domingo, 24 de julho de 2011

Protagonista vs Personagem Principal

Olá a todos! Trarei hoje um texto um pouco mais técnico para vocês, algo incomum, mas necessário, visto que este é um ponto bem (BEM) importante dentro de qualquer trama: o Protagonista. Decidi trazer este texto porque, na verdade um certo videoblog otaku (que eu adoro) me fez lembrar de algo que a vários anos sempre me incomodou de modo mortal ao escutar alguém dizer (quer dizer, na verdade eles só falaram do anime, o que já me fez lembrar XD). Algo realmente escandaloso, terrível, pecaminoso e quase hediondo.

"Suzumiya Haruhi é a protagonista da série Suzumiya Haruhi"

Sim, estamos começando um texto meio longo e cheio de verdades incômodas.

Madoka já está pronta para a batalha! (?)

Vamos pegar dois exemplos distintos para demonstrar as diferentes entre protagonista e outros tipos de personagens que estão bem no centro das narrativas sem necessáriamente ser a mesma pessoa (personagem-título, personagem principal e héroi): Suzumiya Haruhi no Yuutsu e Mahou Shoujo Madoka Magica.

Mas primeiro... definições!

Héroi, protagonista e personagem principal

Pesquisando para este texto encontrei uma referência muito útil para esclarecer essas definições muitas vezes misturadas pela mente do público. Trata-se de uma postagem de John August, roteirista responsável por filmes como a nova versão da Fantastica Fábrica de Chocolates (desculpe você, mas eu ADORO essa versão deste filme) e As Panteras. O texto original encontra-se aqui, e uma tradução útil encontrei no blog Palavras no Papel, aqui. Vejamos:

"Herói

Minha definição super-simplificada: este é o personagem que você espera que vá ‘ganhar.’ Embora não tenha problema pensar no Super Homem ou no Aladin, o herói não tem que ser nobre, corajoso ou especialmente talentoso. Contanto que você esteja torcendo por ele, é só o que importa.
Personagem principal É exatamente como parece: a estória é principalmente sobre esse personagem. Confuso? Em geral, o nome dele aparece no título:ShrekRei ArthurTootsieCidadão Kane.
Protagonista

É o personagem que muda durante o curso da estória, viajando do Ponto A ao Ponto B, literal ou figurativamente. Ele aprende e cresce conforme a estória progride. Em geral, protagonistas querem algo no início da narrativa e, no final, descobrem que precisam de algo diferente."

Vamos ver como esses conceitos nos mostram como cometemos alguns equívocos?

Haruhi vs. Kyon - o protagonista injustiçado



Suzumiya Haruhi no Yuuutsu ou A Melancolia de Haruhi Suzumiya é a história de Haruhi Suzumiya, uma garota do ensino médio especial, que [...]. A sua história é contada por Kyon, seu colega, que recentemente deixou de acreditar nestas coisas mas sempre se vê envolvido nos esquemas de Haruhi.(animescenter)

A história tem como personagem principal Suzumiya Haruhi, uma colegial que [...]. A história tem como narrador o estudante com o apelido de "Kyon", um garoto do mesmo colégio de Haruhi Suzumiya. Kyon participa [...](wikipédia)

Sim, até que ambos os sites falaram de modo correto sobre Haruhi, mas os dois incomodam bastante pelo mesmo ponto, que aliás é o ponto de vista de grande maioria do público que conhece a série: chamar Kyon de (somente) narrador.

Sim, ele é o narrador dos livros, do anime, do filme de tudo, mas ele também, é o PROTAGONISTA da série Suzumiya Haruhi, pois, como está explicado no trecho citado, o protagonista é aquela pessoa que evolui durante o enredo, que muda, que passa por algum tipo de transformação, não importa a escala. Haruhi é sim a personagem principal e personagem-título, mas ela é exatamente a mesma garota birrenta e maluca durante toda a trama (até onde conheço, lá pela sexta novel, ok). Já o nosso protagonista-narrador é quem muda o mundo e a si mesmo durante o desenvolvimento do enredo (sim, ele muda o mundo, afinal se ele não intervisse a Haruhi já teria explodido tudo XD).

Aliás a cena em Shoushitsu na qual ele questiona a si mesmo e percebe finalmente o quanto gostava e valorizava seu dia-a-dia caótico ao lado da pseudo-deusa são sua consolidação como um protagonista e tanto, que faz escolhas e traça assim os caminhos do enredo de toda a trama.

Sim, a história gira ao redor de Suzumiya Haruhi, por isso ela é a PERSONAGEM PRINCIPAL (deu pra notar meu trauma ne?). Sim, meus queridinhos *Willy Wonka feelings*, existe mais entre esses tipos de personagens do que o entendimento leigo e comum mostra. Agora, vamos a um exemplo mais intrincado!

Madoka vs. Homura - cada coisa em seu lugar



"Ah Mazaki, eu já entendi! Você vai dizer que mesmo que o nome da série seja MADOKA Magica, ela é a personagem principal e a Homura é a protagonista, né?".

