quinta-feira, 12 de março de 2015

Comentários sobre Ageha volume 1

Olá a todos!

Sabe quando você vai ler uma obra nova, sem saber nada a respeito, e ela acaba de impressionando muito e em vários sentidos? É algo meio incomum de acontecer, ainda mais quando seu gosto não é exatamente aquele que os editores mais privilegiam, mas não é impossível. Aconteceu comigo quando comprei Ageha, lançado recentemente pela Editora JBC.

Como tem sido meu costume peguei o primeiro volume apenas pela simpatia preliminar que o título e capa me causaram, sem fazer qualquer pesquisa à respeito. Apesar de ser uma estratégia arriscada e nem sempre bem sucedida, com Ageha - Efeito Borboleta foi um tiro super acertado.

Comentários sobre Ageha volume 1




Mangá lançado originalmente em 2012, com autoria de Rikudou Koushi, autor também de Excel Saga, esta obra de dois volumes conta a história de Motoki Tateha e sua saga surreal para concretizar seu amor com sua namorada, Ageha. No caminho deles está um Destino trágico e talvez irreversível, mas que Motoki irá tentar vencer de algum modo que ele sequer consegue imaginar.

Se eu soubesse antes que esse mangá era do autor de Excel Saga teria ido para a leitura com muito mais empolgação! Não que talvez isso me fizesse gostar mais, porém teria sido menos surpreendente encontrar tantas tiradas nonsense e até meio "perigosas" no meio do enredo.

A princípio a trama confunde o leitor, assim como confunde o personagem principal, Motoki, que nada entende daquelas situações aparentemente desconexas e sem sentido pelas quais está passando. É somente com o andar dessa loucura que tanto o personagem, como o leitor, vão enfim compreendendo a situação trágica (que ao mesmo tempo consegue ser engraçada) na qual ele se encontra.

O maior destaque, pessoalmente, são os personagens dessa história.

Motoki é um herói em busca da realização do seu amor, com todas as limitações possíveis, mas que não chega perto do esteriótipo de "bunda mole" de uma comédia romântica (aliás é feita uma brincadeira ironizando isto em um dos capítulos presentes nessa primeira metade da história).

Ageha Nami é a mocinha que acaba sendo alvo principal da tragédia toda envolvendo Motoki. Engana-se porém quem pensar que ela é do tipo frágil e inativa. Pelo contrário, Ageha esbanja atitude (sem cair nos clichês de tsunderismo) e personalidade.

Kagero Himeshima é um dos grandes choques da trama. Apresentado primeiro como um rapaz que nutre sentimentos por Motoki (ou Modoki, como ele costuma chamar) é revelado depois como na verdade sendo uma garota, fisicamente, mas que se veste e age a maior parte do tempo como um garoto

Aqui vale uma nota mais profunda. Apesar de tratar-se de uma comédia com tons de tragédia, achei bastante surpreendente uma personagem como a Kagero. Com o passar do primeiro volume fica bastante claro que ela tem sua identidade de gênero como masculina. Ela se porta e se vê como um homem. E isso nada influencia sua sexualidade, que é bissexual.

Na prática Kagero é uma personagem que consegue, por suas peculiaridades, ser uma alavanca para uma diversidade enorme de situações cômicas e perigosas (para Motoki). Ainda assim vale aqui a nota do quão interessante é ter um personagem com esse tipo de característica no cast de suporte da obra.

Enfim, ainda temos mais uma personagem para falar e, bom, é uma personagem extremamente marcante também.

Hera Satan. O que dizer dessa personagem? Uma garota musculosa, imensa e nada delicada fisicamente, mas que tem os sentimentos frágeis e instáveis como a mais formosa das moças. Hera nutre um amor incondicional por Kagerou.

Fora isso temos ainda a pessoal que aparentemente comanda toda a loucura que é o universo dessa história: . Uma mulher bastante sensual que parece se divertir com a agonia eterna que Motoki, chamado por ela de "anomalia", está vivendo.

Sobre o enredo, não dá pra falar muita coisa sem dar ainda mais spoilers massivos. Amor, um tanto de fanservice, personagens nada clichês, mortes, repetição e alteração da Realidade, além de deuses/demônios que comandam tudo pelos bastidores.

Misterioso, não? Realmente é um enigma a princípio, que só fica mais trágico e nonsense quando é melhor compreendido pelo leitor.

Enfim, tomando apenas esse primeiro volume de Ageha não tem como não recomendar a leitura a todos. Não deve demorar muito para que tenhamos o segundo volume, e conclusão, dessa saga de amor e nonsense.  Provavelmente voltarei aqui ao blog para comentar minhas impressões finais da obra, quando a publicação brasileira estiver finalizada.

Será que Motoki e Ageha irão vencer as amarras de um destino trágico? E Kagero e Hera? Qual delas irá conseguir concretizar seus anseios e quem será que vai ter que sair morto dessa intrincada teia amorosa como consequência? Só com a continuação é que vamos saber disso (nada de ler antecipadamente online ein!)

Até breve! o/

Como estruturar um enredo ficcional

Publicado originalmente no blog Creative 1000% em 13/10/2014

Olá a todos! Hoje iremos tratar de uma parte fundamental para a criação de qualquer obra literária ficcional: a estruturação do enredo. Vamos abordar este assunto de maneira prática, através de recomendações e passos práticos que podem ser experimentados e livremente adaptados à rotina de trabalho de qualquer autor ou aspirante a autor de ficção.

É bom deixar claro de antemão que a forma de desenvolver a estrutura de um enredo apresentada neste texto é apenas uma sugestão baseada na metodologia aplicada pela autora do mesmo no seu trabalho literário. Cada um encontra sua própria fórmula de trabalho, porém é sempre saudável conhecer novos métodos. Isso pode criar possibilidade de enriquecer a forma de trabalho pessoal de quem observa sem preconceito a metodologia distinta.

Dito isto, vamos para a parte prática.

Como estruturar um enredo ficcional



Para que este texto se desenvolva de maneira mais direta o possível, vamos adotar etapas enumeradas e desenvolver um exemplo genérico, visando a construção de um enredo para um conto. Isso com a ajuda de um aplicativo para Android chamado "Plot Generator". Posteriormente podemos postar o conto terminado, para que fique mais interessante e seja possível ver a execução da metodologia que se apresenta. 

Para quem tiver preconceito com a utilização de "geradores", acreditando que nenhum enredo que soe natural possa sair do mesmo gostaria de fazer o convite para que leia um dos últimos trabalhos que publiquei no grupo NUPO. Um conto de ficção-científica intitulado "Extinção" que foi baseado totalmente em um plot gerado por este programa. Confiram neste LINK.

Etapas e exemplos, vamos lá.

1 - Crie seu plot central

O plot central é um pequeno conjunto de frases que vão dizer o que se trata o enredo no cerne. Pode haver um ou outro detalhe mais específico da trama neste plot, o importante é poder descrever sua trama como um todo.

Exemplo: utilizando o Plot Generator, cheguei a este enredo (traduzido livremente do inglês):

Plot: Você está viajando em uma nave-colônia em direção a um novo lar. Um novo computador quântico desenvolvido é capaz de prever um evento catastrófico no futuro próximo. A previsão acidentalmente se torna pública, levando toda a sociedade ao pânico. Seu personagem estava se programando para um dia voltar à Terra. Uma guerra de larga-escala começa na Terra.

Comentário: caramba ein, esse enredo é tão abrangente que poderia resultar em um livro com facilidade. Mas vamos nos deter ao contexto de conto.

Comentário 2: Percebe como o primeiro ponto do plot dá a possibilidade de narrar-se em primeira pessoa? Este é um ponto a ser pensado posteriormente, na fase de execução da obra.


1.5 - Anote os objetivos centrais

Os objetivos de uma trama não estão expressos no plot, isso é algo que precisa ficar bem claro ao autor. Enquanto o plot demonstra o início ou até algum detalhe importante do meio de um enredo, os objetivos centrais devem tratar daquilo que será o guia para o andamento do começo ao desfecho da história.

Este é um bom momento para decidir qual será o final do enredo, para que assim se possa ter um guia para elaborar os objetivos de forma coerente.

