Pular para o conteúdo principal

Comentários sobre Ageha volume 1

Olá a todos!

Sabe quando você vai ler uma obra nova, sem saber nada a respeito, e ela acaba de impressionando muito e em vários sentidos? É algo meio incomum de acontecer, ainda mais quando seu gosto não é exatamente aquele que os editores mais privilegiam, mas não é impossível. Aconteceu comigo quando comprei Ageha, lançado recentemente pela Editora JBC.

Como tem sido meu costume peguei o primeiro volume apenas pela simpatia preliminar que o título e capa me causaram, sem fazer qualquer pesquisa à respeito. Apesar de ser uma estratégia arriscada e nem sempre bem sucedida, com Ageha - Efeito Borboleta foi um tiro super acertado.

Comentários sobre Ageha volume 1




Mangá lançado originalmente em 2012, com autoria de Rikudou Koushi, autor também de Excel Saga, esta obra de dois volumes conta a história de Motoki Tateha e sua saga surreal para concretizar seu amor com sua namorada, Ageha. No caminho deles está um Destino trágico e talvez irreversível, mas que Motoki irá tentar vencer de algum modo que ele sequer consegue imaginar.

Se eu soubesse antes que esse mangá era do autor de Excel Saga teria ido para a leitura com muito mais empolgação! Não que talvez isso me fizesse gostar mais, porém teria sido menos surpreendente encontrar tantas tiradas nonsense e até meio "perigosas" no meio do enredo.

A princípio a trama confunde o leitor, assim como confunde o personagem principal, Motoki, que nada entende daquelas situações aparentemente desconexas e sem sentido pelas quais está passando. É somente com o andar dessa loucura que tanto o personagem, como o leitor, vão enfim compreendendo a situação trágica (que ao mesmo tempo consegue ser engraçada) na qual ele se encontra.

O maior destaque, pessoalmente, são os personagens dessa história.

Motoki é um herói em busca da realização do seu amor, com todas as limitações possíveis, mas que não chega perto do esteriótipo de "bunda mole" de uma comédia romântica (aliás é feita uma brincadeira ironizando isto em um dos capítulos presentes nessa primeira metade da história).

Ageha Nami é a mocinha que acaba sendo alvo principal da tragédia toda envolvendo Motoki. Engana-se porém quem pensar que ela é do tipo frágil e inativa. Pelo contrário, Ageha esbanja atitude (sem cair nos clichês de tsunderismo) e personalidade.

Kagero Himeshima é um dos grandes choques da trama. Apresentado primeiro como um rapaz que nutre sentimentos por Motoki (ou Modoki, como ele costuma chamar) é revelado depois como na verdade sendo uma garota, fisicamente, mas que se veste e age a maior parte do tempo como um garoto

Aqui vale uma nota mais profunda. Apesar de tratar-se de uma comédia com tons de tragédia, achei bastante surpreendente uma personagem como a Kagero. Com o passar do primeiro volume fica bastante claro que ela tem sua identidade de gênero como masculina. Ela se porta e se vê como um homem. E isso nada influencia sua sexualidade, que é bissexual.

Na prática Kagero é uma personagem que consegue, por suas peculiaridades, ser uma alavanca para uma diversidade enorme de situações cômicas e perigosas (para Motoki). Ainda assim vale aqui a nota do quão interessante é ter um personagem com esse tipo de característica no cast de suporte da obra.

Enfim, ainda temos mais uma personagem para falar e, bom, é uma personagem extremamente marcante também.

Hera Satan. O que dizer dessa personagem? Uma garota musculosa, imensa e nada delicada fisicamente, mas que tem os sentimentos frágeis e instáveis como a mais formosa das moças. Hera nutre um amor incondicional por Kagerou.

Fora isso temos ainda a pessoal que aparentemente comanda toda a loucura que é o universo dessa história: . Uma mulher bastante sensual que parece se divertir com a agonia eterna que Motoki, chamado por ela de "anomalia", está vivendo.

Sobre o enredo, não dá pra falar muita coisa sem dar ainda mais spoilers massivos. Amor, um tanto de fanservice, personagens nada clichês, mortes, repetição e alteração da Realidade, além de deuses/demônios que comandam tudo pelos bastidores.