Não não, você entendeu errado. Quer dizer, quase certo, mas ainda assim errado.

Mahou Shoujo Madoka Magica conta a história de Kaname Madoka, uma garotinha com uma vida feliz e comum que acaba sendo encontrada por uma entidade misteriosa chamada Kyuubey que lhe oferece um contrato para que ela se torna uma Garota Mágica, para assim poder lutar contra as terríveis bruxas, tudo em troca de um único desejo.

Bom, tentando não entrar em detalhes, acompanhando a série nós podemos ver no trio final de episódios um conjunto de reviravoltas que nos faz compreender tanto que a histórias que assistimos até ali começou "da metade" como a real influência e importância que um personagem misterioso, distante e marcante (Akemi Homura) tinha desde o princípio.

Agora, ainda que possamos dizer, levados pelos fatos que nos são apresentados, que a verdadeira protagonista da trama é Homura e que, seguindo o exemplo de Haruhi, Madoka é a personagem sobre a qual a história gira sem que ela seja a heroína, devemos levar em consideração alguns detalhes:

Primeiro - ainda que, levando em conta a idéia global da trama a influência de Homura seja muito maior do que vemos desde o princípio, foi desta forma que nos foi contado. Conseguem compreender a diferença? Parte do que determina o domínio de um personagem em uma história é o foco da narração (neste caso audio visual). Afinal, mudando o foco podemos transformar qualquer um em personagem principal dos mesmos fatos

(Meio obscuro, mas tentando exemplificar, é só notar o papel muito mais relevante que Mami e Kyouko tem no mangá Mahou Shoujo Oriko Magica, em decrescimento dos papéis de Homura e, principalmente, Madoka, ainda que aquele arco de eventos seja uma pequena parte da trama da série principal da franquia).

Outro detalhe é notarmos novamente o conceito de protagonista - é alguém que cresce e muda com o passar a trama. Sim, não há como negar toda a transformação que a vida de Homura tem no decorrer dos fatos (ainda que isso só seja para nós narrado muito à frente), mas. . . MAS não há também como negar o desenvolvimento e crescimento da própria Kaname Madoka. Ainda que ela tenha sido um "agente passivo" (sem conotações, por favor) em grande parte da trama ela sim teve um desenvolvimento evidente, tanto levando em conta a ordem de narrativa quanto a ordem de acontecimentos (é sempre tão anacrônico entrar em detalhes sobre Madoka Magica).

O fatídico momento em que, nos episódios finais, Madoka toma sua decisão final e parte para o seu destino escolhido demonstram com uma clareza tremenda o quanto ela evoluíu desde o começo, tanto por si mesma, quanto por tudo o que Homura lhe fez "viver" durante sua luta desesperada.

Então o que dizer? Particularmente dou minha opinião que em Mahou Shoujo Madoka Magica temos CO-PROTAGONISTAS ("ah, Mazaki, que trapaça! Não tinha essa opção antes!"), devido a todos os elementos de peso "a favor" de Homura quanto os conceitos que não podemos ignorar e não nos deixa roubar de Madoka seu posto de núcleo principal e heróico da trama. Na verdade se eu começar a filosofar aqui irei começar a dizer que na verdade as duas personagens são um só elemento e bla-bla-bla, vamos encerrar por aqui que já ficou bem grande o texto!

Fechando...

Alguém mais cansado de tanto papo furado?

Bom, existem ainda diversos exemplos que demonstram as diferenças sutis entre esses elementos que compõe uma narrativa a serem observados no mundo da animação e também do mangá, aliás este é um exercício bem divertido de se fazer. Acho que acabei me empolgando com o tema, por ser de um assunto que muito a mim interessa, mas espero realmente ter trazido alguma informação de interesse.

Fui!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

[Summer 2011] Mawaru Penguindrum - O início

Olha só eu aqui para fazer algo que eu acreditava que talvez jamais teria vontade de fazer novamente, um comentário de anime em exibição! Pois é, eu realmente estava decidida a deixar os dedicados profissionais da web (?) fazerem isto, mas eis que surgiu uma animação que eu desconhecia a existência que balançou minhas convicções.

Sim, estou falando do título da postagem, o bizarro e até agora imprevisível Mawaru Penguindrum

Você disse. . . pinguins?

Mesmo com apenas um episódio é fácil explicar a trama da série. Trata-se da vida de três irmãos, sendo Showa e Kanba os dois rapazes mais velhos da feliz e a jovem e (como é revelado em poucos minutos) condenada à morte por uma doença incurável, Himari. Somos apresentados ao cotidiano nem tão fácil dos jovens que tentam de tudo para fazer com que cada dia que resta de vida de sua irmã mais nova seja o máximo feliz possível, já que os médicos decretaram que não haveria cura para a moça.

Bom, não vou entrar em detalhes e ficar narrando para vocês todo o episódio (assim não vão querer ir assistir não é?), só antecipo que de algum modo bizarro pinguins são uma parte muito importante da trama. Tanto quanto as transições estranhas e bizarras de cena, como o 3d que ajuda a dar esse toque de sofisticação com algo bem... incomum.