Exemplo: Vamos tentar abstrair pelo menos dois objetivos para guiar este enredo sem criar a necessidade de uma grande extensão de narrativa:

Objetivo 1: O desejo do protagonista em retornar para a Terra em conflito com a realidade contrária a este anseio.

Objetivo 2: Demonstrar o caos que se pode gerar em uma sociedade graças a informação de um possível desastre futuro. Será essa previsão verdadeira?

Comentário: Perceba que apesar de serem guias, ainda não existe um desfecho? Vamos então criar um desfecho direto, mesmo que genérico para saber para onde devemos levar o enredo:

Desfecho: O protagonista não consegue voltar para a Terra.


2 - Divida em etapas principais

Etapas genéricas, guiando o início para o final. Não é preciso nenhum tipo de detalhamento, apenas tente pensar quais partes devem existir para que a trama saia do ponto inicial e chegue com naturalidade ao seu desfecho.

Exemplo: Agora é a hora de transformar essas diversas idéias que o plot criou em algo ordenado e sequencial

Etapas:

a) Apresentar o protagonista e sua realidade na nave-colônia
b) A previsão catastrófica que se espalha como um boato
c) As notícias da guerra na Terra
d) Caos
e) A chegada a um novo Planeta


3 - Detalhe cada etapa em acontecimentos-chave

Agora abrimos cada uma das etapas em acontecimentos menores.

Exemplo

a) Apresentar o protagonista e sua realidade na nave-colônia
    - O protagonista em seu trabalho como engenheiro de manutenção da colônia
    - A realidade da colônia: sociedade, famílias, modo de vida e valores.
b) A previsão catastrófica que se espalha como um boato
    - Um conselho de cientistas, estarrecido pela previsão do novo computador
   - O relatório com o desastre passa de mão e mão na alta cúpula de cientistas que governam a nave-colônia
    - O vazamento da notícia
c) As notícias da guerra na Terra
    - Protagonista tenta contato com os amigos deixados para trás
    - Chegam notícias de que os conflitos na Terra explodiram em uma guerra de proporções planetárias
d) Caos
    - O pânico se tornando generalizado
    - Os governantes da nave tentam acalmar a população, com pouco efeito
    - Engenheiros são convocados para ajudar a controlar a situação, visto que são poucos os agentes de segurança existentes na nave-colônia
    - Uma verdadeira guerra civil se instaura dentro da nave
    -  Medidas extremas para conter o caos são tomadas
e) A chegada a um novo Planeta
    - Mesmo com a perda de mais da metade da população, a nave-colônia chega a um novo Planeta
    - Apesar das tentativas de contato com a Terra, a nova colônia planetária não mais consegue respostas do Planeta-mãe.

Comentários: Talvez vocês, assim como eu enquanto trabalhava nesta etapa do exemplo, tenham notado que algumas coisas parecem não se encaixar com perfeição no seguimento da trama. Isso é natural e até desejável. Em uma etapa mais à frente da estruturação iremos tratar destes casos.

4 - Se possível, detalhe ainda mais

Esta etapa é fundamental para enredos longos, de noveletas e romances propriamente ditos. Em contos não é possível um detalhamento tão grande, até porque o objeto (o conjunto total do enredo) é muito mais limitado e o espaço para desenvolver o mesmo também. Porém dê bastante atenção para este enredo


5 - A lista de cenas

Aqui é onde irão ser enumeradas todas as cenas. Atenção para o tamanho das descrições de cada cena. É interessante que cada cena seja resumida em uma frase simples ou um par de orações coordenadas. Deixe os detalhes para uma etapa mais à frente e foque-se no conteúdo central e valor de cada cena para a construção do enredo como um todo.

Exemplo: Para criar a lista de cenas apartir de uma lista bem detalhada de acontecimentos é até bastante simples. A grosso modo basta perceber quais linhas devem ser mescladas e fazê-lo e, o restante, transcrever do modo como foram feitas a princípio

Lista de cenas - Conto sci-fi

01 - O protagonista em seu trabalho como engenheiro de manutenção da colônia
02 - A realidade da colônia: sociedade, famílias, modo de vida e valores.
03 - Um conselho de cientistas, estarrecido pela previsão do novo computador & O relatório com o desastre passa de mão e mão na alta cúpula de cientistas que governam a nave-colônia
04 - O vazamento da notícia
05 - Protagonista tenta contato com os amigos deixados para trás & Chegam notícias de que os conflitos na Terra explodiram em uma guerra de proporções planetárias
06 - O pânico se tornando generalizado
07 - Os governantes da nave tentam acalmar a população, com pouco efeito
08 - Engenheiros são convocados para ajudar a controlar a situação, visto que são poucos os agentes de segurança existentes na nave-colônia
09 - Uma verdadeira guerra civil se instaura dentro da nave & Medidas extremas para conter o caos são tomadas
10 - Mesmo com a perda de mais da metade da população, a nave-colônia chega a um novo Planeta
11 - Apesar das tentativas de contato com a Terra, a nova colônia planetária não mais consegue respostas do Planeta-mãe.

Observação: em sublinhado estão cenas que acabaram sendo fundidas nesta etapa.

6 - Analisando a fluidez das cenas de acordo com os objetivos

"Nem tudo precisa ser mostrado" é a máxima que rege esta etapa do desenvolvimento. Este é o primeiro ponto de crítica que se fará a respeito do enredo que está sendo construído. Tudo o que estiver "a mais" deverá ser cortado para que uma nova versão, mais refinada, da lista de cenas surja.

Exemplo: desde que comecei a estruturar essas cenas percebi que essa parte relacionada à Terra não estava combinando com o restante da trama. Acredito que seja melhor retirar essas partes e deixar apenas alguma citação breve através do protagonista. Isso também dizendo respeito ao final do enredo. É preciso dar menos espaço a essa distância da Terra graças à misteriosa guerra e focar-se mais nas angústias e frustrações do protagonista que ao final da história irá perceber que jamais seus anseios serão realizados.


7 - A segunda versão da lista

Depois de analisada e repensada, a lista de cenas está pronta para ser refinada, em algo mais coerente com a proposta inicial.

Atenção: em enredos longos é provável que seja necessário repetir algumas vezes as etapas de análise-corte e construção de novas listas de cenas. O importante é chegar o mais próximo possível do ideal.

Exemplo:

01 - O protagonista em seu trabalho como engenheiro de manutenção da colônia. Citar guerra na Terra  &  A realidade da colônia: sociedade, famílias, modo de vida e valores.
02 - Um conselho de cientistas, estarrecido pela previsão do novo computador & O relatório com o desastre passa de mão e mão na alta cúpula de cientistas que governam a nave-colônia
03 - O vazamento da notícia
04 - O pânico se tornando generalizado
05 - Os governantes da nave tentam acalmar a população, com pouco efeito
06 - Engenheiros são convocados para ajudar a controlar a situação, visto que são poucos os agentes de segurança existentes na nave-colônia
07 - Uma verdadeira guerra civil se instaura dentro da nave & Medidas extremas para conter o caos são tomadas
08 - Mesmo com a perda de mais da metade da população, a nave-colônia chega a um novo Planeta
09 - Protagonista em sua nova rotina trabalhando para o estabelecimento no novo planeta. Suas reflexões sobre a impossibilidade de retornar.

 Comentário: em sublinhado as mudanças relacionadas ao que mencionei que deveria ser excluído, no tópico anterior. Percebam também que ouve outra fusão de cenas.

8 - A "Passagem de Cenas"

A Passagem de Cenas aqui citada é inspirada diretamente no procedimento conhecido como "Passagem de Cenas Expandida" onde cada cena antes enunciada como uma frase curta é desmembrada em alguns parágrafos, contado de forma resumida como irá se dar o desenrolar da cena. É aconselhado que cada cena seja adaptada para pelo menos meia página de escrito.

Em particular também acrescento um cabeçalho com informações da cena em questão como POV (point-of-view), objetivo da cena e, em alguns casos, qual "tom" a mesma deve passar.

Para o exemplo irei destrinchar apenas uma das cenas do conto que estruturamos neste exemplo para a postagem.

