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Por que histórias populares não acabam?

A alguns meses atrás, enquanto fazia uma rotineira busca por algum anime mais antigo e interessante acabei escolhendo um que talvez surpreendesse quem pouco me conhecesse: Hajime  no Ippo. Foi amor a primeira vista, o primeiro anime de esportes que assisti e gostei (não, eu nunca vi Super Campeões) e, o que aliás foi o que me motivou para este texto - o primeira "história infinita" que me agradou sendo o que é.

Porque afinal histórias populares não acabam?


Há 22 anos, Ippo evolui sua carrega de, atualmente, 6 anos, no boxe.


Existem inúmeros pontos que se pode analisar sobre esta questão e o primeiro que ocorre à maioria é: "Oras, se vende o editor vai fazer a história continuar e continuar". Isso não deixa de ser verdade, mas eu gostaria de olhar a questão por outro ponto de vista:

Porque as pessoas gostam dessas histórias que não acabam? ("Aff, mas é óbvio que é porque as histórias são legais!". Mas ein?!). Só enfatizando *tiques nervosos* que estou fazendo isto como uma pessoa que gostam e analisar enredos, eu não tenho base em Psicologia ou Sociologia para vir com afirmações técnicas, pessoas com estes conhecimentos poderiam colocar isto de maneira bem melhor que eu.

(Até já li sobre essas áreas sim, mas também gasto um certo tempo pesquisando história antiga, Tolkien, Assembly, sobre os Anonymous, e mais coisitas que me tomam um certo tempo. Mas....)

Em frente.

Porque Negi, porque?


Hajime no Ippo, One Piece, Bleach e sua promessa de mais dez anos de mangá, Negima e sua mudança completa de tom graças aos consecutivos arcos de trama que vão sendo criados para que a saga do jovem professor-mago não chega ao fim. Não são poucos os exemplos de histórias que "são esticadas" ou "nasceram para nunca acabar" que vemos no mercado editorial de mangás japoneses. Existem aqueles até que se tornaram tão populares que tornaram-se, literalmente, eternos, como Detetive Conan. E quando a história não chega a este ponto, no mínimo ela acaba durando mais do que o previsto (olha a morte do L aí gente...).

Esse fenômeno não é nem um pouco exclusivo do universo do mangá, afinal temos a décadas e décadas os mesmo super-heróis americanos defendendo a justiça em universos paralelos, reiniciados, infinitos (e até mais). Uma tendência que inclusive já está chegando ao cinema e já é padrão no segmento de seriados, quando mais popular, mais temporadas.

Bom, agora poderia ser o momento que, como sou uma pessoa que prefere milhares de vezes uma história fechada em poucos volumes, ou poucos episódios animados, poderia começar a argumentar sobre à falta de elegância e técnica em relação à construção narrativa que vejo em grande parte dessas obras (Olha lá o ódio dos fãs de Toriko e One Piece!). MAS.... apoiando a campanha "odeio quem acha que ser esperto é só criticar (falar mal) de tudo"... vou ser menos extremista.

Uma história estendida infinitamente não é necessariamente pior do que uma obra fechada e sucinta, ou o oposto. São tipos diferentes de narrativa, que atendem necessidades diferentes, para momentos ou públicos diferentes.

Tudo depende do que o leitor/expectador procura e espera daquele entretenimento no momento.

"Eu teria vencido se o Editor não tivesse dito que haveria um segundo arco" (Será? É minha teoria XD)

Meu argumento para a popularidade das "histórias infinitas" é que esta fica estabelecida como parte da rotina semanal/quinzenal/mensal/anual do leitor, assim como as datas comemorativas ou um podcast . Temos essa necessidade contínua de entretenimento descompromissado e sempre presente. Ter uma história para acompanhar todas as semanas, tirando o leitor/expectador da sua rotina muitas vezes cansativa  (como é bem comum neste nosso século) é um prazer que agrada praticamente todos (não é só por falta de opção que as pessoas veêm novela todos os dias, elas gostam de sair da realidade todos os dias, mesmo que seja algo muitas vezes bem repetitivo ou clichê).

Pessoas que buscam experiências diferenciadas de maneira constante tem a tendência de fugir de histórias infinitas. São pessoas que valorizam os conceitos e mensagens que o ciclo dos atos inicio-desenvolvimento-final tem, que são por muitas vezes mais ousados e significativos do que "o que nunca termina". E é preciso lembrar que ter este gosto não torna uma pessoa mais "cabeça" e a outra "lesada". É simples questão de gosto, algo subjetivo.

(Pessoalmente, no meu caso é também porque eu estudo as histórias que me agradam, para retirar conhecimentos necessários para as tramas que escrevo. Viu? Algo puramente pessoal e não-exato.)

Mas mesmo essas pessoas (as metidas a inteligentes, como eu) não estão totalmente livres de apreciar uma história que não tem final, assim como inverso também é verdadeiro. Somos complexos demais para poder definir nossos gostos por um "eu só gosto do estilo tal, gênero tal, autor tal". 

