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Legado de K-On

(Um único texto é pouco, na minha opinião, para falar de cada detalhe dessa série, mas aqui está uma visão sobre diversos aspectos. Com o tempo, provavelmente escreverei ainda bastante sobre Keion).


Nota - Este texto é totalmente pessoal. Para uma analise mais técnica e imparcial, recomendo a postagem no blog Subete Animes


Com o final da série, um review completo se faz bem necessário, ainda mais num blog que desde o início da exibição da segunda temporada vem fazendo inúmeras postagens sobre a série (isso sem conta com meu outro blog, totalmente dedicado a série). Infelizmente eu não sou uma analista fria e técnica, então esse texto vai ser muito mais a percepção de alguém que dá muito valor a histórias que melhoram nosso dia a dia, do que um estudo, ok?



Desde 2009, em sua primeira temporada, a série K-On!, que veio do mangá do autor que se nomeia "Kakifly", vem marcando de forma significativa o universo da animação japonesa, transformando-se em um fenômeno imenso em pouco tempo e com seus poucos episódios (a primeira temporada do anime tem 12 episódios + 2 especiais). Com o advento da segunda temporada a admiração e fanatismo pela série só multiplicou-se, fazendo a Houkago Tea Time ser a banda fictícia de maior sucesso de todos os tempos no Japão. Como animação, K-On!  e K-On!! também deixaram marcas e dividem opiniões, não importa o aspecto sendo analisando.



Moe, falha no quesito musical, sem enredo. São inúmeras as reclamações dos que não foram cativados pelas jovens garotas que só querem tocar música e se divertir.Porém também são muitos os quesitos dos que apreciam cada detalhe das histórias felizes e simples de Yui, Mio, Ritsu, Mugi e Asuza.

Legado?

A série deixou inúmeras marcas e legados, como qualquer obra. As protagonistas que ficaram todas no topo do ranking da NewType, Yui sendo considerada um dos personagens que os japoneses mais gostariam de ser amigos na vida real (perdendo somente para o insubstituível Doraemon). Muitas são as marcar de Keion que ficam para o mundo dos animes, entre as quais eu posso somente destacar aquelas que para mim foram fundamentais - música e simplicidade.

Além das regras

Em um mundo onde naturalmente se constrói sobre o que existe, sempre procurando ir mais longe, de formas mais ousadas e complexas, enredos e narrativas também acompanham essa tendência. Porém K-On veio com uma proposta bem oposta a isso - pegar um punhadinho de conceitos bem aceitos e fazer uma narrativa simples. Sim, totalmente simples e despretenciosa, e que ainda assim prenda e conquiste o espectador antes que ele perceba.

Dentro das regras de roteiro e estrutura literária, K-On! pode ser considerado "uma grande porcaria" porque falta o elemento mais importante de uma trama - o conflito. Claro que nos últimos episódios e em alguns trechos aparecem pequenos momentos de conflito (Asuza vendo-se diante da formatura das amigas, ou até, na primeira temporada, quando a banda fica sem guitarrista poucos dias antes de uma apresentação). Mas no contexto geral, K-On não tem a pedra fundamental de uma estrutura de ficção.

E mesmo assim, conquista e agrada a muitas e muitas pessoas. É a prova de que as regras existem para serem quebradas, até mesmo essa que, praticamente todos que infligem, alcançam a mediocridade (estou falando de coisas como Sora no Woto sim).

Música?!


Muitos e muitos falam que a série peca demais justo neste ponto, o musical, pois não temos episódios inteiros com a banda as voltas de compor e ensaiar (apesar de a maioria dos episódios isto ocorrer de forma implícita). Isso é um choque principalmente para quem tirou seu conceito de "anime de banda" de obras como Beck, que são completamente opostas à Keion.

Eu, particularmente considero esta visão bem limitada.

Muitas pessoas ao redor do globo (literalmente do Japão à Espanha, USA, Havaí e etc) foram tocadas pelo lado musical de K-On logo de cara ao acompanhar a série. Pois a mensagem que se tem ali é (como tudo) simples e até boba - qualquer um pode sonhar e tentar fazer música e se divertir muito com isso. Muitos escutaram, acreditaram e as vendas de instrumentos no Japão mostraram isso.