Misterioso, não? Realmente é um enigma a princípio, que só fica mais trágico e nonsense quando é melhor compreendido pelo leitor.

Enfim, tomando apenas esse primeiro volume de Ageha não tem como não recomendar a leitura a todos. Não deve demorar muito para que tenhamos o segundo volume, e conclusão, dessa saga de amor e nonsense.  Provavelmente voltarei aqui ao blog para comentar minhas impressões finais da obra, quando a publicação brasileira estiver finalizada.

Será que Motoki e Ageha irão vencer as amarras de um destino trágico? E Kagero e Hera? Qual delas irá conseguir concretizar seus anseios e quem será que vai ter que sair morto dessa intrincada teia amorosa como consequência? Só com a continuação é que vamos saber disso (nada de ler antecipadamente online ein!)

Até breve! o/

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

UQ Holder - o novo mangá de Ken Akamatsu começa com tudo!

A estréia de UQ Holder, nova obra de Ken Akamatsu se deu no mês de agosto deste ano de 2013 e foi cercada de grande expectativa: desta vez o mangaká tinha a intenção clara de fazer um mangá de ação desde o princípio.
Talvez no Brasil o trabalho de Ken Akamatsu não seja tão reconhecido quanto poderia. Sua imagem é muito marcada pelos fanservices de Love Hina. Muitos sequer chegaram a ler sua obra seguinte e de maior sucesso comercial: Mahou Sensei Negima. O plot de um menino cercado de 31 garotas também ajudou a aprofundar o preconceito de leitores que (no meu ver pessoal) parecem valorizar demais a sexualidade nos mangás, esquecendo de analisar outros aspectos como a comédia, e, principalmente, a qualidade dos personagens.


Ken Akamatsu é um mestre em criar personagens cativantes e Negima foi um grande sucesso quando conseguiu mesclar a comédia, esses personagens apaixonantes e uma dose de ação crescente. Lutas muito bem desenhadas estão nas páginas da obra de forma cada vez mais cons…

Sobre o que fala Suzumiya Haruhi, afinal?

Suzumiya Haruhi é uma série de light novels que já conta com 10 volumes e o suspense se irão haver novas publicações ou não. A história ficou mais famosa quando se transformou em anime e então a franquia caiu no gosto do público otaku pelos seus clichês cômicos, personagens carismáticos e uma dancinha viciante para viralizar. Porém muitos acabam julgando que a obra não passa de um entretenimento barato para otakus e que não possui nenhuma mensagem intrínseca. O que é um erro e eu vou dizer o motivo:

Qualquer obra, por mais comercial e batida que seja, pode conter em si uma mensagem, talvez supérflua, talvez profunda, mas não é por causa de questões visuais ou estilísticas que deve ser ignorada essa possibilidade.

Vou citar um exemplo de conhecimento mais comum no mundo do entretenimento para deixar mais simples o entendimento.

Matrix, o filme de 1999, é uma história louca sobre pancadaria alucinada entre realidade e mundo digital? Bom, essa pode ser a cara do filme, com seus efeitos …

Comentários sobre Planetes v.1

Olá a todos!
Esse ano de 2015 tem sido muito bom para leitores de mangá que também são leitores de ficção-científica. Grandes anúncios como Akira e o relançamento de Eden (ambos pela Editora JBC) são alguns dos principais nomes desse momentos, mas outros títulos de peso também chegaram às bancas. Esse é o caso de Planetes, mangá de Mokoto Yukimura, autor também de Vinland Saga (ambos publicados pelo selo Planet Mangá, da Panini).
Comentários sobre a trama



Em um futuro próximo, onde o desenvolvimento da exploração espacial já torna possível a construção de estações e bases em alguns pontos do Sitema Solar, em Planetes acompanhamos a vida de Hoshino Hachirota (ou "Hachimaki", como lhe chamam), um jovem astronauta que tem uma das funções de menor glória: lixeiro espacial. Um trabalho exigente e necessário, mas que não é dos mais gratos.
Temos, além de  outros dois tripulantes na nave Toy Box: Yuri Mihairokov, um russo que tem um motivo bastante distinto. Além deles temos a pilo…