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Explanação técnica (e tediosa para mim) de uma opinião sobre a série Oreimo

Ore no Imouto ga Konna ni Kawaii Wake ga Nai (vulgo Oreimo) é um anime que está em exibição desde Outubro de 2010 e que conta a história de Kyosuke Kosaka, um jovem comum que vive uma vida padrão para sua idade, seu único ponto de maior stress é o fato de viver a sombra de uma irmã tida como "perfeita" - modelo, boa nos esportes e bonita. Porém toda a sua relação distante com a garota se transforma quando ele por acaso descobre a "vida secreta" da garota.

Fato é que Kirino é uma otaku de animes e games com relações incestuosas de irmãos mais velhos com irmãs mais novas. ((( Este foco de Kirino na verdade é o primeiro ponto de entrada para observar as diferenças entre otakus japoneses e nós, otakus ocidentais, que visamos conhecer e apreciar a mais diversificada gama de obras, sendo ligeiramente mais focado em um estilo))). Ao saber disso o jovem acaba, por medo da reação de seus pais e também pelo fato de ele não se importar muito com o estranho hobbie da irmã, por ajudá-la a esconder e lidar melhor com esse seu lado.

Com o passar dos primeiro episódios da trama vai se mostrando toda a introdução da personagem Kirino no universo otaku de modo ativo, sempre com seu irmão ao lado. O potencial desde roteiro é simplesmente muito grande, até porque, como a classe otaku sofre de uma "síndrome de perseguição em massa", qualquer trama que venha a abordar todos os sofrimentos e percauços de seguir este estilo de cultura.

Então, o que está dando errado?

Provavelmente o ponto fundamental, na minha visão, são os personagens. Personagens para mim são a chave para a qualidade de uma trama. E Oreimo começa com um protagonista que serve na trama para..... para...... para quê mesmo?

Fato é que, observando minimamente, podemos notar que Kyosuke (nem lembro o nome dele, hehehe) está ali somente como um observador e um "anjo da guarda que não faz nada além de olhar e olhar". Ok, ele impede Kirino de involuntariamente revelar revistas bem comprometedoras para suas amigas de escola. Mas, onde está a carga psicológica desse personagem? O que ele pensa disso tudo? Ele está somente ali, olhando e levando tudo, defendendo com todas as forças uma irmazinha fofa deixando aquelas constantes e sufocantes brechas para nós pensarmos "ainda pode dar muito errado isso"?

Sabe o que dá a entender? Que Oreimo é mais um desse jogos de irmãos que a Kirino tanto joga, onde nós, espectadores somos Kyosuke observando toda a aventura de sua linda e fofa irmã.

Ok, talvez eu seja dura com essa analise, mas vamos lá, é meu critério ok? Ter que explicar que cada um tem seus critérios de avaliação me deixa com a sensação de "desenhar uma casinha azul".

Outro ponto critíco também é exatamente todo o potencial de Oreimo. Quanto mais uma trama promete, mais, qualquer deslize e queda no desenvolvimento, geram em repercussão negativa. É um velho ditado de, quanto maior a subida.... Eu realmente esperava bastante do episódio com a Comiket, mas só tivemos situações clichês e.... um final que bagunçou ainda mais tudo.

Ainda não assisti o quinto episódio, é verdade, mas, eu até agora já estava achando que Oreimo estava "juntando" coisa demais ao mesmo tempo, não dando a devida atenção ou detalhamento em alguns aspectos que, no meu critério, são importante.

Realmente compreendo que existe um preconceito enorme contra otakus no Japão, de um modo que nós aqui nem sonhamos. Porém isso não é desculpa para fazer qualquer série que fale de otakus boa. A "casta" dos maníacos por animações japonesas aqui no ocidente, falando mais especificamente do Brasil, tem uma grande tendência em se colocar como "agredida" por qualquer opinião a seu respeito, assumindo uma verdadeira posição de 'coitados', o que gera, ao meu ver, essa adoração por obras que falem, nem que seja de modo leve, desse tema de preconceito.

Eu, como otaku, digo que não somos vítimas coisa nenhuma aqui no ocidente e não devemos usar nosso gosto cultural como desculpa para agredir e não respeitar opiniões adversas. É por comportamentos como estes que cada vez mais otakus com maior credibilidade recusam-se a usar este termo. Estamos implantando aqui no ocidente um preconceito que não existia antes. Antes era somente o "Ah, você ainda vê desenho?".

Comentários

  1. O que o pessoal vai falar, quando entrar no Incest time da história? XD

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  2. Na minha opinião esse tipo de otaku que a protagonista é, sofreria preconceito em qualquer lugar do mundo, ela gosta de hentai, mais relação entre irmãos, nem preciso me colocar na pele de um pai pra achar isso um absurdo. Pra mim esse anime não quis quebrar nenhum preconceito e nem mostrar a realidade dos otakus no Japão, simplesmente um anime que quer mostrar a vida de uma especifica menina que é uma Otaku, eu pensei que o anime seria ruim se ouvesse uma relação entre os irmãos, depois de destruir uma personagem que me passou um certo carisma no episódio anterior, melhor amiga da protagonista, e o cara totalmente controlado pela irmã, desceu bastante no meu conceito.

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