI).

Ano passado me foi passado o mangá Solanin para review, o que foi uma experiência muito agradável. Este ano o blog Raiburari (leia o review e indicação do blog AQUI) me propôs um “desafio” ao indicar Tengen Toppa Gurren Lagann para o review. Realmente existe um quê de desafio nessa proposta, pois eu nunca expressei um gosto muito grande por animes com uma pegada mais shonen, com muita porradaria e ação.

Bom, sem mais delongas, vamos às informações e opiniões sobre esta obra.

Tengen Toppa Gurren Lagann – Um anime ou dois?

 

 


Gurren Lagann, ou TTGL, é um anime original da Gainax, lançado no ano de 2007. Uma obra que mescla a comédia com uma ação frenética com mechas. São 27 episódios que se dividem em dois grandes arcos (algo que irá ser destacado muito por esta resenha), não necessariamente dividindo o anime em partes iguais, visto que o segundo arco se inicia no episódio 17.

Personagens icônicos, sejam humanos ou gamens (os mechas da série), e cores muito vibrantes são marcas da obra. Em momento de comédia mais frenética também é possível notar um desenho rabiscado das expressões dos personagens, tudo proposital para destacar essa veia caricata da série.

Falando brevemente com uma pessoa que aprecia muito outras obras mais voltadas à comédia do estúdio Gainax (Furi-Kuri e, em especial, Panty & Stocking w/ Garterbelt), TTGL (pelo menos o primeiro arco da série) tem muito dos elementos que vemos em outras obras da empresa (as mesmas referidas antes), seja no exagero de algumas situações ou mesmo reações dos personagens, como nas cores e estilo presente em sequências de ação da série. Particularmente, um ponto muito positivo.

Plot

 

 


Em um futuro aparentemente distante a humanidade é obrigada a viver em vilas escondidas no subterrâneo. Simon e Kamina são amigos e vivem na mesma vila sem sequer ter ideia de como é no lugar acima da suas cabeças. Kamina é um típico rebelde que pretende ir conhecer a superfície, mesmo que o líder da sua vila diga que não há nada para se ver. Um acontecimento inesperado, a queda de uma criatura enorme e estranha na vila, junto com o outro estranho “ser” achado de Simon ao fazer suas escavações (e instintivamente utilizado por este para combater o “monstro” que atacara a vila), isso ainda complementado pela aparição de uma bela atiradora, Yoko, resulta na enfim ida do rebelde (e também do garoto Simon) para a misteriosa superfície.

Porém logo eles descobrem que as coisas não são muito felizes na superfície. Descobrem que o monstro que haviam enfrentado tratava-se de um Ganmen, um robô controlado por uma raça diferente da humana, os homem-fera, que só tinham um objetivo: exterminar toda a humanidade que pisasse na superfície.

Logo Kamina também consegue um Ganmen e decide enfrentar diretamente os homem-fera até livrar a humanidade da ameaça daquelas criaturas.

Personagens




A quantidade de personagens que vão integrando o grupo dos heróis no decorrer da trama é grande. Alguns deles ganham tanto destaque que chegam a ofuscar personagens mais antigos e, teoricamente, mais importantes para a trama (o que é uma das críticas que já vi ser feita à série, referindo-se especificamente à Yoko e Nia).

Simon – Protagonista da série, é um garoto mais calado e de pouca iniciativa. A única coisa que gosta de fazer é escavar em silêncio. Mostra-se muito dependente de Kamina durante todo o primeiro ato do arco um, o que muitas vezes acabo o fazendo parecer um coadjuvante nos grandes feitos daquele que considera um irmão e exemplo. Devido aos acontecimentos inesperados da história Simon é obrigado a superar sua dependência e aprender por ele mesmo o que é batalhar e liderar.



