Shoujo Kakumei Utena, ou Revolutionary Girl Utena (nome ocidental) é um anime que pode ser considerado no mínimo polêmico, mas talvez o adjetivo ‘profundo’ lhe coube-se ainda melhor. A obra narra a saga da jovem Utena Tenjou (após pesquisas descobri que o nome dela significa algo como Cálice Acima do Céu, quem sabe algo relacionado a cálice sagrado, não sei, apesar de anos de prática, não sou a melhor com subliminares), uma garota que tem um objetivo muito clichê: encontrar seu príncipe encantado.
De primeira Utena pode parecer realmente um conto de fadas, mas isso apenas uma impressão de quem olha muito superficialmente, porque toda a obra e recheiada desde o começo até o final de coisas muito diferentes das que se espera de um conto de fadas.
Pra começar, Utena admira tanto seu príncipe do passado que QUER SER um príncipe. Veste roupas masculinas da escola e tem uma vida ativa, sendo admirada por todas as garotas e garotas da escola de Ohtori, onde se passa toda a estória. Mas, apesar dessa atitude da moça ela declara abertamente que é uma garota normal, que sonha com um rapaz que deseja encotrar.
A trama que se desenrola depois de acidentalmente Utena conhecer Anthy Himemiya (e estranhamente ganhar a garota como sua noiva em um duelo de espadas!) é completamente diferente de outras estórias que se vê normalmente numa obra que é rotulada como ‘shoujo’. Amor incesto, homosexualismo e uma rede de conspirações cada vez mais grandiosa e aparentemente com poderes ilimitados (diga-se de passagem que todos os ‘Duelistas’ desejam através de batalhas adiquirir o pode de Dios (Deus em grego) para dar inicio a Revolução Mundial) são elementos comuns nessa estória que respira a palavra ‘surreal’ a cada descoberta que fazemos sobre seus personagens.
Seus 39 episódios envolvem aquele espectador que gosta de tramas onde “tudo é muito mais do que aparenta” e afirmo com certeza, se fosse produzido no século 21, com muito mais recursos visuais e sonoros, faria um sucesso igual ou maior do que fez desde seu lançamento.
No Brasil a obra é vista a distância e com desconfiança pelo público otaku, por ser grosseiramente classificada como Yuri, o que é um engano em muitos sentidos, tanto de entendimento da classificação de obras japonesas como de preconceito contra o que uma obra pode oferecer. Apesar das discussões ainda ocorrerem por esta terra brasileira Utena é um shoujo-ai, um dos mais leves e sutis que vi. E se tirando a venda dos olhos de preconceito existe muito conteúdo para ser apreciado nesta obra.
Com certeza um anime que recomendo a qualquer pessoa assistir, tanto que ainda escrevei no futuro mais post sobre ele aqui, é uma das minhas maiores influências afinal =P
Matta ne!