Realmente fiquei interessada na série, além de porquê ela está se mostrando uma inocente bizarrice louca, pelo fato de que para mim é uma grande alegria ver em tempo de exibição um trabalho de Kunihiko Ikuhara. Para quem não conhece (muitos de vocês, acredito) ele foi o diretor de uma das obras que mais me marcaram EXATAMENTE pena bizarrice visual e de narrativa - Shoujo Kakumei Utena. Um anime que lá nos anos 90 também trouxe uma série de reflexões e significados obscuros em meio a um visual que chegava a perturbar a concentração dos despreparados, devido a seus ângulos de câmera inesperados e que deixavam a sensação de "nossa, o que está querendo dizer com isto" no ar.

Oh referências, venham salvar nossa temporada tediosa de verão!
A MESMA sensação que ainda está atualmente em Mawaru Penguindrum, para ser sincera. E foi muito mais essa sensação, associada ao design e referências internas do diretor que me prendeu a atenção durante a estranha narrativa com pinguins sobrenaturais e seus milagres.

Alias, tio Ikuhara, tinha que colocar suas referências incansáveis ao incesto logo no primeiro episódio?! Eu sei que é algo leve, mas assim você nunca será conhecido pela massa fã de shounen tradicional XD (ok, dane-se a massa!).

Enfim, gostaria aqui deixar a nota de que irei continuar investigando essa série e recomendo, aos menos ortodoxos e cheios de conceitos indestrutíveis, que também o façam. Não posso garantir que vamos ter algo realmente bom disto, mas o que seria de nosso intelecto que se não nos arriscassemos às vezes em algo diferente? ;D

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A "sagada jornada" do otaku sem grana #01 - A ideia

Desculpem, mas sempre fiz piada interna com esse erro no volume 24 de Love Hina =)

Talvez você já tenha passado por isso, talvez não(todos esperamos que não ne). 

Lá no início dos anos 2000, quando os mangás de fato começaram a figurar de modo definitivo nas bancas brasileiras foi uma festa para todos os mais e menos jovens que tinham carinho ou curiosidade por esta forma de cultura. E foi a passos nem tão rápidos que esse mercado foi crescendo até chegar ao momento atual, que, diga-se de passagem, está realmente muito, mas muito, melhor do que a poucos anos, ainda que (obviamente) existam vários pontos que precisam de melhoras.

Enfim, o que estou tentando colocar aqui é o seguinte - ler mangá não é um hobbie barato. Infelizmente mesmo, tem muitas pessoas que não tem uma brechinha nem de 9,90 para poder ter um pouco desse entretenimento. Não é barato manter o costume de leitura e a quantidade e variedade do mercado só agravam isto. Só estou aqui colocando que, talvez você, mas com certeza muita gente por aí, de pré-adolescentes à adultos que se esforçam 6 dias por semana para ganhar seu injusto salário para sustento, não tem realmente muitas vezes condições de ter o seu lazer, uma leitura.

Um pouco mais de grana evitaria torcicolos de muitas pessoas

Mas calma, não estou aqui para politizar e vir dizer que os preços dos mangás são injustos. Existem regras e necessidades que tornam praticamente todos os tipos de cultura, lazer e entretenimento no nosso país caro até demais para nossos padrões salariais.

Mas se você nunca passou por isso ou acha que quem não tem graninha pra um cinema e/ou mangá deveria ir ver novela. . . Bem, deve haver um botão de fechar esta aba bem próximo a você, utilize-o o quanto antes =)

Essa realidade é bem recorrente, tanto entre os adolescentes que não tem dinheiro da merenda o bastante para economizar como para quem tem que pagar aluguel e, quem sabe até já sustentar uma família ( é, otakus também crescem. . .). E, alias, alguém já adivinhou porque estou hoje com esse discurso tão sentimental?

Porque, como uma dentro tantos apreciadores e viciados na cultura pop japonesa que não tem tostôes o bastante para poder entrar naquela comum (sim, realmente comum) e esnobe rodinha de "quem tem a piramide de figures, mangás, dvds maior ganha", estou aqui para compartilhar um pouco desse estilo de vida "i a no-money-otaku"de maneira descontraída, mostrando todos os desafios de levar os vícios num mundo onde 1+1 não pode ser 29,90 para a novel de Death Note.

Sim, eu sei que quem vive esse "pp life style" sabe como é dureza!

Só quem passa por isso entende a felicidade de comprar seu mangá XD


E porque essa ideia agora? Porque, graças à incrível, careira, mas de boa qualidade, Editora NewPop, aqui estou eu de volta ao mundo das compras mangalípticas (nossa, quantos anos eu não usava esse termo!). Então, você, que está interessado nessa ideia, segure-se no lugar, pois o orçamento é mais limitado do que verba real para merenda escolar, mas a viagem será agradável!

Até o próximo post, onde falarei do meu primeiro mês vivendo esse desafio de voltar a ser leitora compulsiva de mangás, enfrentando limites escandalosos!

 
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