Exemplo

01 -  O protagonista em seu trabalho como engenheiro de manutenção da colônia. Citar guerra na Terra  &  A realidade da colônia: sociedade, famílias, modo de vida e valores. 
Objetivo: Apresentar Protagonista e detalhes daquela sociedade
  * Protagonista indo para seu trabalho diário de engenheiro;
  * Protagonista passa por vários setores da nave no caminho. Aqui ele explica sobre a estrutura daquela sociedade;
  * Protagonista encontra com um colega também engenheiro. Ele sabe que o amigo perdeu a família ainda na Terra. Seus pensamentos são levados à Terra e ele cita a situação difícil que o Planeta-mãe estava quando partiram;
   * Protagonista começando a fazer seu trabalho diário de manutenção dos sistemas que mantém a vida de toda a nave-colônia
[Fim da cena]

Agora sim, tudo pronto

Com a Passagem de Cenas, seja a mais tradicional até uma versão simplória e improvisada em mãos é possível declarar que já se tem toda a estrutura de um enredo em mãos.

Uma observação importante é: NADA É ABSOLUTO, ainda mais falando de ficção. É bem provável que nas primeiras vezes em que se for tentar desenvolver uma narrativa apartir de uma estrutura organizada se encontre vários pontos que precisem ser alterados na execução para que o enredo não se perca dos objetivos, ou não dê destaque demais a personagens secundários em desfavor do protagonista. . .  Enfim, toda a sorte de mudanças podem ser necessárias e devem ser feitas durante a execução. Nenhuma estrutura, por mais bem pensada que seja, é um mapa absoluto para o sucesso de uma ficção, mas sim um guia que irá ajudar o autor a não chegar a pontos onde se perguntará "e agora? O que acontece a seguir?".

Mas cadê os personagens?

Sim, você deve ter notado que não foi citado em nenhum momento o trabalho necessário para elaborar e aprofundar os personagens que irão dar vida ao enredo ficcional elaborado.

Essa "falha" foi proposital e o motivo é simples: Personagens são um tópico fundamental e extremamente complexo da ficção, portanto necessitam ser tratados e analisados em sua elaboração em um momento separado. Neste artigo cabe apenas deixar claro que o desenvolvimento da estrutura do enredo deve caminhar praticamente em paralelo com o desenvolvimento dos personagens para que esses dois elementos acabem não se tornando pouco associados, o que criaria uma estranheza enorme tanto na hora de escrever quanto depois, quando tal enredo fosse mostrado a um leitor.

Futuramente iremos tratar aqui no Creative 1000% sobre a parte teorica e prática do desenvolvimento de Personagens, pois este é um ponto fundamental da Ficção.

Finalizando

Gostaria de fechar este artigo apenas relembrando que esta metolodia é fruto de conhecimento empírico, fortemente apoiada sobre estudos de técnicas já consagradas nos meios literários e cinematográficos. Acredito profundamente que o bom de conhecer metodologias de outros artistas seja exatamente para poder refletir e aperfeiçoar suas próprias técnicas. E é com este intuito que apresentei neste texto com a maior clareza possível minha metodologia "padrão" de trabalho. Nem sempre sigo meus próprios métodos, mas esta sistemática é sempre um norte interessante para referenciar-se.


Lilian K. Mazaki

quinta-feira, 5 de março de 2015

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A megalomania literária

Originalmente publicado no blog Creative 1000% em 19/09/2014

É bem recorrente em fóruns e grupos de aspirantes a escritores espalhados pela internet encontrar jovens autores fazendo o seguinte tipo de comentário: "Tenho XX anos (menos de 25 ou 20) e nunca escrevi nada, mas tenho uma série de Z (acima de 5 ou mesmo 10) livros em mente. Como faço para escrevê-los?". Esse tipo de pensamento é comum em pessoas com pouca experiência prática no ofício literário (literalmente a labuta de escrever) que reflete uma enorme falta de preparo para tal empreendimento e, além disso, é uma janela imensa para fracassos e frustrações.

Mas, afinal, o que tem de errado em querer começar a carreira literária escrevendo uma longa série de ficção?


A "Megalomania Literária"




Primeiro ponto negativo é psicológico. Um potencial autor cria um universo de fantasia maravilhoso, deslumbrante e logo começa a enumerar a quantidade de livros que precisaria para apresentar esse universo de modo completo ao leitor. Imagina-se sendo ovacionado e adorado por seus fãs, participando de noite de autógrafos e, quiça, negociando os direitos para um filme em Hollywood! Porém, em meio a toda essa euforia o aspirante não se dá conta de algo simples, mas fundamental nesse processo: escrever é um trabalho demorado e penoso.

Não que todos os autores, publicados ou não, não possam se permitir esses momentos de devaneio, muito pelo contrário. Mas, encher-se de ansiedade a respeito de uma obra tão grandiosa sem sequer ter começam a tirá-la da mente para um rascunho que seja pode ser uma armadilha.

Uma vez que o autor desperte do seu sonho e se veja diante de um desafio tão gigantesco e urgente (afinal, se ele não começar a escrever AGORA não irá viver o bastante para ver toda a sua fama prosperar) ele provavelmente irá TRAVAR por completo antes de escrever a primeira frase do primeiro esboço de conto sobre seu maravilhoso universo.

O segundo ponto negativo é logístico. Escrever um livro é uma atividade que exige uma quantidade bastante volumosa de subsídios para se tornar realidade:  tempo e esforço podem ser conceitos abstratos, mas são a matéria-prima do trabalho literário e são um custo para o autor. Uma pessoa que diz que quer estrear escrevendo uma série de, por exemplo, 10 livros correlacionados provavelmente não faz ideia da quantidade de tempo e desgaste mental necessários para terminar uma única obra, quem dirá 10 obras com enredos interligados.

Um autor inexperiente, em praticamente todos os casos, não tem técnica o suficiente para lidar com um único enredo, muito menos com diversos enredos entrelaçados.

Um aspirante não tem, em sua maioria, conhecimento do próprio ritmo de trabalho, nem noções de organização pessoal para lidar com a produção de uma obra.

Boa parte dos escritores de primeira viagem não conhece técnicas para otimizar sua rotina de trabalho para uma obra ou, em casos ainda piores, rejeitam essas técnicas por acreditarem que "sistematizar meu trabalho é matar toda a alma da minha obra."

Ou seja: Escritor aspirante (e mesmo boa parte dos escritores já experientes), não se comprometam com uma série imensa como seu caminho principal na carreira literária.



"Mas eu sou uma pessoa criativa, não posso evitar criar universos maravilhosos e gigantescos."




Criar, a nível conceitual, universos de ficção complexos é um exercício apreciado por autores de fantasia e ficção-científica (o chamado Worldbuilding). É uma atividade, até certo ponto, muito prazerosa e proveitosa para a mentalidade do autor. Ter que repensar regras físicas, sociais ou espirituais de uma realidade imaginada pode ser um caminho para compreender como essas questões são construída na nossa própria realidade.

Porém uma coisa é criar conceitos e outra, muito diferente, é escrever uma série de livros. É preciso separar o senso de criação do senso prático como escritor. Os problemas de comprometer-se com uma série são muitos e podem levar a frustrações enormes.


Como lidar com a Megalomania Literária?




Não há como passar uma receita única de como resolver esta questão, mas irei deixar aqui meu toque opinativo, levando em conta as experiências que já tive na produção literária. Em suma:

- Crie um universo do tamanho que for, MAS, pense em um livro de cada vez;

Se seu primeiro livro, com enrendo redondo, fechado em si mesmo, dentro deste seu universo der certo, ou seja, for publicado (por editora, de maneira independente ou mesmo de graça na internet) e conquistar uma base de fãs, mesmo que pequena, AI SIM você começa a trabalhar no seu segundo livro, ou, num toque mais ousado, uma trilogia nova dentro desse seu universo ficcional.

Escrever é um ofício e o autor despende dos seus bens mais preciosos para isto: tempo e raciocínio, então é preciso inteligencia para não jogar estes preciosos recursos no vácuo da inutilidade.

Outro ponto interessante a destacar aqui: Não adianta de nada escrever 14 livros quem ninguém nunca leu. Para que serve você falar de números invejáveis se você tem menos leitores do que obras terminadas?

Mais uma vez é a questão de ser inteligente com sua carreira. O resumo deste artigo é: Seja realista e dê um passo de cada vez.


