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Este lugar - Momento 1

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Explicação antes de começar:
Esta é apenas uma pequena estória que estou escrevendo para manter a prática de narrar e encarar o desafio de narrar em primeira pessoa. O texto não está revisado entaum, desculpem-me os erros de português que essa primeira versão vai provavelmente ter.
Agora ao texto!
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Cada lugar parece ter algo diferente de todos os outros. Mesmo quando são semelhantes, ainda assim tem algo que torna aquele e apenas aquele lugar, de fato, aquele lugar. Sim, sei que essas palavras pareceram sem sentido, mas é o melhor que pude pensar enquanto descarregava minhas malas na plataforma, afinal eu estava realmente ocupada com objetos pesados, malas, naquele momento!
                Esta é uma cidade completamente diferente da que passara os últimos anos. Era mais calma e menos populosa do que aquele caos chamado Metrópole, que é onde eu morei os dois anos anteriores. Estava mesmo precisando de uma mudança de ares como essa, tinha mesmo muita sorte de ter que ir para logo naquele lugar mais tranqüilo, mas que sabia que lhe reservaria muitas coisas interessantes.
                Bom, ainda não disse meu nome, mas isso é detalhe, quando alguém pronunciá-lo poderá saber, por hora é melhor nos focarmos nos acontecimentos. Nossa, acabei de chegar numa cidade completamente nova e não faço idéia de onde ficarei! Alias não sei nada sobre aquele lugar, exceto as informações básicas que uma rápida pesquisa na internet me forneceu. Nesses momentos é que me admiro dos tempos modernos, eu poderia reconhecer alguns pontos famosos da cidade sem nunca ter pisado ali. Nunca até cinco minutos atrás, mas posso realmente que acabei de chegar na cidade.
                Quanto tempo será que ficarei por aqui? Será que vou ter algum amigo? Será que me apressarei ou adiarei o Maximo possível a minha saída?
                Como sempre faço ao chegar a uma nova cidade eu parei para escutar durante alguns segundos. Depois que o trem partiu. Não havia silêncio de fato, pessoas andavam de um lado para o outro e mesmo não sendo tantas, fazia barulho. Vozes, rodinhas de malas, passos. Pude sentir o vento soprar gelado pelo meu rosto enquanto estava de olhos fechados. Não tão frio quanto em outros lugares que habitara, mas era ainda assim um notório frio. Depois de um minuto reabri os olhos e respirei profundamente: aquela cidade, aquela simples e pequena cidade do interior. Ali aconteceria alguma coisa que mudaria a minha tão corrida e intensa vida. Nunca tinha sentido aquilo ao chegar em algum lugar, não podia ser efeito de remédio ou da noite mal dormida enquanto viajava. Aquela era uma cidade diferente.
                Peguei minha única mala de rodinhas e a bolsa que levava pendurada ao ombro, não precisei catar a mochila por que nem a havia tirado desde que se preparara para abandonar o trem que adorava sacudir-se durante o trajeto. Nossa, era bom demais poder arrastar aqueles pertences tão pesados, pelo menos era em um chão que não me fazia ter vontade de colocar o almoço para fora. Por falar em almoço eu ainda tinha que comer algo antes de abandonar aquela estação e ir procurar abrigo para a próxima noite.
                Realmente eu já estava acostumada a aquela rotina de mudanças e aventuras que a carreira exigia muitas vezes no Grupo, como uma boa veterana deve ser. Alias, segundo o contato, provavelmente terei que orientar alguém novo no Grupo. Não que eu me incomode com isso, é sempre muito engraçado ver um novo membro descobrindo os métodos incomuns que nosso Grupo com objetivos e metas incomuns usava. Lembro-me perfeitamente quando comecei,  como se fosse ontem, Michele me orientará muito bem, apesar das  piadas e pequenas armadilhas que me colocava apenas para divertir-se. Depois que percebi que aquilo no fundo também fora bom pra mim passei a acreditar que eu tive a melhor orientadora possível. Michele foi definitiva para o rumo da minha carreira na organização afinal, como não ser completamente grata?
                Acho que estou deixando muitas perguntas em aberto para quem está acompanhando desde agora a minha jornada fantástica chamada “vida comum no século XXI trabalhando em algo incomum, porém divertido”. Nossa, se não fosse muito comprido eu diria que este era o titulo da trama, mas deixa, isso não me cabe mesmo. Agora, quanto as questões em aberto, não há com o que se preocupar, já que ainda tem-se muito tempo para descobrir sobre todos esses pequenos detalhes da minha modesta vida. Vida que alias eu sinto que dará uma grande revirada em pouco tempo, não posso esperar para saber o que acontecerá. Estranho não acha? Mas é a minha natureza,  viver o novo.
                Há... se ainda não ficou claro, sou apenas uma jovem mulher de 19 anos chegando a  uma nova cidade para trabalhar e viver. Acho que esse papo de narrar em primeira pessoa dificulta muito para quem acompanha saber algo sobre as características físicas do narrador. Alias, desculpe se estou falando de modo muito externo a realidade da trama, é uma mania muito feia essa minha mesmo, esqueço-me que dar palpite não é trabalho da protagonista. Melhor voltar ao contexto e terminar o primeiro capítulo.
                Arrastei aquela pesada mala cheia de roupas e livros por dois minutos até alcançar o único café que havia naquela morta estação de trem. Se eu fosse uma pessoa impressionável da cidade grande, diria que aquele lugar era assombrado, afinal era calmo e vazio demais, realmente só no interior para existir algo assim:
                - O que vai querer mocinha? – perguntou-me um gentil senhor assim que terminei de depositar minha bagagem ao meu lado. Olhei sua figura e era realmente uma pessoa muito boa.
                - Café e algo pouco para comer. Fico sem fome quando ando de trem.
                - Hoho, certo. Já lhe trago um delicioso bolinho. Tem algum problema em ele ser doce? – realmente pessoas que atendem de modo tão atencioso só podiam existir no interior.
                - Não, pode ser sim.
                Em poucos minutos estava com meu desjejum a minha frente, quentinho e com aparência saborosa. Aquilo era feito na hora? Ainda havia coisas assim? Nossa, os anos na metrópole me tornaram uma besta da cidade grande:
                - Está visitando a cidade mocinha? – perguntou o homem sentando-se na mesinha ao lado da que eu estava parecendo apreciar sua superfície tão limpa.
                - Na verdade estou me mudando a trabalho. Mas como sabe que não sou daqui?
                - Seu modo de falar tem um tom diferente, mais corrido, deve vir da metrópole. Além disso, está é uma cidade pequena, se fosse daqui eu a teria visto andando algumas vezes pela cidade. – explicou o homem deixando-me pensativa sobre as diferenças entre interior e capital.
                - Hmmmm.... entendo.
                Continuei aquela pequena refeição deliciosa em silencio, observando o céu que aparecia pela porta da estação, que estava próxima. Em breve eu estaria lá fora tentando arranjar um lugar para arranjar, me surpreendendo ainda com as diferenças dali para o mundo dos prédios, mas, acima de tudo, ainda esperando ansiosamente pela virada que estava esperando minha vida em algumas daquelas esquinas.
O que posso fazer? É a minha natureza. A aventura.       

Comentários

  1. oi mazaki, gostei do seu inicio... muito bom!.
    aguardo a continuacao.

    beijos..

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  2. Vocabulário rico, fluencia no texto.. ja gostei.. vou acompanhar.. abraços

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