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Os talentos brasileiros que o público ainda não conhece

Nos últimos anos temos visto na mídia mais popular dos quadrinhos um movimento constante de quadrinistas brasileiros publicando (ou se auto-publicando) os chamados mangás brasileiros. Essa aparente expansão se dá bastante pelo modismos que obras "estilo mangá" tem tido graças ao quadrinho "Turma da Mônica Jovem" da Maurício de Souza Produções. Agora temos Ledd, Ação Magazine, e diversos anúncios da editora NewPop. Claro que todos estes títulos são merecedores de créditos por conseguirem espaço dentro do grande público de quadrinhos, mas eles não são, nem de longe, os únicos grandes talentos que temos nesse nicho do mangá brasileiro.


Com a primeira edição lançada em Abril de 2012 e contando atualmente com 7 volumes e mais de uma dezena de séries (mais one-shots) a revista eletrônica Nanquim Digital vem abrindo espaço para novos talentos e outros já mais experiente no mercado independente de publicações. Séries de todos os calibres estão ali sendo publicadas e vou falar uma verdade para vocês: muitas obras de grande valor estão nas páginas (por enquanto apenas virtuais) da RND.

O público normalmente observa com certa descrença publicações em formato apenas eletrônico, como se isso fosse algum sinônimo de amadorismo e erros absurdos. Porém a "Nanquim Digital" se preocupa e muito com a qualidade em todos os sentidos. Uma prova simples disso foi a errata que esteve presente na edição 7 da revista, onde se fazia uma observação do uso incorreto de uma palavra em um dos mangás e também avisando que o mesmo já havia sido corrigido nos primeiros capítulos do mesmo (eis uma vantagem do formato digital, fazer uma correção e nova disponibilização ao público é bem mais econômico).



Não é sem motivos que o vencedor do concurso "Seja o Novo" promovido pela Ação Magazine foi um autor que publica na RND: Pré, de Max Andrade (PAAF) foi o vencedor (e alias, foi o estopim deste meu texto). O Max não é um novo talento surgido do nada, Tools Challenger vem sendo publicado na Nanquim Digital desde seu começo e no blog do próprio Max (ACESSE AQUI) podemos ver uma lista generosa de obras que ele vem concluindo nos últimos anos.

A grande questão aqui é que o público geral de quadrinhos aqui no Brasil não conhece muitos dos seus novos autores mais talentosos. Outro exemplo marcante foi o caso de "Over the Rainbow"



Segundo colocado do 5º Morning International Comics Competion, Manguinha foi muito parabenizado dentro do círculo dos que estão mais atentos ao mercado indie brasileiro, porém, mesmo com a leitura estando disponível na web, não houve uma repercussão dentre os sites especializados como aconteceu em outras ocasiões.

Parece que o público brasileiro ainda não enxerga muito obras que não estejam em formato impresso (acredito que Ledd seja a obra que mais está conseguindo atacar este preconceito) e isto acaba por não dar a oportunidade de reconhecimento que diversos novos talentos mereceriam.

Afinal, se Tunado, da Ação Magazine, mereceu citações, resenhas e premiações brasileiras e Over The Rainbow não?

Claro que isto não é "culpa" do público. O fato é que os autores não sabem se divulgar fora do pequeno nicho envolvido em quadrinhos independentes. Apenas a pequenina parcela de público que realmente "vai atrás" de novo conteúdo que acaba esbarrando mais cedo ou mais tarde nessas obras de qualidade surpreendente. Talvez o papel mais importante que a Ação Magazine possa vir a ter seja o de criar algum canal em que seja mais fácil esse público possa chegar aos autores. Mas isso só é passível de crer em algum futuro ainda afastado, se a publicação melhorar em diversos sentidos. Não vamos discutir isto aqui.

Finalizando

Pra fechar a postagem vou deixar a imagem de um mangá que estreou na Revista Nanquim Digital na sétima edição. Uma obra que, aparentemente, já vem sendo espalhada pela web a bastante tempo, havendo inclusive muitos scans em inglês dela. Trata-se de Nova Ventura, de Ivan Lennon. Devo dizer que fiquei, para dizer o mínimo, de queixo caído ao ler rapidamente o primeiro capítulo de Nova Ventura, na RND. Cenários, composição, aplicação de efeitos e o traço..... Sem falar em um clima de aventura digno das sensações shonnen da Jump (de onde o autor não esconde ter muita influência).



Eu me pergunto e pergunto a vocês: porque o nosso novo mercado de mangás nacionais não tem essa imagem como um dos destaques para o público geral de quadrinhos?

Comentários

  1. Sensacional, até me despertou a vontade de ir atrás de mais obras assim em formato online. Embora a minha preguiça seja sem limites e- Eu cheguei a ler Over the Rainbow na época da premiação (e dias atrás, estava me esforçando para me lembrar do nome, valeu), foi a que eu mais curti. Gostei tanto que fiquei imaginando como que a história poderia continuar, a partir do ponto onde a garota ultrapassa o muro da cidade.