Lilian K. Mazaki

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

(Re)Começando com o MM

Olá a todos! Eu não disse que voltava logo? Vocês também devem ter percebido que as coisas mudaram só um pouco (totalmente) na aparência e organização do blog, não? Pois é, tudo isso tem um motivo:

Estou de volta, bitches! Simples assim.


E, além de estar de volta, estou adotando um novo pensamento e modo de levar o blog, totalmente inspirado no que tentei fazer logo no começo, mas acabei mudando na época.

De agora em diante o Mundo Mazaki não é apenas um "blog de anime/mangá". Aqui também terá espaço para Literatura, alguma coisa de outra formas de Cultura e Entretenimento. Além disso o meu outro blog, Creative 1000%, passa a ser uma outra parte deste espaço aqui. Isso significa que irei trazer Contos, Minisséries, Ilustrações, e Artigos mais aprofundados sobre Produção Literária e Escrita Criativa.

Só quem ainda não vai voltar é o Bouken-Ni, por enquanto. Eles estão lá no blog deles, em hiato, esperando eu me livrar de outras coisas para voltar a produzir. Mas, pra dar um gostinho, vou postar sempre que possível alguma imagem :3

Enfim, é ótimo para mim estar de volta a este espaço, oficialmente. Acho que uma mudança bem radical no visual e pensamento do blog era o que eu precisava para me sentir "em casa" neste espaço mais uma vez.

Continuem por aqui, pois esse ano as coisas vão ser ótimas!

Até logo!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Divulgando projetos: Amigo Otaku

Olá a todos!

Cá estamos, hoje para fazer uma rápida divulgação de um projeto que acabou chegando até mim através do twitter.

Trata-se do Amigo Otaku. Um site com diversas propostas, entre uma delas uma que me pareceu bastante interessante: a publicação gratuita de light novels originais. Vários trabalhos já estão sendo divulgados através deste site. Vale a pena a conferida por todos que apreciam as LNs.

http://www.amigootaku.com/
Home page do Amigo Otaku - clique para acessar o site

Apesar de tratar-se de uma iniciativa amadora, em termos editoriais, o projeto como um todo tem um lado muito benéfico. Afinal, para quem quer passar de apenas consumidor de conteúdo para criador, um empurrão camarada é sempre bem vindo. Os staffs do site também disponibilizam artigos com algumas dicas sobre criação e elaboração de roteiro que pode ser uma mão na roda para quem está conhecendo o assunto agora. O Amigo Otaku ainda conta com

Em alguns pontos o Amigo Otaku tem suas semelhanças com o projeto que participo, o Nupo. Em ambos os casos temos autores que desejam crescer e aprimorar seus trabalhos, unidos em torno de uma unidade, buscando força em meio a esse mundo tempestuoso que é a internet e o entretenimento. Provavelmente por isso acabei criando simpatia imediata pelo AO.

Fica aqui registrado meu apoio ao pessoal do Amigo Otaku. Como fã de literatura e também escritora, só posso desejar todo o sucesso para o projeto e seus autores. Confiram o site dos caras e confiram algumas das histórias ali publicadas.


Por hoje é só, mas logo estou de volta. Achavam que iam ficar livres da tia Mazaki é?
Matta ne!

domingo, 4 de janeiro de 2015

Comentários sobre a Henshin Mangá #1

Olá a todos!

Começando o ano de 2015 com o retorno dos comentários de mangá aqui no Mundo Mazaki. Para começar temos a primeira edição da antologia Henshin Mangá, da editora JBC pelo novo selo Ink Comics. Essa edição trás a compilação dos vencedores do primeiro Brazil Mangá Awards, concurso nacional realizado entre 2013 e 2014. Autores novatos em one-shots autorais. Vamos dar uma passada em cada uma das obras, comentando seus principais acertos e erros. Será que os quadrinhos produzidos no Brasil estão evoluindo? Vamos tentar descobrir essa resposta nas páginas dessa publicação.




Quack - por Kaji Pato

Baltazar, o humano, e Colombo, o pato, (Adventure Time?) acabam se perdendo em meio a um local desconhecido para o restante do mundo. Um local onde as plantas e animais são diferentes do que conhecemos e onde os dois companheiros de aventura passarão por vários desafios.

Arte: No quesito visual "Quack!" tem um estilo de traço que chega a ser rústico, mas de muita qualidade. A qualidade oscila entre bom e regular em alguns quadros. Os cenários são muito bem trabalhados dentro do estilo proposto pelo autor e a arte-final também segue essa linha mais bruta de arte.

Pessoalmente me agradou bastante. A arte que o autor apresentou nessa obra tem personalidade e remeteu, a mim, a Dragon Ball em seu início e Dr. Slump. Uma pegada mais comédia, levemente poluída, mas condizente com o enredo que se tentou apresentar.

Roteiro: Infelizmente na parte de história o autor não teve o mesmo mérito da arte. A trama inicial é focada na busca de Baltazar e Colombo pelo combustível para seu avião, mas depois passa a ser apenas o recorte de parte de sua aventura interminável. 

Logo o objetivo inicial se perde em meio a repetição da mesma piada ao longo de todas as páginas do enredo: "Colombo tira sarro de Baltazar em cenário exótico". No começo é legal, afinal é assim que entendemos quem são os personagens, porém esse mesmo esquema é repetido a exaustão, sem nada acrescentar ao que deveria ser fundamental - o enredo. 

Cenário, apesar de bem desenhado, me causou confusão: Uma floresta, um deserto, uma pradaria, uma floresta. . . Em certo momento Baltazar fala em "ilha", mas em nenhum momento antes o local havia sido referido como uma ilha, no máximo como "Um local próximo ao velho continente". Talvez seja uma confusão minha, mas de fato achei estranho.

A intenção do autor pareceu a de construir um plot para uma série longa. Isso seria ótimo se não fosse o fato de que "Quack!" deveria ser uma one-shot fechada para o concurso. É possível sim criar algo fechado, mas que deixe brecha para continuações ou mesmo uma versão como série, porém este objetivo não foi alcançado nesse one-shot.


Avaliação Geral: "Quack!" é bom nas artes, mas bastante fraco no equilíbrio do roteiro. O autor mostrou bastante potencial na obra. Não sei se a intenção do autor, Kaji PATO, é a de seguir com essa história em formato de série e tenta emplacá-la futuramente. Eu, como leitora e pretensa escritora-roteirista, não recomendaria isto. Como leitora, fico curiosa para ver se as tramas de Baltazar e Colombo poderiam render algo interessante.

Pessoalmente tenho minhas ressalvas ao autor, em especial por motivos extra-quadrinhos que é melhor não citar aqui. Mas ficam meus votos e torcida para que, com mais experiência e maturidade pessoal e artística, Kaji Pato ainda venha a trazer ótimas histórias para os leitores brasileiros.


Crishno: O Escolhido - por Francis Ortolan e Lielson Zeni

Crishno é o Escolhido. Ele irá salvar a humanidade da ameaça dos terríveis monstros-árvore que estão devastando tudo. Será que ele terá sucesso nessa sua batalha?

Arte: Confesso que a arte de Crishno não me agradou em gosto, porém é uma arte bastante equilibrada em sua proposta. Durante a leitura acaba-se percebendo que o estilo visual empregado foi pensado para ser dessa maneira. A narrativa visual é mediana, mas consegue passar bem os acontecimentos.

Há quem torça o nariz para o visual desta e de outras histórias da coletânea por "não serem mangá". Penso diferente. Nossa cultura foi formada e influenciada por muitas outras. Creio que seja natural que em termos de desenho e quadrinhos esse mesmo fenômeno aconteça. Pessoalmente prefiro estilos mistos como de Crishno a traço perfeitamente nipônicos que fiquem se personalidade própria. Arte é isso, é desconstrução e reconstrução de conceitos e valores por cada um. Evidenciar as múltiplas influências nos traços dos quadrinhos é um reflexo super positivo dessas fusões de culturas.