Kamina – personagem mais icônico e carismático da série. Um rebelde que não vê limites para suas ambições. Um sonhador que luta com toda sua garra para superar todos os inimigos que surgem no seu caminho. Parece muitas vezes ser um inconsequente para as outras pessoas, mas a verdade é que é uma pessoa muito determinada e focada nos seus objetivos. Ele rouba completamente a cena durante todo o primeiro ato da série, sendo visto muito mais como o herói da trama do que Simon (o que faz a mim pensar se não foi este um dos motivos da trama ter tomado o rumo que tomou).



Yoko – uma atiradora de um grupo de rebeldes que vive na superfície enfrentando os Gamen com os poucos recursos que possuem. Longe de ser uma donzela em perigo, ela muitas vezes dá auxílio nas batalhas dos monstruosos gamens, mesmo que apenas utilizando seu rifle movido à eletricidade. Chega a pilotar uma vez junto à Simon, mas não se destaca muito nessa modalidade de combate.



Nia – filha do Rei Espiral, líder dos homens-fera, é encontrada por Simon enquanto repousava em uma espécie de sono eterno. Ela tem suas verdades jogadas por terra quando descobre as verdadeiras intenções de seu pai ao ter selado-a. Torna-se aliada da Brigada Gurren contra os homens-fera e também o interesse amoroso de Simon.

Viral – um homem-fera que se torna grande rival de Kamina nas batalhas. Após suas consecutivas falhas em derrotar as forças humanas, ele é “condenado” a ter um corpo imortal, o que o torna porta-voz de todos os acontecimentos na luta da humanidade contra os homens-fera, mesmo muito tempo depois dos acontecidos.

Roshiu – humano que vivia em uma pequena vila subterrânea, mantida por um líder que ludibriava o povo com falsas crenças para que estes vivessem conformados naquelas condições. Acaba se tornando um aliado da Brigada Gurren na sua batalha, inclusive pilotando junto com Simon o combinado de Ganmens chamado de Gurren-Lagann. No segundo arco, com a mudança total de valores e foco da trama, sua participação no enredo também sofre uma mudança drástica.

Análises

Contraversão ao gênero mecha

 

 

TTGL é sem dúvida um anime de mecha muito diferente do habitual. Quando em séries tradicionais como as de Gundan estamos acostumados a lidar com tramas políticas e sociais complexas, em TTGL tudo é muito simples e direto. A trama é construída de modo quase “tosco” e tudo gira em torno de “bater nos inimigos e vencer”. Isso não é de modo algum um defeito, mas sim uma singularidade que dá uma cara toda particular para a série. O tempo inteiro TTGL está dizendo ao público que não é preciso de uma história “séria e chata” para que batalhas alucinantes entre robôs gigantes sejam ótimas. Uma tentativa de quebra de valores que se estende por todos os níveis da trama.

Quem é mais importante?


Em vários momentos, ao meu ver, parece que a série vai se “construindo para frente”, ou seja, vai se desenvolvendo sem ter sido planejada com antecedência, o que leva a vários desvios do que pareceria ser a linha principal de desenvolvimento. Falo isso mais com referência aos personagens onde, mais de uma vez, um personagem acaba tomando todo o espaço que a princípio deveria ser de outro.

Analisando posteriormente é possível chegar à conclusão de que esses desvios todos são propositais. Estamos falando da Gainax, e as séries que citei anteriormente (a repetir: Furi Kuri e Panty & Stocking) não são exemplos de construção linear. A impressão que fica é que toda essa “bagunça” é proposital e premeditada.

Uma pena para Yoko, personagem tão carismática que perde sua relevância e espaço na série para não mais o recuperar.



O que brilha na série?


A relação entre os personagens centrais, na primeira metade do arco um, é, no meu ver pessoal, a parte mais brilhante da série. Personalidades muito características e relações que o expectador compreende e interpreta com naturalidade. E mesmo com a saída de cena de Kamina, essa qualidade ainda se mantém por um período, onde Simon se torna um personagem digno de ser chamado de herói.

O visual e estilo presentes em toda a série também são um ponto positivo que se destaca.

Nem tudo são flores.