    Pirates eu conheci dia desses, me fisgou, mas ainda nem comecei a ler XD Enfim, como você ressaltou, a maior barreira é a zona de conforto, principalmente para quem se faz mais presente no fandom de mangás, do que os de quadrinhos. Eu acredito que, quando se fala em webcomic, o que vem à mente de quem está por fora, são as tirinhas/charges, justamente por serem mais populares. Tem seu méritos, mas muito não levam a sério histórias publicadas em três ou mais quadros.

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  2. Saudações


    Mazaki, para que os artistas nacionais sejam reconhecidos como se faz merecer, está mais do que na hora da própria blogosfera fazer a sua parte.

    Em primeiro lugar, Ledd está a um passo consideravelmente à frente, e digo isto sem medo de estar errado. Além da versão online, é possível acessar o site e ler os trabalhos lá mesmo. Em outras palavras, trabalho nas duas frentes. Envolve muito esforço, entrega, responsabilidade, gastos mas, num todo, nota-se todo um carinho por detrás de toda esta "roda viva" chamada Ledd, que possui meu apreço.

    A Ação Magazine, após conturbações internas, tenta se reajustar. Por mais que haja brincadeiras do pessoal e afins ela vai seguindo. Mas, no caso desta, sinalizo certa cautela. (e para mim, Jairo é a melhor obra lá publicada, com relativa vantagem frente às outras).

    Confesso que acesso a Nanquim Digital. Leio o site desde julho'2012 apenas (um grave erro de minha parte). Mas posso lhe garantir, amiga Mazaki, que pouquíssimas pessoas conhecem tal publicação eletrônica (e farei algo à respeito disto no blog, ainda nesta semana). O Ego-Man, que é lá publicado, em muito chama a minha atenção. No geral, para as pessoas que adoram exclamar falácias de que brasileiro só copia e nada cria, Ledd e Nanquim Digital são belos exemplos de [tapa na cara] deste pessoal (alguns com luvas, ainda, para aumentar o poderio).

    A edição nº6 da Nanquim Digital (http://www.digitalnanquim.com/2012/09/edicao-6.html) tem todo um destaque especial comigo.

    Durante a GibiCON (no primeiro post, relato presente), fiquei extremamente chateado que na exposição de trabalhos individuais no Solar do Barão haviam poucas pessoas. Ou melhor: era possível contar nos dedos das mãos o número de visitantes. O que falta, ao meu ver, é uma mudança de cultura interna (nas próprias pessoas). Para que isto ocorra, uma propaganda deve ser feita e, neste sentido, blogueiros e donos de site devem ajudar no processo (se assim desejarem).

    Um ótimo texto, amiga Mazaki. A proposta tem que ser esta mesma: chamar a atenção diretamente. Se os artistas nacionais fizerem a parte deles, o pessoal da internet pode fazer muito bem a sua também, certo?

    Seguindo em frente.

    Até mais!

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  3. Olá Mazaki.

    Sou editor chefe e idealizador da Revista Digital Nanquim e gostaria de parabenizá-la pelo excelente texto e agradecer os elogios à revista e a nossos autores!

    Sucesso minha cara!

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  4. Olá!

    Mazaki tenho respostas pra quase todos os seus questionamentos, mas isso renderia uma resposta enorme, você se importaria com isso?
    Acompanho isso de quadrinho nacional, seja mangá ou comics a muito tempo e vejo muita coisa errada rolando.
    Se sim, eu comento.
    Até mais!

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  5. Mazaki-san, eu sumi mas ainda te acompanho!

    Sinceramente, é bem o que disse, falta vontade de ir atrás de materiais assim, e de divulgação. Veja Ledd, que tem uma boa vantagem no quesito divulgação, é fácil encontrar referências a essa obra, inclusive nos blogs (mesmo que alguns apenas para criticar, ainda assim divulgando a obra).
    Bem, fiquei curioso sobre esse Over the Rainbow, nunca ouvi falar, procurarei para ver...

    Ótimo texto, Mazaki-san, desculpe por ter demorado a lhe prestar os cumprimentos...

    @TheFool, se é que ainda virá aqui, espero ver seu comentário, libera ele Mazaki-san!

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  6. Olá Mazaki,
    Excelente matéria, parabéns.
    Pois é, de alguns anos pra cá o universo de quadrinhos digitais expandiu muito, particularmente conheço excelentes profissionais que optaram pela publicação digital dos seus trabalhos alegando que seria a maneira mais fácil de se fazer isso, já que as editoras costumam criar enormes barreiras para publicações nacionais, o que eu acho uma puta sacanagem.
    Acompanho Pirates! á um bom tem e simplesmente a cada página nova ficou admirado com tamanha qualidade.
    Acho que o que realmente está faltando é a divulgação desses trabalhos em outras mídias que não seja Digital...

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