Roteiro: Aqui, mais uma vez, é onde as coisas não ficam tão boas. Apesar de ter uma estrutura fechada, Crishno acaba parecendo muito vazio em sentido durante todas as páginas. Quem é esse Crishno? O que são aquelas criaturas que o perseguem? São monstros? Alienígenas? Por que eles estão atacando o protagonista e depois a vila onde ele se encontra? Pelo visto as pessoas já sabiam bem da existência daquelas criaturas. Porém, se essa fosse uma ameaça real a Humanidade, as coisas não estariam numa escala bem maior? Autoridades estariam caçando essas criaturas. . . Ou não? Ou será que já foram todos destruídos e aqueles são os últimos sobreviventes?

Enfim. . . 

Uma sacada inteligente no final não salvou o enredo, na minha visão. Se tem uma coisa que aprendi estudante roteiro é que uma boa ideia não faz um bom enredo, mas sim uma série de boas ideias bem encadeadas.

Avaliação Geral: "Crishno: O Escolhido" (eu erro todas as vezes que tento escrever esse nome) é bastante regular e pouco interessante. Isso se deve principalmente pelo roteiro, apesar da arte compartilhar desse resultado. O mérito é conseguir fazer algo que seja conclusivo, mesmo que deixando inúmeras dúvidas no ar. Aos autores desejo melhor sorte em desenvolver os argumentos de futuros projetos. Vocês foram bem, mas podem, e precisam, crescer bastante artisticamente para conseguir emplacar algo que seja marcante para o leitor.


[Re]Fábula - por Nameru Hitsuji

[Re]Fábula brinca com o mito da criação dos horóscopo chinês, criando uma sequência para esta história milenar. Em uma segunda corrida dos bichos, Deus e o Imperador querem unificar os horóscopos do mundo inteiro. Rato e Gato, que se tornaram inimigos mortais após o desfecho da primeira corrida, agora tem a chance de acertar as contas.

Arte: o traço de [Re]Fábula é ótimo. Bruto e um tanto poluído, mas que tem consistência e cria uma atmosfera até agressiva para um enredo que a princípio se imaginaria sendo bem mais fantasioso e leve. As cenas de luta acabam sendo um tanto confusas, mas não ruins. As caracterizações como humanos dos animais estão boas, destacando o Rato como a antropomorfização mais bem feita da obra. A distribuição dos quadros às vezes se atrapalha, mas ousa bastante, tendo seu mérito com isto.

O que mais posso dizer? Eu, como leitora, gostei bastante do visual e estilo do autor. É consistente, sem fraquejar. Infelizmente a página dupla não é boa. As artes super-poluídas passam um pouco do ponto e o título acabou engolido pela cola da revista, por ficar exatamente no meio das páginas.

Roteiro: Uma trama com início, meio e fim bem estruturados. Uma introdução um pouco cansativa, mas que consegue explicar o cenário no qual vamos nos deparar no restante do enredo. A ideia é simples e se desenvolve sem rodeios, chegando à conclusão com um mínimo de precipitação. Ou seja, o autor demonstrou um grande controle sobre a história que queria contar e isso é elogiável.

Apesar de tantos pontos positivos, [Re]Fábula também cometeu alguns erros em termos de roteiro. Golpes estranhos e dinâmicas que poderiam ser melhor trabalhadas no embate entre Gato e Rato. Algumas colocações desnecessárias que só geraram pontos sem explicação. A página final, com o novo horóscopo não foi a melhor escolha do autor. Ele poderia ter colocado os signos sem os textos que teria sido bem mais limpo e interessante. Falhas menores que não chegam a comprometer o trabalho como um todo.


Avaliação Geral: "[Re]Fábula" tem uma arte muito boa e uma história que soube se contar, apesar de alguns detalhes. Dou meus parabéns ao autor, Nameru Hitsuji, e desejo-lhe muita força e sucesso no seguimento da sua carreira que só está no comecinho. Com determinação tenho certeza de que ainda irá impressionar com seus trabalhos.


Entre monstros e deuses - por Pedro Leonelli e Dharilya

Louvre é um pintor e restaurador que vai a um templo semi-destruído para trabalhar no seu reparo, porém as coisas saem da normalidade quando ele encontra a entrada para um porão que não deveria existir naquele lugar. . .

Arte: os traços de "Entre monstros e deuses" é muito peculiar e rebuscada. Com muita consistência e personalidade, a obra é muito boa de apreciar visualmente, devido à riqueza de elementos presentes nos quadros compostos de molduras que se surgem em várias páginas. Também existe no enredo a brincadeira da mudança de estilo no mundo real e sobrenatural que pode confundir um leitor desatento, mas que é bastante enriquecedora para quem aprecia com detalhe. Creio que esta seja o maior problema do lado visual da obra. Algumas passagens são quadrinizadas de modo confuso, especialmente no começo. Creio que grande parte do público vá, infelizmente, não ter a paciência de ler a obra graças ao tom carregado da sua arte.

Roteiro: a história é bem mais séria do que todas as outras apresentadas na coletânea, falando de guerra e da mudança dos cultos aos deuses através da imposição. Em meio a este cenário temos o protagonista, um artista, que se vê emboscado pelo desafio de uma deusa agora transformada em demônio pela nova religião, e precisa fazer uma pintura que agrade a antiga divindade para não ser amaldiçoado. Porém as coisas não saem como esperado e o desfecho é poético e trágico ao mesmo tempo.

Nos comentários dos jurados é possível perceber que a versão da obra que foi publicada não foi a mesma submetida na seleção inicial do Brazil Mangá Awards. Pelos comentários do jurado que mais pode demonstrar suas críticas nesse volume, Arnaldo Oka, imagina-se que o roteiro era muito mais falho, sendo bastante aprimorado nesta versão que chegou ao público.

Avaliação Geral: Confesso que não tinha conseguido voltar minha atenção para "Entre monstros e deuses" até ter que lê-lo para fazer estes comentários e penso que isso foi graças à arte muito escura e pouco icônica dessa obra. Porém, ao ler essa obra tive a feliz surpresa da qualidade apresentada. O enredo se fecha em si de maneira perfeita e a história trabalha com elementos pesados como guerras, assassinatos e religiões sem medo. Creio que a arte deveria ser mais clara e limpa nos tons da "colorização em cinza" da obra, mas fora isso, foi uma execução muito bem feita (mesmo na segunda tentativa). Meus parabéns aos autores!


Starmind - por Toppera - TRP e Ryot

Artie era incapaz de tirar boas notas na escola (também pudera, que matéria é aquela que ele está estudando?!) e isso o deixa muito frustrado. Seu sonho é ser super-inteligente. Esse desejo se torna realidade quando uma estrela cadente vem o seu encontro, tornando-o Starmind. . .


Arte: o estilo básico da história é muito bem construído. O problema são as mudanças intencionais de traço que, na minha opinião, são exageradas e mal colocadas. A função delas é ser


Roteiro: A história é meio sem pé nem cabeça. Começa muito interessante, com a dificuldade de Artie com as matérias absurdas que tentam ensinar na escola (será uma escola de super-gênios e o garoto é o único ser normal no meio da genialidade? Não é o que parece, mas seria a única explicação. . .), mas depois extrapola para o nonsense quando Starmind começa a bater em todos para torná-los inteligentes. É engraçado e rápido, mas bastante bobo também. O vilão é aparentemente um morador de rua imundo que não quer aprender qualquer coisa na vida. Ele é um porcalhão que tem uma camada protetora construída com a sujeira que se acumula no seu corpo. A conclusão é simplória, mas pelo menos tenta fechar a trama.

Avaliação Geral: Creio que "Starmind" ficou com o primeiro lugar do BMA por ser simples, engraçado e rápido. É esse o tipo de leitura que os editores acreditam ser mais fácil de vender e por isso é o melhor. Uma trama episódica que poderia ser só um capítulo de uma série sem qualquer ordem cronológica dali em diante que não faria diferença alguma. Simples e o que mais agradou os jurados. Fico curiosa em saber o que os autores ainda podem produzir no futuro.


Sobre a Henshin Mangá #1 e o BMA 2013/2014





Creio que foi bastante difícil para a equipe por detrás do Brazil Mangá Awards fazer a seleção e trabalhar as obras para a publicação definitiva. Creio também que os jurados tiveram que omitir muita coisa do que realmente poderiam dizer a respeito das obras, por se tratar de um concurso para amadores. Depois de todos os percalços dessa primeira edição do concurso, é possível que seja muito mais fácil coordenas novas edições do mesmo.