Como foi dito pelo pessoal que me indicou Gurren Lagann na corrente, esta é uma série que desperta ou um amor imenso ou uma repulsa enorme. Interpreto isso como o exato motivo de eu, infelizmente, dizer que a série foi desapontante. E digo com sinceridade que é um pesar chegar a esta conclusão.

Tudo por causa de um “sete anos depois”.


Extrapolando o extrapolado, ou, "mechas jogando galáxias, literalmente, uns nos outros"


O segundo arco de TTGL é tão díspar com a trama anterior que você chega a se perguntar se é a mesma série, se não mudaram de roteirista, diretor, estúdio, universo. Uma comparação muito boa que me falaram quando comentei sobre este fenômeno foi: “fica parecendo um fanfic”.

Estranho? Analisando as mudanças drásticas não só no cenário, como no tipo de enredo como até em características de alguns personagens (estou olhando para vocês, Roshiu e Viral) fazem parecer que aquela continuação nem é oficial. Ainda que o título da série venha de um elemento que só surge no final deste segundo arco, o Tengen Toppa Gurren Lagann, o abismo de enredo entre um arco e outro é gigantesco.

No segundo arco temos um escalonamento de forças muito rápido e exagerado. Sinceramente cheguei a rir da batalha final, onde os mechas andavam sobre galáxias (não peçam explicações disso) e chegavam a arremessar as mesmas uns contra os outros.

Além disso a trama quer parecer séria e catastrófica nesse segundo arco. Enquanto no primeiro, ainda que tivéssemos uma luta pela sobrevivência isso não diminuía o tom de “deboche” presente em cada batalha, no segundo arco os seres anti-espirais são vilões terríveis que levam sofrimento enorme aos personagens, especialmente o protagonista Simon.

Talvez este segundo arco não seja assim tão mal estruturado, se for observado individualmente, porém tenho que confessar uma coisa: essa disparidade foi tamanha que meu interesse pelo enredo foi anulado durante toda essa trama.


Conclusões


Aos fãs de ação desenfreada, TTGL é uma pedida excelente. Batalhas são sempre o ponto alto dos episódios, não importa o momento da série. Mechas curiosos e alguns até bem estranhos no visual estão presentes só para quebrar o clima mais tenso do combate (como se os diálogos e situações já não fossem o bastante). Uma obra que se pode consumir só por toda a adrenalina presente no enredo. Uma trama de ação nada convencional, tocada em muitas partes por uma comédia de alto nível.

Porém, em termos de avaliação pessoal, sou obrigada a dizer que TTGL foi uma decepção, por conta do segundo arco tão citado na parte de análise desta resenha. Se o anime terminasse no episódio 15 teria entrado no conjunto das minhas obras mais queridas, pela dinâmica e pelos personagens, porém o choque com as mudanças e o desfecho foi tão impactante que derrubou por completo a impressão que a primeira trama havia causado.

Talvez eu tenha levado a sério demais a estrutura de uma obra do estúdio que fez Furi Kuri, que faz menos sentido ainda. Talvez.


Indicação da Corrente


Bom, esta foi minha singela participação na Corrente de Reviews 2013. Agradeço ao Did Cart do Anikenkai pela oportunidade de participar mais uma vez deste evento virtual entre blogs do nicho. Também agradeço ao pessoal do Raiburari pela oportunidade de assistir esta série que me trouxe uma gama de sentimentos enorme ao assistir. Valeu mesmo gente.

Pra finalizar, minha indicação vai para o Blog Clube de Anime UFABC. Nada menos do que. . . do que. . . o já tão citado neste post: os OVAs de Furi Kuri, do estúdio Gainax! Parece que inesperadamente é um breve momento de celebração às obras dessa empresa aqui na Corrente. Não sei qual dos redatores do blog irá fazer a resenha, mas espero que tenha aproveitado a oportunidade assim como eu aproveitei a indicação que me foi feita.

E chegamos ao fim. Espero que este review seja a volta da minha movimentação aqui pelo blog (tantos projetos e um só tempo, é um problema) e espero que aqueles que leram até aqui tenham apreciado o texto.

Até breve!