Afinal, eu gosto bastante de Hajime no Ippo, apesar de não saber se terei paciência para acompanhar o mangá XD (Quem sabe se eu parar pra ler todos os capítulos duas vezes por ano somente, mas é frustrante pensar que não sei quando, ou se um dia, verei o final dessa saga).

Concluindo (Aiai, estou precisando melhorar minha "introdução de conclusão". É como se eu não conseguisse denotar só nas palavras que estou fechando o texto!)

Confesso que pensei em ler/assistir.... antes de ver a quantidade de capítulos/episódios!

Eu tenho *tiques nervosos* toda vez que tenho que dizer "na minha opinião" de maneira enfatizada, afinal isto é um blog, eu não estou escrevendo um texto acadêmico ou crítico, isto é um artigo de opinião. . . isso deveria ser óbvio. . . argh, vamos ao que interessa.

Histórias populares que nunca chegam ao final são necessárias dentro do mundo do entretenimento, tanto do ponto de vista comercial como vendo o lado do próprio público, ao meu ver (#aff) principalmente pela relação que estas estabelecem com a rotina do leitor/expectador.

Com certeza este tipo de história não é do meu grande agrado, sou aquele tipo que sempre desdenha de mangás como One Piece e Toriko, mas não nego sua importância. Fico pensando que o mundo seria bem mais "cor de rosa" se as pessoas soubessem defender seus pontos de vista, às vezes até de modo exagerado ou romântico, "sem pisar ou sentir-se pisado" (jura que alguém leva a sério quando eu digo que Toriki e Nichijou são a escória da animação japonesa? Ah, pra mim é mesmo e se você acha isso contraditório, pêsames).

Bom, conversando pelo twitter com várias pessoas também percebi que a outros pontos relativos a este tema que podem ser abordado, como sobre a visão e vida do autor no meio disso tudo, mas vou deixar isso para uma postagem futura.

Matta ne!

Comentários

  1. Todo produto tem o seu público alvo. Dependendo da pessoa ela pode ser o alvo de uma série em um momento da vida, em outro momento ela passa a gostar de outro estilo muitas vezes oposto ao que ela gostava nos primordios da vida. Eu por exemplo, adorava os animes infinitos e preferia assistir e ler eles, mas hoje com a vida corrida e mais maduro, eu procuro por historias com construção de personagem melhor e que não inrola para chegar no ápice. No final não adiante dicotir com fan de determinado anime ou estilo de anime pois não vai se chegar a um veredito, no final oque vale é respeitar a opinião e o gosto dos outros e continuar curtindo que vc gosta. Gostei da postagem, um tema bem abrangente. Aguardo o seu proximo trabalho.

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  2. Excelente texto Mazaki! Me fez pensar algumas coisas que nunca tinham passado pela minha mente sobre esse tema.

    Uma abordagem diferente para esse tipo são as grandes sagas europeias. Tem começo, meio e fim, mas muitas tem edições anuais o que faz com que estendam por vários anos (é o caso de uma revista que eu adoro, Lunna).

    Uma pergunta: e se você tivesse a chance de fazer um mangá infinito, com o compromisso de se manter firma ao longo dos anos? Toparia?

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  3. @MARCOS

    Obrigada Marcos pelos comentários! Assim vou acabar ficando avontade para escrever mais postagens. Depois não reclame, hehehe

    @Joe

    Joe! Que honra você comentando no meu blog! =D Fiquei curiosa sobre essas sagas que você citou, depois irei dar uma pesquisada...

    E respondendo a pergunta. DEPENDE bastante. SE esse compromisso de manter uma série não me impedisse por completo de escrever outras coisas... e SE fosse uma história que eu realmente gostasse muito... TALVEZ xD

    Mesmo uma grande história, por melhor que seja, não consegue explorar todos os aspectos da técnica do seu autor, é o que eu acredito pelo menos. Então focar-se eternamente em uma trama é ficar limitado no que aquele gênero te possibilita.

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  4. Realmente essas historias infinitas são a "moda" hoje em dia, pois tem conseguido atrair um publico bem fiel. No entanto essa característica também pode ser negativa, pois fez surgir o tal dos fillers. Claro que fillers sempre existiram, mas nas historias infinitas eles são muito exagerados, chegando a ocupar temporadas inteiras. Corre-se o risco também de a serie ou manga ou anime, enfim, ter seu final feito de qualquer maneira ou ate mesmo não ter final, caso a popularidade caia drasticamente.
    Particularmente, tenho acompanhado bastante os animes mais curtos, mas não consigo largar alguns que nunca terminam. Me pergunto se vou estar vivo ou se vou ter paciência pra acompanhar o final de naruto, por exemplo.
    Parabéns Mizaki, ótimo post!!!! Mesmo sabendo da dificuldade de manter o blog atualizado, acho que vc devia postar com mais regularidade, seus textos são ótimos, mas é só opinião!!!!!!!!

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  5. Percebi agora cloquei no meu post acima Mizaki ao inves de Mazaki, desculpa, hehehehehehehe!

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