O projeto do Brazil Mangá Awards e da Henshin Mangá são excelentes. Estamos vivendo um momento propício para o desenvolvimento firme dos quadrinhos brasileiros e projetos como este são fundamentais para incentivas os novos autores a colocar a mão na massa e produzir seus primeiros trabalhos.

Infelizmente ainda estejamos tropeçando no mesmo ponto que tropeçávamos a mais de dez anos. Lembro da revista "Desenhe e publique mangá" número dois (creio que a última, ou penúltima) que por algum milagre chegou as bancas em Manaus. No editorial daquela publicação a então roteirista de boa parte das histórias, Eddie Van Feu, comentou exatamente aquilo que hoje, tantos anos depois, ainda vemos na edição número um da Henshin Mangá: temos muitos desenhistas de qualidade, porém roteristas. . .

Tenho a convicção de que um bom quadrinho depende muito mais do roteiro do que da arte. Claro, é ótimo poder pegar um título com um traço belíssimo, que nos faz passar horas admirando cada quadro, personagem e cenário. Porém os autores precisam dar mais atenção ao que realmente preenche as páginas de um quadrinho: a história. Todos estão ainda muito focados nos estágios mais externos da arte sequencial (fazendo aqui uma alusão ao esquema proposto por Scott McCloud em seu "Desenvendo os Quadrinhos"). 

É preciso ir mais à fundo. Contar histórias melhores. Não necessariamente histórias mais complexas e rebuscadas, isso é ladainha pra crítico ver. Falo aqui de histórias que podem ser simples, mas ao mesmo tempo cativantes, divertidas (Não é à toa o dito "vencedor" do concurso ser Starmind). Seja uma comédia, um drama ou uma história de pancadaria. Não importa se for ambientado no Brasil, ou Japão, ou na Lua, Marte, Netuno. . . (Make Up!). O importante é ser bem feito.

Queria concluir desejando mais uma vez sorte e força aos autores premiados, aos menção honrosa e também aos não selecionados. Todos são vencedores por produzirem conteúdo cultural e todos podem conseguir muito mais com esforço, estudo e perseverança. Que o BMA e a Henshin Mangá continuem e incentivem cada vez mais pessoas a colocar seus sonhos nas páginas de seus quadrinhos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Comentários sobre Lúcifer e o Martelo #01

Olá a todos!

Hoje trago ao Mundo mais um comentário a respeito de um mangá lançado a poucos meses no Brasil sobre o qual eu não tinha O MENOR CONHECIMENTO do enredo até começar a leitura. Foi a curiosidade, as indicações de conhecidos e o instinto que me levaram a descobrir Hoshii no Samidare, ou, Lúcifer e o Martelo, como ficou na tradução da editora JBC.

Lembrete de sempre: este post é uma análise pessoal, parcial e baseada na experiência empírica da leitura do primeiro volume de Lúcifer e o Martelo. Caso você não aprecie textos opinativos parciais desaconselho que prossiga com a leitura. Talvez bulas de remédio sejam mais indicadas para quem busca informações imparciais.

Agora, vamos ao mangá!



Capa da edição brasileira (divulgação)



O Plot

Yuuhi Amamiya é um jovem comum, de 20 anos, que vive sua vida evitando criar laços com outras pessoas. Tudo muda no dia em que ele acorda com um lagarto sobre ele e o mesmo começa a explicar uma trama absurda sobre proteger uma princesa e salvar o mundo da destruição. Apesar da negação inicial, Yuuhi é convencido pela jovem Samidare, a princesa, a ajudá-la a destruir o Biscuit Hammer e, depois disso, ajudá-la a enfim destruir a Terra.

Talvez ter ido ler este mangá sem qualquer conhecimento anterior do enredo, nem mesmo de seus traços básicos, tenha sido a chave para minha total perplexidade, no sentido positivo, diante desta história. Diversas vezes durante a leitura parei para exclamar ao ar "caramba, não esperava por uma história assim!". Com o decorrer das cenas essas exclamações foram apenas ganhando mais força, pois não é apenas no aspecto de enredo que a obra surpreende, mas também no que toca o próximo tópico a ser destacado: os personagens.



Os Personagens

Um dos pontos altos deste primeiro volume. Os personagens de Lúcifer e o Martelo conseguem fugir de diversos esteriótipos mais comuns, ainda que possa se argumentar que essa fuga faz com que os mesmos caiam em tipos-padrão diferentes, ainda que não menos padronizados.

Yuuhi Amamiya é o protagonista do tipo anti-herói. Ao iniciar a história sua reação é de completa descrença e sua primeira reação quando se vê diante do desafio de ajudar Samidare à impedir que o Bircuit Hammer (a escolha da editora em deixar o nome em inglês me fez ficar em dúvidas sobre este termo) foi a de recusa. Não apenas sua atitude é defensiva e negativista como suas intenções também não são nada nobres. Logo de começo fica bem claro seu desprezo pelo bem estar da humanidade, tanto que ele só se convence a apoiar Samidare por causa da intenção posterior da "princesa" em destruir o mundo que primeiro irá salvar (apesar de acreditar, particularmente, que essa decisão foi já influenciada por uma queda amorosa).

Lorde Noi Crescent, ou "o tal lagarto falante" é o segundo personagem a aparecer e também o mais próximo do protagonista, sendo seu conselheiro e tendo a difícil missão de colocar algum senso na mente negativo e obscura de Yuuhi.

Samidare Asahina é a Lúcifer da trama. Uma jovem com poderes incríveis e que tem como missão destruir o Biscuit Hammer. Porém, diferente do que se esperaria dela, ao invés de ter este objetivo visando a salvação da Terra, na realidade sua meta final é a destruição causada por suas próprias mãos. Ela encontra em Yuuhi um servo fiel a quem protege durante o dia e, no mundo dos sonhos, instiga e até provoca. Neste início de trama fica claro que ainda há muito a se descobrir desta peculiar personagem.

Hisane Asahina, irmã mais velha de Samidare e também professora de Yuuhi na faculdade. É uma jovem mulher de temperamento forte e que não fica muito à vontade com a aproximação do seu aluno com sua irmã, mesmo sem entender os reais motivos por detrás desta nova amizade.

Hangetsu Shinonome é o último personagem apresentado neste primeiro volume do mangá. Trata-se de um segundo cavaleiro (representado pelo animal cachorro) que surge para auxiliar Samidare na busca para deter o Biscuit Hammer. Dono de habilidades de combate extraordinárias logo fica clara sua imensa vantagem em relação às habilidades ainda insipientes Yuuhi. Seu poder deixa inclusive a própria Samidare, até então o único referencial de poder da trama,

A mistura de elementos

Eis aqui o ponto culminante dessa obra, pelo menos no meu ver pessoal. Apesar de um arranjo básico de fatos que poderia muito bem ser encarnado em uma trama típica dos mangás voltados ao público mais jovem, Lúcifer e o Martelo tende a ser um tanto mais denso do que este tipo de obra tem por costume.

Ainda que de forma menos desenvolvida, a ação parece dá toda a dica de que irá crescer em importância no decorrer desta trama.

O sobrenatural é retratado de modo abrangente nesse primeiro volume de Lúcifer e o Martelo. Apesar de não ser de todo original, este aspecto da obra é retratado com bastante personalidade.

A comédia é também uma constante na trama. As caricaturas formadas pelas personalidades tão distintas de cada personagem geram conflitos

Devo aqui confessar que o fator romance (fortemente associado ao item da comédia) foi uma surpresa e alegria enormes ao ler as páginas deste mangá. O protagonista anti-heróico e sua "dona", a quem ele chama de "sua Lúcifer" conseguem despertar a atenção em poucas interações. Terminei minha leitura desse primeiro volume pensando, mais do que qualquer outra coisa, em como esse dois precisam se tornar um par, o quanto antes.

E o mais aflitivo, levando esse ponto em consideração é que, depois de tantas surpresas de construção inusitadas deste primeiro volume, acabei também chegando à conclusão de que esta obra pode vir a surpreender e muito.