Marketing comercial puro se aproveitando de uma série propícia? Mostrar Fender, Gibson, Korg, Meteor e tantas marcas para ganhar uma boa grana em propaganda? Sim, porque não? Sejamos realistas e lembremos que é preciso dinheiro para sobreviver. Achar que uma obra-prima deve ser feita pelo amor a arte e sem lucro é meio romântico demais não? Porque não se pode fazer algo pela arte e viver disso?

Não importa o motivo, fato é que muitos já músicos adoraram a proposta de músicas viciantes e felizes, e muitos que sonhavam em tocar algo (sabe aquele sonho juvenil de ter uma banda e tocar em Budokan? Pois é) tiveram aquele impulso que faltava. E outros que já sonharam e tinham quase desistiram, voltaram atrás.

Como quem escreve este texto que agora, sempre que sobre uns minutos, pega um violão e sonha tocar Pure Pure Heart acústico =) *mas que ainda vai ter uma Les Paul!*

A prova de que a parte musical de K-On é viva e forte está ao nos sites de broadcast, todos os dias. Vídeos e mais vídeos de guitarristas veteranos, novatos, bandas desajeitadas, mestres em remix e tantos outros que postam suas versões para músicas tão bobas como a que fala, que seu amor é um grampeador =)

Personagens


Nesse quesito, K-On não foi inovador, pois utilizou estereótipos já consagrados, talvez sendo mais original somente em algumas combinações, mas ainda assim não muito. O grande mérito nesse caso foi todo o crescimento e amadurecimento das relações entre essas personagens que aconteceu no decorrer da trama. 

Pegando Mugi como exemplo, que na primeira temporada havia sido muito pouco aproveitada, ficando com um ar até vazio se comparado a todo o foco dado da Mio, Yui e Asuza, nesta segunda temporada foi muito melhor mostrada, em seus detalhes e todo o carisma.


Outra personagem que também surpreendeu foi Ritsu. No início ela era apenas usada como uma caricatura, somente com piadas e mais piadas infames, afinal ela é uma das grandes responsáveis pelo nível de comédia da primeira temporada. Só que, logo no segundo episódio de K-On!! ficou demonstrado que a baterista não era mais somente uma comediante, mas uma personagem com todos os detalhes humanos que são possíveis. (aliás, agradeço a quem chamou esse episódio pela primeira vez de "A melancolia de Tainaka Ritsu", piada genial).







Yui teve um crescimento espantoso, que foi sendo demonstrado durante toda a segunda temporada da série. Essa evolução aliás fica bem evidente no primeiro episódio extra da segunda temporada, quando mostra um vídeo gravados durante o primeiro ano da escola (Yui muito mais bobalhona, Mio mais chorona). Uma prova da "regra de sobrevivência do moe" - não basta mais serem garotinhas fofas, elas tem que crescer, se desenvolver e mostrar aspectos humanos bem trabalhados.

Quanto a Mio, o que dizer? Sempre foi a personagem mais amada justamente pelo "moe moe kyun", então na segunda temporada a série tratou de não exagerar neste aspecto já tão trabalhado e dar um ar de gradativo amadurecimento para a garota. Claro que o moe não foi esquecido e tivemos uma Romio muito divertida durante os episódios 18 e 19 ;D


E o que fica?

K-On! vai resistir ao tempo? Para quem assistiu somente para ver o moe, provavelmente não. Para quem realmente gostou de cada detalhe das personagens, com certeza será lembrado com muito carinho. Para quem tirou lições de como mudar as regras de narratologia e ser feliz, ficara uma lição. Para quem conseguiu tirar algo simples para fazer momentos da vida mais alegres e descontraídos, com certeza vai resistir. Para quem ainda quer tocar cover de todas as músicas perfeitamente, provavelmente ainda vai demorar para a série acabar.

Minha conclusão pessoal - K-On não vai acabar jamais, por que boas histórias são para sempre.

**** Extra ****
Tenshi no Fureta yo - Essa é a música ideal para este texto =)



Não vou colocar mais vídeos porque já está bem cheio lá no K-On! BR ,  então acompanhe, porque a cada dia tem mais gente tentando tocar essas músicas sensacionais. (E que venham mais extras!)

Comentários

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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