Concluindo

Lúcifer e o Martelo foi um achado surpreendente. Por diversos motivos o mangá conseguiu chamar a atenção e capturar com seu enrendo divertido e ao mesmo tempo instigante.

Para mim, em particular, foi provavelmente o melhor achado de mangás em muito tempo. Ainda que tenha retomado meu hábito de compra e leitura dos mesmos com maior intensidade no último ano, ainda não havia encontrado obra a mim inédita que me prendesse com tanta força.

Atualmente com dois volumes em mãos não vejo o momento de aumentar a coleção. Destaco aqui o bom trabalho da Editora JBC com seus volumes que, de uns tempos para cá, mesmo os mais modestos receberam um tratamento gráfico bem agradável sem distanciar-se do seu padrão de produtos acessíveis ao seu público. É notável a mim, que compro mangás de quase todas as editoras a diferença de padrão entre lançamentos de outras e os desta, além de uma diferença brutal entre volumes de alguns anos atrás e os mais recentes.

Enfim, Lúcifer e o Martelo tem sido surpreendente e com certeza está firmado na lista de prioridades de aquisição. Tanto que pretendo trazer comentários a cada dois volumes da obra aqui para o Mundo.

Como sempre, sintam-se à vontade para comentar, opinar e criticar. O espaço dos comentários está aí para isso, e também existe a página de Contato, onde é possível enviar-me mensagens diretamente.

Até breve!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Comentários sobre Assassination Classroom #01

Olá a todos! Depois de mais um período de hiato neste blog ressurjo aqui para fazer tecer alguns comentários sobre um dos mangás que comecei a colecionar recentemente. Trata-se de Assassination Classroom, lançado pelo selo Planet Mangá, da editora Panini.

Vale ressaltar, antes de começar este breve comentário que meu intuito não o de reunir dados ou esboçar opiniões técnicas sobre este mangá (ou sobre qualquer outro que futuramente possa trazer ao blog), mas sim fazer uma análise bastante pessoal e de experiência de leitura. Aqueles que já acompanham meu trabalho aqui no Mundo já estão acostumados a isso, mas sempre é bom ressaltar para possíveis viajantes de primeira escalada.

Enfim, vamos ao tema: Assassination Classroom.



Para começar preciso deixar bem claro que eu não conhecia NADA sobre o plot da história até pouco antes de começar minha leitura. Acabei pegando vagas informações quando comprei o mangá, graças a um comentário de outra pessoa que também nada havia lido do mesmo. Informações básicas que qualquer plot de páginas de referência possui, mas que ainda não havia observado. Para falar de modo resumido seria o seguinte:

Um monstro com aparência bizarra, meio gelatina, meio polvo, destruiu 70% da lua e pretende destruir o planeta Terra inteiro dentro de um ano. Por sua própria vontade ele decide também tornar-se professor da turma E da escola Kunugigaoka. Os alunos dessa turma são os únicos com alguma possibilidade de assassinar essa criatura antes do derradeiro fim do mundo, porém as habilidades espantosas de "Kono-sensei" parecem muito além do que as capacidades de qualquer humano, tornando o desafio muito maior.

Ok, uma idéia estranha, pensei de imediato. Ao começar a leitura, porém, a cada página fui tomando consciência do tamanho da estranheza daquele enredo. Um professor-polvo que vai destruir o mundo? Quais são seus motivos? Por que ele escolheu ser professor de uma turma de "perdidos" antes de destruir a Terra? Por que ele parece se esforçar para ser um bom educador, apesar de todas as circunstâncias que envolvem seu trabalho como docente? Mil e uma questões que este primeiro volume fez questão de NÃO responder.

A certa altura até temos um breve vislumbre do que pode ser a pista para entender a motivação de Koro-sensei (apelido dado pela turma ao estranho monstro que nem nome próprio possuía) para ser professor: uma promessa à alguém na beira da morte(que clichê, né). Ainda que seja algum fragmento de informação é absolutamente pouco próximo de toda a gama de mistérios que se formam no decorrer das páginas dessa introdução.

Agora vamos a parte analítica, começando pelos personagens.

Dentre professor e alunos destacaram-se três figuras neste primeiro volume: o próprio Koro-sensei, o jovem e observador Nagisa e o delinquente com estratégias ousadas chamado Karma Akabane. Em particular dou meus votos preliminares de personagens valoroso para Karma, por ser o mais inteligente e com potencial para cumprir a difícil tarefa de matar Koro-sensei.




Quanto ao próprio alvo de toda essa história, o monstro Koro-sensei, o que posso dizer é que o considerei cômico e odioso ao mesmo tempo, ao ler este primeiro volume de Assassination. É provável que seja exatamente essa a intenção do personagem, divertir com sua estranheza e ao mesmo tempo dar toques de irritação ao leitor por mostrar-se um desafio grandioso (e petulante) demais para os personagens. 

A gama enorme de mistérios envolvendo-o acabaram por me frustrar em alguns momentos. Ainda que seja divertida toda a idéia bizarra de ter que matar um professor-polvo antes que o mesmo destrua a Terra, essa falta de explicações preliminares pode ser irritante para os mais críticos. Acredito que leitores jovens não terão problemas com isto, pois este enredo parece ter sido moldado de maneira precisa para capitar a atenção dessa faixa nos planos frustrados dos estudantes, ao invés de deixá-los divagar demais sobre quais as explicações dessa trama esquisitona.

"Bizarro" e "hilário" são os adjetivos que utilizo, no meu ponto de vista pessoal, para falar deste primeiro volume de Assassination Classroom. Confesso que meu desejo de conhecer mais o enredo não foi tão impulsionado quanto poderia após um volume introdutório. O motivo, como dito antes, são os mistérios em demasia que terminam por me distrair do foco da história.

É muito provável que eu adquira mais um ou dois volumes dessa obra para dar-lhe a chance de me entreter o suficiente para colecionar inteira. O que mais me motiva, neste momento, é a curiosidade de saber se Karma-kun terá melhor sorte em suas próximas tentativas de assassinato.



E é isso. Caso queiram fazer comentários a respeito de suas impressões do mangá, sintam-se à vontade nos comentários. Não me importo com spoilers, mas peço que não estraguem o mistério para outros possíveis leitores do post.

Se for o caso, além de trazer outras análises de primeiros volumes que adquiri recentemente, posso voltar aqui para fazer comentários periódicos, a cada volume das obras. Fica a critério do feedback que estes primeiros textos trarão.

Até breve!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Áudio-post: E eu conheci Sailor Moon

Olá a todos! Chegando o primeiro áudio-post (para não chamar de podcast, por ser curtinho) do Mundo Mazaki! O tema, como explicitado no título, é Sailor Moon. Talvez eu tenha estado muito travada na gravação, mas deem um desconto, era minha primeira vez! (uh-oh!)

Então, apreciem e opinem. Será que devo investir um pouco mais nesse novo formato?


Até breve!

sábado, 5 de abril de 2014

Uma reflexão pessoal sobre os quadrinhos brasileiros

Há uns bons anos atrás, no início dos anos 2000, os mangás começavam a chegar nas bancas. Era o começo de um mercado que só cresceria a partir dali.

Naqueles tempos minha mãe me comprava não apenas os volumes de Love Hina, ou Gundam Wing, mas também outros gibis que acabavam me chamando muito atenção por serem feitos por brasileiros.

Combo Rangers, as coletâneas como a Desenhe e Publique Mangá, além de outros que não entravam tanto no meu gosto pessoal (como o Pequeno Ninja Mangá ou o Psi-Force). Eu acabava comprando todos que pudesse, seja para conhecer, porque tinham preços acessíveis, ou porque realmente gostava. Eu mesma desenhava minhas histórias, ou gravava “cds drama” pra lá de improvisados, colocando em áudio as histórias dos CR. Era uma época bacana, esperar por uma nova edição, mesmo quando a distribuição não ajudava por eu morar bem longe dos grandes centros do país.

Só que, um dia, acabei percebendo que nenhuma dessas edições chegou mais.

Talvez por ser muito nova na época, mas fato é que eu poderia ter entendido desde aqueles tempos o que havia acontecido, graças a um artigo presente no final de uma revista de animes da época (agora já nem me lembro qual era a publicação) onde falava da provável inflação do mercado de mangás que iria ocorrer graças a crescente avalanche de novos títulos.

Se os mangás iriam sofrer com a tal fragmentação do seu público ainda crescente, o que seria então dos gibis brasileiros? Bom, o tempo mostrou bem o que aconteceu: eles desapareceram das vistas dos compradores de banca.

Depois disso se passam alguns anos para que essa história recomece. A popularização da internet, lenta e cara, começou a dar  novas possibilidades para que as publicações de autores brasileiros começassem novamente a poder se espalhar por este país de extensões enormes.

Quanto a mim, por ter um pensamento classicista demais quanto aos meus desenhos, acabei deixando de produzir minhas histórias quando terminei a escola. Foi por um curto período, pouco mais de três anos, mas ainda é um tempo que me arrependo de ter fechado os olhos e ouvidos para a coisa.

Foi aí que surgiu a revista que, na minha vida, só trouxe de bom o fato de me estimular a entrar em contato de novo com quadrinhos brasileiros: A Ação Magazine.

Eu poderia gastar uma milhagem inteira de frases para falar de todos os fatores que eu enxergo na falha empresarial do projeto da Ação, mas não é para isso que estou escrevendo este texto. Eles podem ter falhado como empreendedores, como marqueteiros, empresários, enfim, mas tiveram pelo menos um trunfo: reaquecer os ânimos a muito apagados dos artistas.

Atualmente temos vários projetos (virtuais ou físicos) de quadrinhos de todos os lados. Até mesmo a JBC deu um pequeno espaço para essas produções com o Brazil Manga Awards. E cá estou fazendo “a minha parte”, apoiando projetos que acredito que ainda podem render algo bom, como a Conexão Nanquim. Apoiando veementemente bons trabalhos (como Ledd, Sigma Pi ou o trabalho da Editora Crás) e observando outros projetos que não me agradam tanto como leitora, mas que fazem bem em continuar batalhando (esse é melhor não dar exemplos).
Meus olhos agora são mais maduros, mais críticos e capazes de refletir sobre os diferentes fatores que entram nessa equação. Muita coisa ainda precisa melhorar e nada está seguro para os gibis brasileiros. Ainda existem muitos autores promissores que param de produzir, seja por fatores econômicos, pessoais, ou por simplesmente não saber dirigir bem a própria carreira.

Dando meu palpite de consumidora e pensadora sobre esse tema, eu diria que talvez os jovens quadrinistas brasileiros estão se espelhando no mercado errado para produzir. Grande parte desses artistas que produzir pensando em transformar o Brasil num grande mercado consumidor mainstream, aos moldes do mercado japonês. Com antologias, ou volumes compilados vendendo em bancas e livrarias.

Junto a minha voz a todos os que já dizem isso por aí: o mercado brasileiro nunca vai ser um Japão, ou França, ou Estados Unidos.

Talvez seja meio difícil de entender meu ponto, mas acredito que deveriam se espelhar mais no mercado nipônico sim, mas no mercado indie, dos doujinshis. Não querendo com isso me referir a toda sorte de apelação que os autores de doujinshi usam para vender, mas sim no formato que utilizam. Publicações de até 50 páginas, publicações constantes, organização em feiras de venda desse tipo de quadrinho, tiragens bem modestas que são tiradas dos bolsos dos próprios autores. Um pequeno mercado, auto-sustentável, que pode produzir tantos autores que as editoras poderão selecionar entre um vasto leque de opções, quem irá dar uma chance.

E não ter que escolher os mais passáveis.

Os jovens quadrinistas tem muito à aprender observando o mercado literário brasileiro. Não que este já esteja em um patamar tão elevado, mas com certeza está muitos degraus acima do que galga a passos sofridos os quadrinhos. Mais maturidade, mais seriedade, profissionalismo (que não necessariamente se refere à qualidade de arte) e persistência são necessários nessa jornada.

E, claro, tirar da cabeça a fantasia de que dá pra viver só de arte autoral no Brasil. Mesmo na literatura só uma pequena percentagem dos autores vive apenas desse labor. Fazer arte pelo dinheiro, neste país, é a maior besteira que se pode querer.

Quanto a mim, bom, meu perfil do Blogger é bastante preciso quanto a isso. Sou uma escritora e pseudo-quadrinista. A primeira forma de contar histórias que utilizei foram os desenhos sequenciados e isso ainda é algo que me diverte muito em fazer. Não tenho ambição alguma de fazer girar essa roda a não ser consumindo e espalhando esse pensamento para o máximo de pessoas que puder. Vou estar sempre produzindo minhas histórias e desenhos, mas só pelo fato de ser impossível para mim não o fazê-lo.

Enfim, esse é um texto opinativo, reflexivo, que contém apenas os fatos e entendimentos que tenho, levando em consideração meu conhecimento empírico do assunto. Já faz algum tempo que venho dando mais espaço a este assunto no blog e talvez essa tendência só venha a se prolongar agora que vou colocar as mãos em alguns trabalhos novos. Vamos torcer para que essa “ondinha” não acabe passando e sumindo, como foi a anterior.


domingo, 5 de janeiro de 2014

Jazz Magica - Madoka Magica Doujin CD

Olá a todos! Depois dessa pausa que a correria do final de ano me forçou a fazer em todos os meus projetos online, cá estou de volta ao Mundo para falar de. . .  Madoka Magica! Infelizmente essa pausa me fez perder a oportunidade de comentar sobre o terceiro filme, Rebellion Story, o qual assisti ainda em raw e tive o privilégio de acompanhar o processo de tradução quase em tempo real, aqui no blog. Quem sabe tenha sido apenas uma artimanha do destino para que eu possa trazer conteúdo mais digerido dessa expansão do universo de Madoka para este espaço. Quem sabe.

Mas, falando do tema presente, venho trazer a vocês o mais recente doujinshi CD de Madoka Magica que chegou ao meu poder (agradeço novamente por lembrar de mim nessa, Mei Linwau): Jazz Magica, de Tomato Gummy, uma mistura exata de estilo música e trilha sonora original que resultou em composições de alto nível.



Assim como o "Agedum! Puella Magica!", já apresentado aqui no blog, Jazz Magica é uma composição de fã, inspirada no trabalho de Yuki Kajiura, com um olhar próprio das trilhas mais clássicas da série. A playlist é a seguinte:

1 - Connect
2 - Credems Justitian
3 - Sis Puella Magica!
4 - Decretum
5 - Symposium Magarum
6 - Salve, terrae magicae
7 - Magia
8 - Connect - Saxofone ver.
9 - Magia - Saxofone ver.

Vocês podem escutar o cd completo no Youtube. Recomendo esta playlist onde as faixas estão em ordem reversa, mas. . . estão todas aí.


Para finalizar gostaria de destacar as três faixas que mais me agradaram do albúm. Vamos ao "pódium" de Jazz Magica!

#1 - Symposium Magarum

A música-tema de Oktavia, a bruxa de Sayaka, ficou incrível em sua versão Jazz. Talvez por já ser uma música com o tema mais voltado para instrumentos clássicos, devido a toda a temática presente na história de Sayaka, mas a música ficou muito bem adaptada, sem perder a sua característica sonora.


#2 - Connect

O tema de abertura da série de TV de Madoka Magica ficou muito graciosa neste albúm. A vocal que acompanha o jazz é de alto nível, adoçando a melodia de maneira perfeita.


#3 - Decretum

Originalmente esta trilha é uma das versões do tema da personagem Sayaka, uma trilha excelente. E sua versão em jazz não deixou por menos. Maravilha.


Concluindo

Jazz Magica é mais um dos albuns fanmade de Madoka Magica que traz um alto nível musical. Recomendo sem medo aos apreciadores da trilha original que escutem essas pérolas. 

O bônus fica por conta da ilustração de capa: conseguiram um motivo plausível para colocar elas de ternos! Dentro do fandom mais ativo da Madoka, isso com certeza parece uma boa lembrança da Mafia-Magica!

Como são caprichados esse CDs. No dia que tiver oportunidade, compro todos :)


É isso, 2014 começou no Mundo com clima de PMMM. Tô suspeitando que ainda vou falar muito dessa franquia que tanto gosto por aqui. Até breve!